Profissão expatriadas

Quinze mulheres, que moram nos quatro cantos do mundo, falam sobre suas trajetórias profissionais e dão dicas para quem está se mudando agora para o exterior. Hoje a nossa viagem nos leva à Austrália. 
Marcia Ciarini tem 34 anos e mora no exterior há quase seis. No Brasil ela era administradora de comércio exterior. Em Sydney, na Austrália, tem uma empresa de limpeza. 

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Eu me mudei do Brasil afim de buscar crescimento pessoal e profissional. Adquiri muito conhecimento na parte pessoal e mudei completamente minha atuação profissional. Continuo sendo administradora, mas em um ramo bem diferente do qual eu atuava no Brasil.

Ingressar no mercado de trabalho aqui na Austrália não foi fácil, pois o país é bem diferente do Brasil. Além disso, eu não conhecia muitas pessoas e não era fluente no inglês. Foi como renascer aos 28 anos. É preciso ter a mente aberta e muita força de vontade. Fiz muitos contatos e, ao invés de preencher meu currículo, passei a ser um “currículo ambulante”. Em cada conversa entre os colegas de escola e amigos de amigos, me apresentava apontando todas as minhas qualidades, inclusive aquelas que eu nunca pensei em falar, como: minhas roupas são organizadas, não gosto de sujeira, sei lavar pratos, sou educada e assim por diante. Dessa forma surgiu o primeiro emprego de cleaner*, acompanhado de outro emprego de garçonete, para trabalhar em eventos.

Cleaner não é uma profissão que eu escolhi, na verdade. Eu comecei a trabalhar nela devido a necessidade de ganhar dinheiro para me sustentar. Posteriormente a escolha foi minha de continuar e crescer na nova profissão. Hoje tenho uma empresa que presta serviços de limpeza em geral. Eu gosto muito do meu trabalho. Gosto de ver a reação das pessoas quando o trabalho é bem feito. Gosto também de ajudar quem, assim como eu, precisa de uma primeira oportunidade  no início da nova jornada em um outro país.

Eu não tenho uma rotina de trabalho fixa. Sempre tem algo diferente para se fazer, um problema para resolver, um cliente para visitar. Mas, basicamente, existe um plano  mensal que as cleaners seguem. Nele consta quais são os clientes do dia, horários e tempo de serviço, afinal tempo é dinheiro! Também trabalham para mim outras pessoas com um cliente fixo, como escolas, por exemplo. Na maior parte do tempo, eu organizo os clientes e as cleaners. Mas se preciso colocar “a mão na massa” eu vou, sem problemas! 

Que conselho você daria para quem está se mudando para o exterior?
Informe-se antes de se mudar para um novo país e utilize essa ferramenta maravilhosa chamada Facebook. Eu já respondi várias dúvidas de estudantes e acredito que assim muitas pessoas param para pensar e pesquisar melhor, antes de tomar uma atitude de que possam se arrepender mais tarde.

Não viaje pensando que tudo será diferente, lindo e que você vai resolver todos seus problemas. Se você ama sua profissão e quer continuar a desenvolvê-la em outro país, faça contatos antes de sair do Brasil. 

Meu conselho? Abra os olhos para novas oportunidades. Eu acredito que a Austrália é um país onde há muito o que fazer. Mas o que você fizer, que seja bem feito, pois de gente que faz por fazer todo lugar está cheio.
 

 

Facebook: Marcia Ciarini