Miriam Naef tem 38 anos e mora há 10 anos no exterior. No Brasil ela cursou contabilidade e depois de formada resolveu morar na Suiça, país onde ela vive com a família. Lá ela trabalha há sete anos em um hospital, fazendo parte da equipe de roomservice (serviço de quarto).

Logo que cheguei na Suiça percebi que trabalhar na minha área de formação seria difícil, a língua era e ainda é uma barreira. O alemão do dia a dia se aprende com esforço, mas aprender leis, termos contábeis em uma língua estranha é uma tarefa que  exige muito tempo e dedicação. Como queria ter filhos, achei difícil conciliar as duas coisas e resolvi fazer um curso para cuidar de idosos. Em 2006, encontrei o meu atual emprego no hospital.

A melhor parte do meu trabalho é lidar com pessoas. O nosso setor no hospital é responsável pela a alimentação dos pacientes. Todos os dias temos que visitá-los para sabermos o que eles querem comer, de acordo com as dietas de cada um. São muitas pessoas diferentes, jovens, adultos, alguns gravemente doentes ou outros que ficam apenas por alguns dias e voltam saudáveis para casa. Também adoro saber sobre os alimentos, combinar os acompanhamentos e oferecer ao paciente sempre o melhor que temos a oferecer. Esse não é o emprego dos meus sonhos, mas sinto que contribuo de alguma forma para o bem-estar das pessoas que realmente estão em uma situação delicada, e isso é enriquecedor.

Eu tenho dois filhos, de quatro e seis anos, e por isso trabalho apenas  40% da carga horária. Os dias que eu trabalho variam de acordo com o plano mensal que determina as escalações da equipe. Pode acontecer de eu trabalhar durante 15 dias seguidos e depois ter folga. Também trabalho em dois fins de semana por mês. Como tudo, esse modelo de trabalho também tem seus pontos positivos e negativos. A maior vantagem é certamente que eu preciso me preocupar menos com a organização do cuidado das crianças, já que eles ficam com o pai nos finais de semana. Isso faz com que o relacionamento entre o meu marido e os meus filhos se intensifique, já que estou fora. Também gosto muito da flexibilidade com o plano de trabalho. Posso tirar folga quando preciso, trocar dias de trabalho com as colegas, ser substituída quando surge algo inesperado. A grande desvantagem é que sobra menos tempo para os programas em familía no final de semana, que é o tempo livre do meu marido em casa.

A minha rotina de trabalho é mais ou menos assim: pela manhã combino os cárdapios com os pacientes, sirvo chá ou outras bebidas, controlo o quarto para que a  toalha de mesa, os guardanapos e tudo o mais esteja limpo. Sirvo as refeições, retiro as bandejas para mandar para cozinha e leio os e-mails com atenção. Caso haja mudanças de dietas dos pacientes, documentamos tudo no computador, para que todas as pessoas da equipe estejam sempre a par da situação.

Que conselho você daria para quem está se mudando para o exterior?

A primeira coisa a fazer é aprender a língua o mais rápido e melhor possível. Depois decidir se quer exercer a profissão antiga ou aprender uma nova. De acordo com o caso, é preciso estudar, estudar e  estudar. Também recomendo que a pessoa tente se integrar, conhecer pessoas novas, pois muitos empregos você consegue  por indicação, como foi no meu caso.