• Harbin, cidade do gelo na China
    Frio é pouco para descrever o mundo gelado e impressionante de Harbin.

    Harbin é um espetáculo de cidade! Com 10 milhões de habitantes, Harbin fica situada no noroeste da China, na província de Heilongjiang. Sua localização perto da Sibéria faz com que a temperatura média diária no inverno seja de menos 19 graus. Tão gelado como o seu freezer! Quando estivemos lá a temperatura mais baixa que vivenciamos foi de menos 28 graus e até mesmo os cílios congelam… e quase todo o resto também.

    Cílios congelados em Harbin

    Apesar desse frio todo, Harbin é única! Passear em cima de um rio totalmente congelado, onde circulam carros(!), visitar o Festival Internacional de Escultura em Gelo e Neve de Harbin ou o “mundo russo” Volga Manor ou mesmo somente vagar pela rua de pedestres, com suas esculturas de gelo ao ar livre, é uma experiência única.

    Mundo russo Volga Manor: paraíso para fotógrafos.
    O parque temático Volga Manor fica a cerca de uma hora de carro do centro de Harbin.

    Pela sua proximidade da Rússia, é impossível não se ver a influência desse país na cidade de Harbin e região. As placas são escritas em russo e mandarim e a arquitetura russa está muito presente no centro da cidade. Um dos símbolos da cidade é a Catedral Ortodoxa Russa de Santa Sofia.

    Apelidada de “Cidade do Gelo”, devido ao seu inverno extremamente frio, Harbin é decorada por vários estilos de esculturas de gelo e neve de dezembro a março de cada ano.

    A grandiosidade das verdadeiras obras de arte é de tirar o fôlego. Para curtir bem, é imprescindível levar roupas e sapatos adequados para temperaturas abaixo de 40 graus. Muitas baterias de celulares e camêras não aguentam o frio e descarregam com facilidade. Apesar ser de algo temporário, já que voltam a funcionar normalmente quando se aquecem, é recomendável que se leve proteção adequada. Exatamente na hora de pedir um taxi, a minha batéria morreu. Complicado em um lugar onde não se fala a língua e é terrivelmente gelado.

    O Festival Internacional de Escultura em Gelo e Neve de Harbin é realizado anualmente desde 1985. Embora a data oficial seja início de janeiro de cada ano, na prática, muitas das esculturas podem ser vistas antes. Há duas áreas de exposições principais: Sun Island ou Tai Yang Dao e o Ice and Snow World.

    As enormes esculturas de neve na Sun Island ou Tai Yang Dao, no lado oposto do Rio Songhua da cidade. As esculturas feitas em neve são de impressionante tamanho e detalhes. Eu recomendo ir pela manhã, quando o movimento é menor.

    O tamanho das esculturas é algo que impressiona em Harbin!

    O Ice and Snow World apresenta edifícios iluminados em tamanho real feitos de blocos de gelo cristalino, retirados diretamente do rio Songhua, que atravessa Harbin. As obras de arte são feitas por cerca de 15.000 pessoas durante 16 dias. São utilizados cerca de 120.000 metros cúbicos de blocos de gelo como matéria-prima para este show. O Ice and Snow World, que funciona todas as noites com as luzes acesas, iluminando as esculturas por dentro e por fora. Eu recomendo ir às 15:00 para curtir o local de dia, ao anoitecer e a noite. Simplesmente espetacular!

    Trabalhadores esculpindo no centro da cidade.

    O festival de Harbin é um dos quatro maiores festivais de gelo e neve do mundo, junto com o Festival de Neve Sapporo do Japão, o Carnaval de Inverno de Quebec, no Canadá, e o Festival de Esqui Holmenkollen da Noruega.

    Prometi muito dizendo que Harbin é sensacional?

    © Todas as fotos são de autoria de Claudia Boemmels. Quer compartilhar? Não esqueça dos créditos @claudia.boemmels Obrigada!

  • Shangri-La na China, cidade imaginária?

    O best-seller “Lost Horizon”, do autor inglês James Hilton, tornou a cidade imaginária de Shangri-La famosa mundo afora. Em 2001 a cidade de Zhongdian, na província de Yunnan, no sudoeste da China – recebeu oficialmente o nome Shangri-La.

    A região onde Shangri-La está situada é muito bonita, com picos nevados e gargantas esculpidas por três dos rios mais poderosos da Ásia.

    O Mosteiro Songzanlin, onde visitamos, é lindo e é considerado um mini palácio de Potala, com centenas de monges budistas tibetanos. É proibido fotografar dentro do mosteiro. O lugar é turístico, recebendo muitos grupos de excursão e muitas pessoas vestem-se com trajes tradicionais para fazerem umas das coisas que os chineses mais amam: fotos!

    “We have reason. It is the entire meaning and purpose of Shangri-La. It came to me in a vision long, long ago. I foresaw a time when man exalting in the technique of murder, would rage so hotly over the world, that every book, every treasure would be doomed to destruction. This vision was so vivid and so moving that I determined to gather together all things of beauty and culture that I could and preserve them here against the doom toward which the world is rushing. Look at the world today. Is there anything more pitiful? What madness there is! What blindness! A scurrying mass of bewildered humanity crashing headlong against each other. The time must come, my friend, when brutality and the lust for power must perish by its own sword. For when that day comes, the world must begin to look for a new life. And it is our hope that they may find it here.”

