• Bia Alarsa: o fascínio da medicina chinesa

    Bia Alarsa tem 32 anos e é natural de São Paulo. Ela já trabalhou e viveu na Austrália e desde janeiro de 2020 mora em Xangai, na China. Em entrevista ela fala sobre abraçar as oportunidades que a vida nos dá em qualquer lugar do mundo e seu encantamento pela medicina chinesa e o desenvolvimento humano, como profissão e estilo de vida.

    Bia cresceu e se desenvolveu dentro de um contexto que considera um grande privilégio e muito significativo para sua formação. Sua mãe é psicóloga e seu pai é astrônomo, físico e músico, ambos frequentam há 35 anos um grupo de meditação como filosofia de vida. 

    Ela é formada na USP, em Administração, atuou por nove anos como consultora em desenvolvimento humano com foco em liderança e treinamentos comportamentais, atuando em inúmeros projetos de desenvolvimento de líderes, gestão de mudança, boas práticas e treinamentos para profissionais.

    “A razão inicial de vir para a China foi um convite que meu marido recebeu para trabalhar em Xangai, como expatriado. A primeira vez que ouvi “morar na China” tomei um susto, foi uma surpresa. Mas, a partir do momento que comecei a pequisar sobre tudo o que eu poderia aproveitar dessa viagem, em todos os sentidos, inclusive profissional, fiquei muito animada. Estamos aqui há quase dois anos e provavelmente ficaremos ainda mais um tempinho.

    Conhecer novas culturas, técnicas, ensinamentos de mestres, terapeutas e professores ao redor do mundo faz parte da minha jornada na busca do autodesenvolvimento. Isso alinhado ao meu propósito de me desenvolver constantemente através de tudo que eu estudo e assim trazer uma transformação positiva para a minha vida e para a vida de outras pessoas.

    Eu pratico e estudo técnicas de meditação há mais de 10 anos, assim como técnicas orientais como Reiki, Ayurveda – estudo milenar indiano sobre tudo aquilo que promove a saúde física e mental. Desde que cheguei na China comecei a fazer diversos cursos relacionados à medicina chinesa. Muitas pessoas acreditam que a medicina chinesa consiste somente em acupuntura, mas vai muito além. É uma forma de pensar, um estilo de vida. Sou encantada por isso tudo.

    Alguns dos cursos que eu fiz:

    • QiGong: técnica chinesa milenar que foca no cultivo de energia vital através de posturas e movimentos. Muitas pessoas conhecem o QiGong como exercícios de meditação em movimento.

    • Terapia do Alimento/Dietoterapia: curso sobre chás, ervas e alimentos de forma geral. A partir dos princípios básicos da medicina chinesa nós aprendemos a ter muito mais consciência daquilo que estamos comendo. No ocidente é muito comum pensarmos que se estamos comendo verduras, legumes, frutas, por exemplo, estamos nos alimentando de forma saudável. A medicina chinesa trás uma perspectiva muito interessante e mais individualizada. Para mim, por exemplo, comer uma lichia é algo muito saudável, mas eu preciso evitar ao máximo comer melancia, e você entende isso a partir de uma análise individual. Isso tudo baseado em um conhecimento milenar, de mais de três mil anos. Posso dizer que para mim foi um aprendizado muito enriquecedor e que mudou meu jeito de viver.

    • Meridianos: este é um conceito básico na medicina chinesa e a partir dele surgiram várias técnicas incríveis que estudei como acupuntura e acupressão, ventosaterapia (cupping), moxa, tuiná (tipo de massagem chinesa que usa os meridianos como base), guasha (tema que está super em alta no Brasil), entre outros.

    Na China existe uma prova de certificação do governo chinês de medicina chinesa (para exemplificar, é como se fosse um conceito parecido com a OAB no Brasil). Eu estudei muito e fiz em julho essa prova de certificação, agora estou aqui ansiosa esperando o resultado.

    Quanto mais eu estudo medicina chinesa, mais encantada eu fico e mais vejo a quantidade de coisas incríveis que eu ainda posso aprender.

    As três instituições a seguir, eu recomendo e elas possuem cursos dos mais variados: desde intensivos que duram um mês até cursos mais completos que podem durar anos. Vou deixar aqui o nome das instituições para pessoas interessadas em seguir o mesmo caminho:

    • Shanghai Qigong Research Institute
    • Shanghai University of Traditional Chinese Medicine
    • Shanghai New Health College

    O que eu mais gosto da medicina chinesa

    O fato dela ser muito aplicável no nosso dia-a-dia é algo fascinante. Tenho muita vontade de compartilhar isso com todo mundo! Nesse momento estou criando um curso de medicina chinesa com esse foco: a prática. A partir de tudo o que estudei até aqui, estou juntando diversas dicas práticas que podem ser aplicadas no dia-a-dia. Fazemos muitas coisas “incorretas” do ponto de vista da medicina chinesa, que nem nos damos conta e muitas vezes achamos que estamos vivendo super saudáveis.

