Nosso país foi o convidado de honra da edição de 2013 da Feira do Livro de Frankfurt. Motivo que me levou a conferir o que ocorria por lá. Me deparei com um cenário exuberante e imponente. Paredes gigantes exibiam textos de nossos queridos autores. Palavras em português brasileiro, como se diz por aqui, nas línguas linglesa e germânica contavam sobre o nosso povo e nossa cultura, no pavilhão Brasileiro. Estima-se que 60 mil pessoas tenham passado por lá no último fim de semana.
Mesmo envolvida em algumas polêmicas, a recusa de Paulo Coelho de integrar a lista dos 70 autores convidados e o controverso discurso de abertura do escritor Luís Ruffato, a participação do Brasil parece ter agradado, e muito.  “Vocês podem ter muito orgulho de seu país”, disse Jügen Boos, presidente da Feira, elogiando a extensa programação do Brasil no evento. Eu tenho mesmo meu senhor.
Pelo que presenciei e acompanhei na mídia, Boos está certo. O interesse de alemães e estrageiros era visível. Espalhados pelas cadeiras, almofadas, redes e bicicletas disponíveis no pavilhão do Brasil, inteirávam-se de nossa literatura e história. Além disso, os brasileiros, moradores da Alemanha, ou vindos especialmente para a Feira, estavam em peso por lá. Gostei de ouvir os sotaques de diversas regiões do Brasil, aqui e ali nas minhas andanças.
Claro que também teve debate sobre a Copa do Mundo de 2014. Cheguei bem na hora em que um brasileiro que mora na Alemanha  falava, em alemão: “o Brasil pode ser o país do futebol, mas a Alemanha está mais preparada para vencer.”  Não entendo muito de futebol para dizer se isso é verdade ou não, mas me deu uma vontade protestar. Felizmente, fui contida pelo bom-senso.
O mesmo aconteceu quando li o discurso de Luís Ruffato e que fez o Ziraldo levantar-se e gritar: “Não tem que aplaudir, que se mude então”. Ruffato não falou nenhuma mentira, mas exaltou os defeitos de nosso país, quando o momento era de destacar as qualidades, acho. Concordei 100% com as palavras de Ziraldo, que disse adotar a postura de não falar mal de seu país no exterior. Sensato. Enfim…
A Feira do Livro de Frankfurt é um expetáculo, com uma estrutura gigante e muito bem-organizada. Fiquei seis horas lá dentro e poderia ter ficado mais. Eventos de todo o tipo aconteciam ao mesmo tempo. E o fato de o Brasil ter sido o convidado de honra contribuiu, e muito, para mudar a imagem que os estrangeiros têm de que nosso país é só carnaval e futebol. Somos muito mais que isso!
Mais eventos vêm por aí. Outubro é o mês de programação brasileira em Frankfurt e eu estarei lá para conferir.