    ― James Hilton, quote from Lost Horizon

    © Todas as fotos são de autoria de Claudia Boemmels. Quer compartilhar? Não esqueça dos créditos @claudia.boemmels Obrigada!

  • Brasileiros Mundo Afora está de volta!

    O projeto Brasileiros Mundo Afora foi criado final de 2012 por Claudia Bömmels. Começamos sem muita ambição, publicando fotos e textos, na sua maioria de familiares e amigos. Em 2015 Marisa Pedro Pfeiffer chegou para acrescentar o time da Brasileiros Mundo Afora. Ao todo foram 15 revistas publicadas, quatro delas foram impressas e distribuídas na Suíça. Na época nós produzimos dois mil exemplares cada vez, e nossas revistas foram lidas por cerca de 30 mil pessoas online, mundo afora, por edição. Temos muito orgulho disso!

    A Brasileiros Mundo Afora é um projeto colaborativo e sem fins lucrativos, contando com histórias e fotografias de pessoas inspiradoras, que moram nos quatro cantos do mundo. Após uma longa pausa, estaremos de volta em breve, com publicações especiais sobre a China, país sobre o qual há muito o que se dizer!

    Brasileiros Mundo Afora China
    Foto de Claudia Bömmels feita na provincia de Yunnan na China em 2021.

  • Tem, mas não está tendo
     

    Me perguntaram outro dia qual é, pra mim, a maior diferença cultural entre brasileiros e alemães. Pergunta difícil e resposta complexa. Simplificando, eu diria que uma  delas é o nosso jeito de dar sempre um “jeitinho” em tudo e o jeito alemão (e suiço) de não dar jeitinho em nada.

    Duas culturas diferentes se encontram e às vezes se chocam, principalmente nos casamentos binacionais.

    Eu não gosto de frases prontas, como “Esse povo daqui nos recebe mal“, “Eles são frios“, “Esses alemães são assim mesmo“. E tantas outras observações pré-fabricadas que generalizam o povo de um país (que não é o nosso), mas que escolhemos para viver. Assim como não suporto frases do tipo “Brasileiro é preguiçoso“, “Brasileiro é malandro“.

    Fato é, que os europeus muito admiram a nossa cultura alegre e calorosa. Mas no dia a dia muito do que nós somos se choca com o jeito mais racional de ser das pessoas aqui do norte do mundo. Nós não só damos um jeitinho nas situações complicadas, como também damos um jeitinho no tempo, nos atrasando horrores, por exemplo, para o horror dos europeus. Com o passar dos anos, nós aprendemos a ser mais diretos, mais pontuais, mais organizados e eles se esforçam para darem um jeitinho a mais nas coisas. Questão de convivência, boa vontade e até de sobrevivência própria e do relacionamento.

    Outro dia, folheando um livro chamado “Modernes Brasilien – Für Investoren und Manager” – Brasil moderno – para investores e gestores –  eu lí alguns textos escritos por estrangeiros que já trabalharam no Brasil, falando sobre a nossa cultura. Um deles  foi escrito por um executivo chamado Manuel Campos, que visivelmente não é brasileiro, apesar do sobrenome. No decorrer do texto ele fala sobre vários aspectos da nossa cultura e um deles eu gostaria de citar aqui, pois fala da capacidade dos brasileiros em dar sempre o tal do jeitinho, da necessidade de ser cordial (às vezes, custe o que custar) e da incapacidade, de modo geral, de dizer não. Um texto bem legal que quero compartilhar com vocês.

    Um não é coisa rara no Brasil!

    “No decurso da minha estadia de cinco anos no Brasil, verifiquei que os brasileiros raramente conseguem dizer não. Eles sempre escolhem um desvio, o que, à princípio, eu interpretava como subterfúgio. Verifiquei mais tarde que essa era uma forma inteligente e simpática de evitar descortesia. Achei o tema tão interessante, que, durante as minhas viagens de avião pelo país, sempre procurei fazer perguntas. Alcançada a necessária altura do voo, o pessoal de cabine, como sempre, oferecia o seu leque de bebidas. Nunca consegui saborer a minha bebida preferida, mas em vez disso me deliciei com as mais inusitadas repostas.À minha pergunta: “Tem água de coco?”, recebi a primeira resposta: “Tem, mas não está tendo“. (…) No voo seguinte repeti a mesma pergunta, à qual recebi uma resposta ainda mais curiosa: “Tem, mas acabou!“. Pensei que não valeria a pena continuar a insistir. Mas, isso teria equivalido a uma perda de conhecimentos essênciais sobre a maneira amistosa como o brasileiro se comporta face a outras pessoas. Por isso, não desanimei. Na terceira oportunidade, ecoou nos meus ouvidos a seguinte resposta:” Tem, mas está em falta“. Na quarta tentativa conheci então o côrtes espirito criativo do brasileiro, ao ouvir como reposta:”Tem, mas fico em débito com você“. (…)Viajava eu de São Paulo para Brasília na companhia de um amigo, a quem contei a história atrás descrita. Pela quinta e última vez, quis tentar a minha sorte. Perguntei então se tinham a minha água de coco, recebendo a resposta imediata: “Tem, mas não embarcou em São Paulo“. Desde então alimento um enorme respeito por este povo, que sempre consegue substituir um não por um sim ainda mais belo. Afinal, a vida no Brasil é simplesmente bela. Ou não?”

