Queridos leitores, amigos e brasileiros mundo afora!
Muitos de vocês me acompanharam na busca de um emprego. Também vibraram juntamente comigo, quando eu consegui voltar ao mercado de trabalho em setembro do ano passado. Obrigada a todos!
 
Alguns de vocês me perguntaram como está sendo voltar a trabalhar, cuidar das crianças e balancear tudo isso. Aqui conto um pouquinho sobre…
 
Ser mãe e trabalhar fora significa ser esportista, equilibrista, bailarina. Significa exercer muitos papeis. Eu sou tudo isso e muito mais, igual a muitas outras mães mundo afora.  
Hoje em dia, saber conciliar de forma habilidosa a vida familiar e profissional não é nada espetacular. Mas muitas de nós, inclusive eu, vivemos eternamente o dilema de não sermos mães o suficientemente presentes ou não sermos profissionais suficientemente competentes. É como eu lí no texto da jornalista Tania Menai Nunca mais teremos o tempo necessário para dar aquela última revisada ‘supimpa’ naquele texto que vai mudar a sua vida; e também não vai rolar aquele passeio gostoso com o neném, porque o entrevistado da década só pode falar com você naquela hora. Ah, a culpa.
Ser mãe e ter um emprego significa também não poder estar presente em todos os momentos alegres e tristes dos filhos. Não poder secar as lágrimas naquele momento ou rir juntos de uma piada qualquer. Ser mãe e ter um emprego exige muito de nós, mas, como tudo nessa vida, também isso é só uma questão de adaptação.
Muitas mulheres expatriadas conseguem a façanha de equilibrar bem a vida familiar e a profissional por terem ajuda. Ajuda dos maridos, dos sogros, dos novos vizinhos e dos novos amigos. Nunca foi tão importante ter e ser um time, como quando se mora no exterior com a família. Comigo não é diferente. Nesses cinco anos que moro aqui, fiz uma rede de relacionamentos sólida, com pessoas que posso contar de verdade na hora do aperto. Como consegui? Fazendo favores sempre que eu pude e sempre que posso. Quando tenho tempo ajudo sempre: tomo conta de outros filhos, levo para passear, para a terapia e ao médico se for preciso. Ajudo aquela mãe solteira ficando com o filho durante a noite para que ela possa encontrar o novo namorado e assim por diante. Eu acredito muito no princípio de que “você colhe o que planta.”
Com a  maternidade, sou mãe de um menino de sete anos e de uma menina de quarto, aprendi a priorizar as coisas e a aceitar que para tudo existe o tempo certo. Também para voltar ao mercado trabalho. Assim curti demais os meus filhos nos últimos cinco anos que moro aqui na Alemanha, me dedicando à tarefa de mãe e family manager (risos), ocupando minha mente com meus blogs e por fim com a minha revista digital Brasileiros mundo afora.
Em julho passado fiz 40 anos e, apesar de não ter tido a típica crise dos 40, além de amar ser mãe, senti a necessidade de voltar a trabalhar fora. Fazer parte novamente da classe assalariada, ter um chefe e não ser chefe. Tercoleguinhas da minha idade. Me arrumar melhor para sair de casa, poder gastar um trocado a mais sem ter peso na consciência e sem que pese de verdade na conta bancária
Assim comecei a procurar um emprego, sabendo que não seria fácil. E não foi e nem está sendo. Aqui em Berlim, a grande dificuldade está na concorrência. Muitos jovens estão dispostos a trabalhar, por preço de banana, em troca de experiência. Depois de procurar alguns meses e de não ter recebido resposta alguma, nem mesmo negativa, consegui um emprego em uma redação online no coração de Berlim. Um trabalho que satisfaz a minha mente, mas não necessariamente o meu bolso. Não se pode ter tudo.
Para ter certeza de que eu seria contratada, não hesitei em assinar um contrato de período integral, sabendo que seria duro para todos nós. Para mim, que não estou mais a tarde em casa, para as crianças e para o meu marido, que precisa me ajudar um pouco mais. 
Eu trabalho no momento 41 horas por semana. O caminho para o trabalho de ida e volta dura duas horas e a pausa do almoço é de uma hora. Vamos fazer a conta? Estou fora de casa 11 horas por dia. Não sobra tempo para mais nada. Chegando em casa, geralmente cozinho para as crianças ou já deixo tudo pronto somente para esquentar, lemos, brincamos e os coloco para dormir. Aí não faltaatividades que variam entre roupas sujas implorando para serem lavadas, organizar lanchinhos para o dia seguinte, limpar, arrumar, passar, ler e responder e-mails de leitores e amigos e ficar um tempinho com meu maridoMeu dia começa entre cinco e seis da manhã e termina geralmente à meia-noite. Notei que os cabelos brancos aumentaram juntamente com as olheiras. Ossos do ofício!

Em fevereiro  vou diminuir a carga horária, porque de todas as minhas funções a que me dá mais prazer é a de ser mãe. Eu não quero olhar para trás com pesar e com o sentimento de que não aproveitei os meus filhos. Eles crescem tão rápido!  

É isso. Essa é a minha realidade no momento. Vou seguindo e tentando me equilibrar na corda bamba da vida. Buscando dar o melhor de mim. Igual a muitas outras mães mundo afora. 

Bjs Claudia