Desde pequena eu sempre gostei de estudar idiomas e por causa disso sempre pensei em morar fora do Brasil. Mas o momento em que você resolve transformar seus sonhos infantis em realidade é com certeza aquele em que você percebe que ficou adulto, que amadureceu e que sua vida e suas decisões pertencem apenas a você. Mudar de país era um projeto de vida meu e do meu marido e Israel foi uma escolha baseada no fato de termos ambos nacionalidade israelense.

Israel é um país lindo, limpo, extremamente seguro, com a 16ª melhor qualidade de vida do mundo e de tudo o que mais chocou, é um país frio a maior parte do ano. Israel só é realmente quente no verão, terminada a estação, o clima passa de ameno para gelado numa velocidade assombrosa. Exatamente por isso, a adaptação à Israel requer um esforço a mais, não só para que você assimile o país que realmente existe, mas também para exorcizar todas as crenças que você trouxe de fora, todas as falsas ideias que foram cultivadas como verdade por anos. Em compensação, em Israel parece que tudo acontece de maneira mais intensa, o sangue mediterrâneo quentíssimo dos israelenses torna tudo muito próximo, muito vivo e ao mesmo tempo também muito informal e acolhedor. 

Tudo isso junto, aliado ao profundo mergulho no estudo que se faz necessário para aprender hebraico e a incorporação de novos alimentos faz com que as diferenças culturais se tornem um hábito muito rapidamente.

No processo de imigração, eu acredito que umas das coisas que mais pesem seja a questão da alimentação e exatamente por essa razão, muita gente aprende a cozinhar nesse momento da vida e foi exatamente o que aconteceu com nós dois. Meu marido e eu aprendemos a fazer a maior parte das comidas e salgados típicos do Brasil. Ocorre que, Israel te arrebata de uma tal maneira em hábitos e costumes que com mais ou menos dois anos de Israel nos demos conta de que quase 100% do que comíamos e do que buscávamos na internet em termos de receita eram pratos israelenses. O pão de queijo que nós achávamos que morreríamos sem, hoje é raridade aqui em casa, e foi plenamente substituído pelo “shawarma e falafel nosso de cada dia”.(risos)

 
Eu percebi que meu hebraico estava pleno o dia que consegui assistir um filme inteiro com a TV sem som, apenas com a legenda em hebraico. Quando nós chegamos aqui, alguém nos disse: o dia que você conseguir rir das piadas israelenses considerem-se adaptados ao país. Na hora eu levei isso como uma brincadeira, mas de fato não há nada que traduza mais real e verdadeiramente a sua adaptação a um país do que compreender o humor que é feito lá. Porque os dramas do cotidiano são universais, é fácil compreender a dor alheia, mas o humor é o reflexo da alma de um povo, quando você consegue compreender isso, você captou toda a forma de pensar de uma nação. 

Yaheli Berlinski vive com o marido na cidade de Nazaré e chama Israel de sua casa desde 2009. Há alguns anos atrás ela era advogada, se chamava Adriana e morava no Brasil. Hoje ela trabalha como tradutora, se chama Yaheli e mora em Israel. Três mudanças radicais que mudaram sua vida para sempre. “Mudei de profissão para poder mudar de país e mudei de nome porque mudei de país. Yaheli é mais fácil de ser pronunciado aqui em Israel, onde eu vivo desde 2009.”
Yaheli escreve suas experiências e observações e opiniões no sue blog Vivendo em Israel: www.vivendoemisrael.blogspot.com
Foto credits: Arquivo pessoal