    Manuel Campos é coordenador de projetos na América Latina.

    “Manuel Campos, tentamos entrar em contato com você, pois adoramos o seu texto. Esperamos que nesse meio tempo você tenha conseguido beber a sua tão querida água de coco em um voo qualquer.
  • Sentindo-se estrangeiro no Brasil

    Vários são os motivos que levam muitos brasileiros a morar fora do país, assim como os que os trazem de volta à terra natal. As duas decisões são consideradas difíceis por quem já passou pela experiência e fazem parte do pacote que os cientistas chamam “choque cultural”. Mas o que acontece aos brasileiros que decidem visitar o Brasil ou mesmo voltar a morar no país?

    É importante ressaltar que existe uma diferença entre visitar um país e morar nele. Quando visitamos um determinado lugar, tendemos a não nos importar tanto com as coisas de que não gostamos e com as diferentes maneiras de ser e viver das pessoas do local. Temos a clareza de que ali não é a nossa morada e logo mais vamos embora, pois estamos apenas de passagem e tendemos a relaxar e a ser menos exigentes. Porém, sempre fazemos um juízo de valor sobre o lugar: podemos gostar e, quem sabe retornar, ou detestar e decidir que foi a primeira e a última vez que pisamos naquele solo.

    Quando você decide mudar de país, decide mudar praticamente tudo na sua vida. É como nascer de novo dentro de uma mesma existência, só que em um lugar diferente. Nos primeiros dias morando fora de casa, a empolgação toma conta de vários momentos. Queremos conhecer todos os pontos turísticos e tiramos foto de tudo, considerando importante registrar cada nova experiência. Com o tempo, a tomada de consciência de que mudamos de vida vai se tornando mais forte e começamos a sentir saudade de tudo o que deixamos. A vontade de voltar aumenta a cada telefonema dado à família. Pensamos sobre os motivos que nos levaram a decidir sair de uma zona de conforto e passar por toda uma readaptação em um novo lugar. O choque cultural que atinge os brasileiros em terras estrangeiras percorre o caminho oposto e invade os brasileiros que retornam ao Brasil. Mas que choque cultural é esse, já que estamos voltando para casa? Muitas vezes quem morou fora do país, passa a ter dois ou mais países dentro do coração. Muitos que já passaram pela experiência afirmam que voltar a morar no Brasil é mais difícil para se adaptar do que o contrário.

    Voltando para o Brasil, os primeiros momentos são de alegria e euforia, pois rever tudo e todos, experimentar comidas e estar em lugares de que tanto sentíamos saudades é algo único. Em um segundo momento, começamos a tomar consciência de que nem tudo está como antes, e isso começa a incomodar. As grandes expectativas passam a ser frustradas. Na fase seguinte, começamos a nos incomodar com as regras sociais e tudo o que nos fez ir embora do país e que já tínhamos esquecido. Em um quarto estágio, temos sentimentos negativos por quase tudo, pois precisamos nos readaptar ao mercado de trabalho, ao estilo de vida e à cultura. A irritação passa a ser um sentimento permanente. Em um quinto momento, quando o reconhecimento do lugar, a readaptação à língua, costumes e cultura passam a ser mais estáveis, sentimos que é possível, sim, voltar a morar ali e nos reintegrar socialmente, mesmo que ainda sentindo falta do que deixamos para trás.

    Como você vai se sentir ao retornar ao Brasil está muito relacionado ao tempo em que morou fora e ao quanto absorveu da cultura do lugar em que viveu ou está vivendo. Ter consciência de que as pessoas e o lugar que você deixou não serão mais os mesmos quando você retornar, poderá ajudar na sua readaptação.

    O texto é baseado em relatos de pessoas, nomes fictícios para preservar a identidade das entrevistadas, que já passaram pela experiência:

    “Moro há 12 anos fora do Brasil e, quando fui visitar o país, pude perceber que já não me enquadro em muitas coisas de lá. ” – Rogéria morou por quatro anos nos Estados Unidos e atualmente mora no Canada.

    “Eu me senti uma estrangeira no meu próprio país. Tudo era estranho, eu continuava pensando em inglês, e pedia muitas desculpas quando esbarrava em alguém. Não consigo mais pensar que tudo tem um jeitinho brasileiro. ” – Fabricia morou dois anos no Canadá e hoje mora no Brasil.

    “Eu me sinto estrangeira cada vez que vou ao Brasil. Essa sensação de estranhamento acontece quando me deparo com situações socioculturais a que não estou mais habituada, por exemplo, ouvindo pessoas falando tão alto. ” – Lúcia mora há oito anos no Canadá.

    “Não me imagino mais vivendo no Brasil. Muitas coisas de lá me incomodam, como o excessivo materialismo e a vaidade sem fim. Essas são coisas que nunca fizeram parte do meu mundo e que agora fazem menos ainda. ” – Ivana que mora há mais de 15 anos fora do Brasil. Residiu em Israel, Suécia, Alemanha, Dublin e Holanda.

    “Bem, nos primeiros anos em que voltei ao Brasil não me senti estrangeira, mas já via o Brasil com um olhar diferente de antes. Com o passar dos anos, veio um sentimento de não fazer parte somente de uma cultura, mas de duas.” – Solange mora há 10 anos nos Estados Unidos.

    “Brasileira nascida e criada na nação varonil nunca senti e jamais me sentiria uma estrangeira em um país que é o começo de toda a minha existência. Estrangeira eu me sinto, sim, mas fora do Brasil.” – Elaine mora há mais de 20 anos fora do Brasil. Residiu na Alemanha e está hoje no Canadá.

    Lila Rosana nasceu em Belém do Pará, onde formou-se em psicologia clínica e organizacional. Tem especializações em educação infantil, ludoterapia e estresse pós traumático. Atualmente vive em Vancouver, no Canadá.

    Texto: Lila Rosana Foto: Flavio Almeida (mais…)

  • A difícil experiência da solidão

    A primeira vez em que me senti sozinha foi quando cheguei à Suíça, em 2005. Já vivia há seis meses no país, quando um dia, após almoçar só, em um restaurante, me surpreendi com um sentimento que eu nunca havia experimentado: o da solidão. Ainda sem filhos, eu não trabalhava e conhecia poucas pessoas, além de não dominar o idioma. O marido ficava no escritório e só chegava à noite. Para quem vinha de uma rotina de jornalista, com muitos compromissos e pessoas ao redor, a experiência foi dura. O fenômeno, novo para mim, acomete muitos imigrantes, principalmente nos primeiros anos.

    Além do curso de alemão, comecei a fazer academia, para me livrar daquele sentimento e superar a fase da melhor forma possível. Achei também que poderia fazer amigos enquanto me exercitava. Engano; o máximo que eu ouvia era um bom dia e saúde, quando eu espirrava. Demorou até eu criar a minha rede de contatos.

    Com o tempo e muito estudo, entendi que o suíço é mais fechado mesmo, isso faz parte de um estilo de comunicação. Ele prefere dividir muito bem o lado pessoal, se mostrando somente para amigos de longa data. Faz parte da característica cultural individualista, muito forte nessa sociedade. O brasileiro, que é extremamente coletivista, demora a perceber, aceitar e conviver com essa questão. Muitas vezes, a falta de um sorriso e um olho no olho gera extremo incômodo em nós. Mas o mestrado em Comunicação Intercultural me fez entender que não é pessoal contra mim, mas uma maneira de viver a vida sem incomodar o outro.

    Pertencer a uma cultura individualista pode levar algumas pessoas a se comportarem de uma maneira muito fechada. Por outro lado, torna-se um problema quando essa característica se torna pesada, quase que um fardo, a ponto de levar à triste estatística de que um terço das pessoas na Suíça às vezes se sente solitária, de acordo com Observatório de Saúde suíço (Obsan), relatado por diversos artigos jornalísticos publicados em dezembro de 2016. Este número permanece constante ao longo dos últimos vinte anos.
    Dessa maneira, esse texto é um convite à compreensão de um comportamento diferente. Mais que isso, a demonstração de uma notável diferença entre duas culturas, na qual nós brasileiros saímos ganhando. Afinal de contas, um sorriso é sempre muito bem vindo; seja aqui em Zurique ou em São Paulo.

    A solidão ronda os suíços

    As mulheres são mais propensas que os homens. Enquanto quatro em cada dez mulheres se descrevem como solitárias, menos de um terço dos homens se dizem sozinhos.
    O avanço da idade torna o grupo feminino menos suscetível, entretanto. Metade das mulheres entre 15 a 34 anos se sentem extremamente sós, mas em idades mais avançadas o percentual cai para 40 por cento.

    A tendência do sexo oposto vai na direção contrária: no grupo de mais 65 anos de idade, um a cada cinco homens se sente solitário. A geração mais jovem, no entanto, acomete um a cada três. O sentimento de solidão também está associada com a saúde mental. Quem tem problemas psicológicos, muitas vezes se sente solitário.

     

    Texto: Liliana Tinoco Bäckert   Foto: Claudia Bömmels 

  • Amor e sexo entre casais multi-culturais

    O amor é uma linguagem universal, que ultrapassa todas as barreiras, inclusive as multi-culturais. Junto com essa linguagem vem outra, a do sexo. Para essa última existem alguns ajustes que precisam ser feitos de acordo com os valores e culturas de cada casal.

    Já escutei casais de diferentes nacionalidades falarem da necessidade de ajuste ao ritmo do outro e ao modo de ver o sexo na relação. Em algumas culturas o sexo entre os casais é objeto único de procriação; sendo que em outras é a matéria prima para uma relação duradoura a dois. Já testemunhei muitos casais brasileiros se separando por causa da ausência de sintonia no sexo; assim como já escutei casais de diferentes nacionalidades falarem que o sexo não era bom entre eles, mas isso não era a coisa mais importante e sim a manutenção da família e do lar.

    Uma primeira coisa que é dada como certa: o sexo é encarado de maneiras diferentes em diferentes culturas. A segunda é que o sexo entre os casais diminui com o passar dos anos. Mas por quê?

    O que acontece é que com o passar dos anos a sedução entre os parceiros diminui. Os casais relaxam e começam a viver uma rotina onde o sexo passa a não estar entre as prioridades. O parceiro está tão disponível e acessível que deixa de ser objeto de desejo.

    O dia a dia consome o romance. Além disso, a rotina diária, cheia de responsabilidades, torna-se um dos vilões que diminuem o desejo entre os casais que moram embaixo do mesmo teto. Seduzir leva tempo e exige que tenha a necessidade de conquista. Se o parceiro(a) está ali disponível, esse esforço seria em vão, no entanto, torna-se inexistente até por uma questão de economia de energia por parte dos dois. Se um quer transar e o outro não, a relação pode ser deixada para o dia seguinte ou para a próxima semana. Essa acomodação e facilidade de “reagendar o sexo” acomoda as pessoas. Com o tempo o casamento cria outras prioridades e o sexo perde espaço no meio de tantas atribulações e tarefas a cumprir.

    A verdade é que ninguém casa para ser infeliz e ninguém deseja perder o desejo pelo parceiro(a).

    Depois de anos de convivência, porém, se algo não for feito para reanimar a vida sexual de um casal que convive há anos, a rotina e falta de desejo é uma tendência quase inevitável. Por isso, é importante entender que isso pode acontecer até com os casais mais apaixonados do planeta.

    E o casamento entre brasileiras e estrangeiros como funciona?

    Muitos casais multiculturais reclamam que o sexo com um parceiro de outra cultura é diferente. Conversando com brasileiras que moram no Canadá e que casaram com estrangeiros, ouvi os seguintes depoimentos:

    Sinto falta do jeito brasileiro na hora do sexo. Com meu marido eu tenho dia e hora para fazer sexo. É quase um agendamento de negócios.” – Ana*

    Fazemos sexo todas as sextas-feiras. Isso é certo. Outro dia? Sem chances. Não existe aquele abraço que começa na cozinha e termina na cama.” – Joana*

    Meu marido no começo era bem fraquinho em relação ao sexo. Fui ensinando para ele o jeito brasileiro de ser e hoje em dia ele está bem diferente; até me dá palmadinha no bumbum.” – Vitoria*

    Não tem jeito, os homens latinos são definitivamente melhores em relação ao sexo. Mas os estrangeiros são mais fiéis e companheiros. Bem, não dá para ter o melhor dos dois mundos. Eu optei pela segunda qualidade citada.” – Roberta*

    Meu namorado estrangeiro me perguntou como eram os homens brasileiros; decidi não contar tantos detalhes para não ofendê-lo (risos).” – Cláudia*

    Em uma relação a dois duradoura, precisa-se constantemente renovar a energia sexual do casal. Como podemos fazer isso? Algumas dicas:

    Preservar os momentos a dois: Ter momentos a sós lhe trará um pouco da energia do começo da relação, pois é importante ter um momento para se produzir, se preparar para um encontro, seja esse uma ida ao cinema ou a um restaurante;

    Ter Fantasias: Permita-se fantasiar na relação a dois. Sejam essas fantasias reais ou apenas imaginárias. Não permita que a culpa acorrente você. Fantasiar não é traição e sim uma maneira de transformar rotinas;

    Valorize a sua individualidade: Ser um casal não anula o fato de você ter uma vida pessoal e individual. Muitos casais, antes do casamento, tinham amigos e rotinas que independiam do parceiro para estar acontecendo. Esses mesmos casais tendem a mudar completamente após o casamento. Isolam-se numa vida a dois, sentindo-se com o tempo sufocados e sufocando o outro;

    Fale sobre suas vontades: Cada parceiro deve conversar sobre o que dá ou não prazer e o sobre as experiências que gostaria de ter;

    Cuide da aparência: Homens e mulheres tendem a descuidar de si mesmos após o casamento.  Isso desestimula o casal, afinal mudar com o passar dos anos faz parte, mas tornar-se totalmente diferente do que você era é desestimulante.

     *Para preservar a identidade dos entrevistados, todos os nomes apresentados nos depoimentos desta matéria são fictícios.
     
     
    Texto: lila Rosana   Fotografia: Claudia Bömmels
     
     
     
    Lila Rosana nasceu em Belém do Pará, onde formou-se em psicologia clínica e organizacional. Morou por 11 anos em Fortaleza, no Ceará. Tem especializações em educação infantil, ludoterapia e estresse pós-traumático.  Atualmente vive em Vancouver, no Canadá. Ela escreve no blog pessoal Conversando com os pais ,que surgiu do trabalho de orientação de pais que fazia no Brasil, e para o jornal online Tribuna do Ceará. 
     
     

     

     
  • Compras Second Hand na Suíça e Alemanha

    O brechó é uma tendência mundial de reaproveitamento de materiais e de consumo consciente. Hoje essa prática atende pelos nomes mais sofisticados  second hand ou vintage, e tem força total na Europa. São inúmeros as lojas, bazares e sites que oferecem produtos usados.

    Ensaio feito em cooperação com o brechó infantil Kinderkleider Börse Frick, Widengasse 10,  CH-5070 Frick  |  www.kkbf.ch

    Já se foi o tempo em que comprar roupas de segunda mão, principalmente para crianças, era  “coisa de pobre”. Na Suíça e Alemanha, assim como em muitos outros países, o preconceito em reaproveitar roupas de segunda mão não existe ou está cada vez mais dando lugar ao reaproveitamento. Entre as vantagens, está certamente o preço, já que as peças usadas e ainda com ótimo aspecto são mais baratas que as novas. Outro forte argumento é que como as roupas foram lavadas já algumas vezes, todos os produtos químicos nelas existentes, não encontram-se mais nos tecidos, diminuindo assim a possibilidade de causarem alergias. Comprar roupas de segunda mão é praticar realmente a idéia do reaproveitamento e moda sustentável.

    A maioria dos frequentadores de brechós não são escravos de tendências, nem necessariamente pessoas com poder aquisitivo baixo. São consumidores que assumem um estilo próprio e personalizado e adoram garimpar roupas e acessórios, fazendo um mix com peças atuais e antigas, criando produções únicas.

    Os brechós infantis fazem a cabeça das mamães suíças e alemãs, que adoram fazer compras inteligentes, sem gastar muito com produtos que perdem rapidamente a utilidade. Como as crianças crescem rápido, muitas vezes as roupas foram usadas poucas vezes e são praticamente novas ou até mesmo ainda com a etiqueta. Além de roupas, os brechós oferecem  sapatos, brinquedos, livros, móveis, carrinhos e muito mais.

    Dicas para quem vai visitar um brechó:

    ●    Não compre nada sem que as crianças provem antes. A maioria das lojas não faz trocas ou aceita devoluções.
    ●    Escolha peças que serão usadas logo.
    ●    Observe se não está faltando algum botão ou se a peça apresenta algum defeito.
    ●    Verifique se não há manchas ou se o tecido está desgastado.

    A quantidade de brechós infantis na Suíça é imensa. Além dos bazares infantis que acontecem em todo o país. Desejamos boas compras! Você tem uma dica de um brechó legal na sua cidade ou gostaria de nos contar sobre a sua experiência com o assunto? Compartilhe conosco e escreva para brasileirosmundoafora@gmx.net

    Um ensaio fotográfico para inspirar o guarda-roupa dos seus filhos, mostrar como pode ser divertido comprar roupas de segunda mão e ainda deixar as crianças soltarem a imaginação na hora de montar seu próprio look.
    Os brasileirinhos Max Wisler e Yasmin Pfeiffer mostram nesse ensaio, como roupas de segunda mão são uma ótima e divertida maneira de renovar o guarda-roupa.
     
    Max veste camisa xadrez e bermuda jeans, a gravata borboleta e o suspensório deixaram o look bem divertido. Yasmin veste saia de lã com detalhes em linha bordada e camiseta estampada.
    Yasmin veste saia jeans, camiseta manga longa com bordados e pulôver em linha trançada.
     
    Max veste camisa listrada com colete de linha, a bermuda de sarja é ideal para dias não tão frios. Yasmin veste casaco vermelho, meia-calça cinza e botas de chuva de lacinhos.
     
    Max veste camisa xadrez com calça em sarja bege, a jaqueta é de couro. Yasmin veste saia de lã, camiseta de manga longa e estampa com detalhes em paetês, o colete é de pele sintética.
    Max veste calça de sarja e camisa xadrez.Yasmin veste vestido de veludo de bolinhas com detalhes em rosa, bolerinho e boina.
    Sobre Max & Yasmin
     

    Max Wisler

    Filme preferido: Star Wars
    Comida preferida: hamburguer com bacon
    Lugar preferido: sua casa
    O que ele não gosta: comer muito, brigas
    Brinquedo preferido: Lego
    Brasil para você é… natureza, boa comida e meninas bonitas.

    Yasmin Pfeiffer

    Filme preferido: Frozen
    Comida preferida: lasanha e trigo em grão
    Lugar preferido: Brasil
    O que não gosta: feijão
    Brinquedo preferido: bonecas
    Brasil para você é… piscina, água de coco e praia

    As crianças são donas de uma criatividade sensacional!

    A pequena Yasmin com seus cinco anos de idade, surpreendeu a mamãe fotógrafa com seu interesse por moda e ajudou a escolher todos os seus looks. Max tem nove anos e representa os meninos, mostrando como é possível inovar com roupa infantil masculina de brechó, sem abrir mão do conforto e garantindo muito estilo.

     Max e Yasmin são amiguinhos na vida real. As fotos de Marisa Pedro Pfeiffer.
      
    www.kkbf.ch
    Texto e Fotos: Marisa Pedro Pfeiffer
  • Tradições natalinas encantadoras: a Coroa do Advento

    O Natal na Alemanha é cheio de tradições, como a coroa e os calendários do Advento. Os alemães são muito tradicionais, no que diz respeito ao Natal, e fazem uma festa maravilhosa e cheia de simbolismos. É o dia mais esperado do ano pelas crianças, que se envolvem de forma muito ativa na preparação da festa. Seja fazendo biscoitos de Natal ou preparando presentinhos no melhor estilo “faça você mesmo”, afinal os alemães adoram e admiram muito os trabalhos manuais. É comum as crianças apresentarem peças de teatro, a família inteira cantar músicas natalinas ou recitar versos que combinem com a época.

    O calendário do Advento é uma tradição introduzida pelos luteranos alemães no começo do século XIX. Eles faziam a contagem regressiva com um simples risco de giz na porta a cada dia, começando em primeiro de dezembro. Algumas famílias tinham meios mais elaborados de marcar os dias, como acender uma nova vela a cada dia. As velas também podiam ser colocadas em uma estrutura, que era conhecida como “relógio do Advento”, hoje chamada coroa do Advento.

    Cada vela da coroa do Advento significa um domingo até a chegada da esperada noite. As velas vão sendo acesas conforme as semanas vão passando: semana 1 (geralmente o último domingo de novembro ou primeiro domingo de dezembro), uma vela, na próxima semana, duas velas e assim por diante. É uma tradição encantadora e as crianças não veem a hora de dar o ponta pé inicial para o Natal.

    As coroas de Advento têm hoje em dias diversos formatos e modelos e não há limite para a criatividade. Até mesmo com vidros vazios você pode fazer uma charmosíssima!

    Sugestões de como reciclar vidros vazios e fazer decorações lindas: Ideias de como utilizar vidros vazios para se fazer Coroas de Advento e muito mais.

     

    Bom Advento para todos!

    Redação Brasileiros Mundo Afora

  • Filhos e o uso de celulares

    Não há dúvida de que os telefones celulares são uma ótima maneira de ficar em contato a qualquer hora, em qualquer lugar. Mas o seu filho tem idade suficiente para ter um? É uma decisão difícil para muitos pais, porque não se refere apenas à idade. Você precisa saber quais são as consequências do uso do celular sobre os seus filhos, antes de deixar-se influenciar pela maioria social e decidir adicionar outra linha a sua conta de telefone.

    Acredito que eu sou uma das poucas mães que tem um filho de 12 anos, o qual não tem um celular. Meu filho já me perguntou algumas vezes: “Mãe, eu posso ter um celular?” A minha resposta é sempre sim, pois não quero lidar contra argumentos: “Sim, claro, mas não agora!”. De fato, não vejo a necessidade de uma criança de 12 anos ter um telefone móvel e tenho motivos para isso.

    Muitos pais argumentam que dão um telefone celular aos filhos menores de idade, pois precisam se comunicar com eles. Bem, dependendo da situação, esse argumento pode ser válido; mas a questão é: se o objetivo do telefone cedido à criança é apenas para ligações, por que lhe é ofertado o melhor produto que existe no mercado? Inclusive, muitas vezes, melhor do que o dos pais. A resposta é simples: porque os telefones de hoje em dia fazem tudo, inclusive ligações, mas a opção “ligar” é a menos usada. O celular serve para acessar redes sociais, baixar aplicativos, navegar na internet, conversar com amigos, jogar ou tirar fotos.

    Bem, antes de ressaltar os motivos contra o uso precoce de celulares por crianças, quero deixar claro que a época em que vivemos, tecnológica e dinâmica, tem outra forma de comunicação. Não nos expressamos mais com a mesma frequência verbal do século 20, e sim “com os dedos”. Ir contra as tendências sociais é um verdadeiro desafio, pois o uso de celulares por crianças só tende a crescer. Estudos recentes na Universidade da Califórnia mostram que 21% das crianças abaixo de oito anos já usam celulares; e 78% das crianças com idade entre 12 e 17 anos já têm o seu próprio telefone móvel.

    Alguns bons motivos para adiar o uso do celular:

    1. Nossos filhos têm pouca noção sobre privacidade. Em um mundo de exposição, ser discreto para eles é algo quase impossível. Eles compartilham muitas informações pessoais pela internet, desde endereço da escola, de casa. Atualizam constantemente o check-in em suas redes sociais, postando fotos do que fazem e mesmo de onde estão. Sem falar no excessivo volume de fotos íntimas que compartilham sem a noção real do perigo desse ato.
    2. Devido a imaturidade inerente à idade e em razão do uso inadequado da tecnologia que tem em mãos, a criança tem a ilusão de liberdade, da ausência de controle pelos pais. Com isso começa a agir quebrando regras, ousando mais, pois não existe punição, nem supervisão do que ela faz na companhia de seus aparelhos celulares. Como a liberdade nas mãos de pessoas imaturas gera ações passíveis de arrependimento, com os nossos filhos, isso não é diferente. “Minha filha de 13 anos disse que a sua amiga já enviou foto sem roupa para um colega da escola. Meu receio é de que não tenha sido a amiga quem fez isso, mas sim ela; mas como vou saber a verdade?” – Diz Joanna*, mãe da menina citada acima.
    3. O uso de telefone celular entre crianças facilita a prática de abuso por bullying entre elas, pois uma difamação (verdadeira ou falsa) pode facilmente se espalhar através das mídias sociais, gerando constrangimento e isolamento para a vítima.
    4. O isolamento social é um dos maiores reflexos do uso exagerado de aparelhos celulares, pois a facilidade de enviar uma mensagem de texto, uma gravação de voz ou um pequeno vídeo diminui o contato “cara a cara” entre os amigos. “Nos falamos por mensagem todos os dias!” – diz Clara*, de 12 anos, referindo-se à “interação social” com a melhor amiga.
    5. Quanto maior for o uso do telefone celular por um estudante, menores as notas na escola, e maior a ansiedade. Esta fórmula é simples: a energia vai para onde se concentra a atenção! Como as crianças estão concentradas em jogos, chats ou navegar em sites, sobra pouco ou nenhum tempo para dedicar-se aos estudos. O resultado é um baixo rendimento escolar e um alto índice de ansiedade.
    6. A ansiedade gerada nas crianças pelo uso de celulares merece um parágrafo a mais, pois a necessidade” de saber sobre tudo o que os amigos estão fazendo, aumenta a cada postagem. Sem falar na comparação social que é inerente à facilidade de  acesso à vida do outro. “As pessoas estão sempre fazendo coisas mais divertidas do que eu” – diz João*, 13 anos.

    Conversei com algumas mães brasileiras sobre esse tema, vamos ver como elas lidam ou lidaram com o assunto dentro de casa:

    Camila Graciela mora em Vancouver no Canadá e é mãe de uma menina de 16 anos.
    “Eu nunca controlei o uso de quaisquer dispositivos usados por minha filha, mas gostaria de ter controlado. Quando os filhos ficam mais velhos, é muito mais difícil tentar implementar regras e acompanhar o uso, somado ao fato de que nós trabalhamos fora, e não temos muito tempo para estar em casa. É muito difícil controlar. Quando minha filha tinha 10 anos, meu ex-namorado instalou um Net Nanny* em seu laptop, mas ela descobriu e me contou. Ela me contou porque confiava em mim. Eu a apoiei na época, mas não tenho certeza se agi corretamente. Ela é uma boa menina, apenas gasta muito tempo com o seu celular e demais dispositivos. Eu gostaria de poder mudar isso, mas ela já está quase com 17 anos. Não tenho certeza se fiz a coisa certa ou se falhei”.

    Andressa Kimura-Rosa mora no Reino Unido e é mãe de uma menina de 11 anos.
    “Minha filha adora internet. Acho que os computadores, tablets e telefones têm ocupado um espaço grande na vida das crianças dessa geração e, como tudo na vida, é importante ter equilíbrio no uso desses aparelhos, para que o uso excessivo de tecnologia não consuma o tempo dos nossos filhos e afete a vida social deles. Aqui em casa, eu valorizo muito o tempo em família, e as regras para tempo no computador variam de acordo com as atividades escolares, além de estarem adaptadas à idade da minha filha. Ela ganhou o primeiro tablet aos nove anos. Hoje ela está no ensino médio, então usa o celular e o computador também para trabalhos escolares. Eu ainda não liberei o uso das redes sociais e, geralmente, usamos o Skype para que ela fale com os familiares distantes. As regras que eu imponho são: que todas as tarefas escolares e domésticas estejam feitas antes de jogar no computador, além disso, o horário de ir para a cama deve ser cumprido. Hoje em dia, o uso de celulares e afins é quase inevitável, acredito que balancear as atividades, para que isso não substitua o divertimento das brincadeiras ao ar livre, os passeios de bicicleta, a conversa com os amigos e o contato social, é o segredo de uma infância ou adolescência feliz”.

    Anelise Farias mora no Canadá, é mãe de um menino de 14 e de uma menina de 12 anos.
    “Aqui em casa as regras para o uso de eletrônicos são simples: se é durante o período de aulas, eles só usam o computador em dias de escola, se for para fazer tarefa de casa ou estudar. Nos fins de semana, se todas as tarefas estiverem em dia, eles podem jogar. Em época de aulas, os celulares “dormem” no meu quarto a partir das 21 horas. Durante as férias, está quase liberado o uso, a não ser que eles estejam tendo algum problema conosco, aí a consequência, normalmente, é o confisco de celular e o bloqueio do computador”.

    Karla Klaros mora no Canadá e é mãe de um menino de 15 e de uma menina de 20 anos.
    “Eu nunca controlei o uso do celular pela minha filha mais velha. Ela sempre tirou notas boas, é bem ajuizada e dedicada na universidade. Já com o meu filho adolescente o negócio é diferente! Ele não é nada acadêmico, então, nos dias de aula, fica sem celular até terminar as tarefas escolares. Quando eu vou dormir, confisco o celular. Depois do recebimento do primeiro boletim dele, tirei o celular de vez. Agora, como ele está de férias, devolvi”.

    Caso você já tenha dado um telefone aos seus filhos, entenda que regras e limites para o uso são necessários. Aqui algumas dicas para minimizar os problemas que o uso precoce pode gerar:

    ● Não permita que seus filhos levem seus celulares para a cama. Na hora de dormir, eles devem desligar os aparelhos e deixá-los em outro cômodo da casa.
    ● Controle o uso deixando claro por quanto tempo podem ter acesso ao telefone.
    ● Crianças desocupadas usam mais o telefone, então dê tarefas a elas: atividades físicas, dever de casa, ajudar em tarefas domésticas, passeios com a família, etc.
    ● Durante um encontro pessoal (almoço em família, cinema, teatros), não é permitido o uso de telefones, pois não existe nada mais desagradável do que ter alguém à sua frente com a cabeça baixa, olhando para uma tela e não para você.
    ● Utilize a mesada dos filhos (caso eles tenham) para ajudar a pagar a conta do telefone. Ensinar responsabilidades sobre os benefícios cedidos é fundamental.

    *Nomes fictícios para preservar a identidade das entrevistadas

    Lila Rosana nasceu em Belém do Pará, onde formou-se em psicologia clínica e organizacional. Tem especializações em educação infantil, ludoterapia e estresse pós traumático. Atualmente vive em Vancouver, no Canadá.  Além disso, Lila tem muitos interesses: aos nove anos de idade ela desenhava com grafite, aos dez anos pintava em tela e com tinta a óleo, estudou teatro quando criança, na adolescência fez dança moderna e agora adulta faz aulas de pintura, scrapbooking e fotografia. Lila colabora com a nossa revista desde a primeira edição e escreve na coluna “Conversando com Lila”.

    lila-conversandocomospais.blogspot.com