    “Na medicina tradicional chinesa tudo está interligado. A cultura chinesa é cheia de simbolismos e significados, práticas. Quando você chega na China e vai em um restaurante, o garçom traz uma água quente. Quando você vai comer um peixe cru, sempre tem um gengibre ou um wasabi. Muitos chineses quando vão tomar sol, dão preferência para tomar sol nas costas. Se você faz um passeio no parque, é bem provável ver alguns chineses fazendo movimentos curiosos como bater palma, ou apertar algumas partes do corpo. Nada disso é por acaso, tudo tem a ver com a medicina tradicional chinesa. Mas, são elementos que estão tão enraizados na cultura, que muitas vezes nem os próprios chineses sabem que tem a ver com a medicina.”

    Quais as cinco principais dicas para pessoas que procuram acalmar a mente?

    Existem inúmeros estudos mostrando os benefícios da meditação para reduzir ansiedade e estresse, previnir a depressão, melhorar condição do sono, memória, concentração, enfim, de forma geral, aumentar a satisfação na vida.

    1. Tenha expectativas realistas

    O maior problema da meditação que faz as pessoas geralmente não darem continuidade, é a frustração de não conseguir. Isso acontece porque desde pequenos idealizamos que meditar é simplesmente fechar o olho e você já vai chegar em um estado de nirvana, mas isso não é verdade. E, como não atende a expectativa das pessoas, elas acabam desistindo com facilidade. Meditar é muitas vezes deixar as ideias virem e simplesmente não dar muita atenção para elas.

    “Já tive inúmeros insights* incríveis enquanto estava meditando. É como se você tivesse em uma sala toda bagunçada com muita informação e aos poucos vai começando organizar. Aos poucos algumas ideias que estavam perdidas ou escondidas aparecem, até que chega um momento em que a sala já está mais organizada. Em alguns momentos a sala fica super limpa – o que chamamos de estado meditativo – pode ser que seja uma simples fração de segundo, mas isso por sí só já é maravilhoso e uma grande vitória.”

    2. Comece com meditações curtas e guiadas

    Considerando o que comentei acima sobre evitar frustrações durante a meditação, outra dica é começar com meditações curtas e meditações guiadas focadas em iniciantes. Exercícios muito longos podem desestimular quem está iniciando, e as meditações guiadas podem ser muito favoráveis, pois há inúmeras técnicas, práticas e exercícios interessantes que ajudam quem está iniciando a estar mais presente nas práticas e a manter o foco.

    3. Crie uma rotina

    Vivemos em uma sociedade que valoriza muito o lado racional e muitas vezes deixamos o lado intuitivo de lado. Quando vamos fazer uma meditação, normalmente estamos buscando esse processo mais intuitivo, e é nesse momento que precisamos usar nosso lado racional a nosso favor. Assim como temos o horário em que geralmente acordamos, o horário de fazer alguma aula especifica, é importante criamos essa rotina, nem que sejam 10 minutos por dia reservados para a meditação.

    4. Faça durante 21 dias

    Esta dica de praticar a meditação durante 21 dias consecutivos, está relacionada em criar um hábito. Há diversos estudos que mostram que precisamos de 21 dias para criar um hábito. Então se nesses 21 dias fazemos um esforço maior para fazer a prática de meditação, a chance de darmos continuidade à prática é muito mais elevada.

    5. Conhecer mais o próprio corpo

    Nesta próxima dica eu gostaria de reforçar uma outra perspectiva, que é como uma maior consciência corporal também pode impactar nossa mente. E essa dica aqui está muito relacionada com a medicina chinesa. Há alguns alimentos que estimulam a nossa mente, enquanto outros ajudam a acalmá-la. Há alguns exercícios de acupressão que visam nos deixar mais atentos, enquanto outros tendem a nos relaxar. Isso tudo faz parte de um grande processo de auto-conhecimento. Somos seres totalmente integrados, nosso corpo também impacta nas nossas emoções, que impacta a nossa mente e assim por diante.

    Onde as pessoas podem encontrar os meus cursos

    Eu super convido vocês, leitores, para visitarem o meu site, onde há muitas informações sobre os diferentes cursos.

    O curso de meditação, por exemplo, são 21 exercícios para praticar aproximadamente 15 minutos por dia. Cada uma das 21 práticas conta com conteúdos adicionais como dicas, reflexões e estudos sobre o funcionamento da mente, visando tornar a experiência mais completa. Uma vez que o curso é online, é possível fazer as meditações onde e quando quiser. Inclusive, tem uma ferramenta que conta com um aplicativo no celular e pode ter acesso a todo o conteúdo de uma forma bem estruturada. Para sentir um gostinho, no site você pode fazer o cadastro e dar uma conferida em como é a jornada!  www.biaalarsa.com

    O curso de medicina chinesa tem um foco muito na aplicação da medicina chinesa no dia-a-dia. Um dos objetivos é responder às perguntas abaixo, e a partir das respostas buscar maior conciência do nosso corpo em busca de uma vida mais saudável e equilibrada:

    • Quais são os tipos de alimentos bons para as minhas características corporais segundo à medicina chinesa?
    • Eu sou uma pessoa mais Yin ou mais Yang?
    • Quais as principais formas de observar se meu corpo está equilibrado ou não?
    • Como eu posso fazer um auto-diagnóstico do meu corpo através da observação da própria língua?
    • Quais são pontos de acupressão e técnicas da medicina chinesa que posso facilmente aplicar no meu dia-a-dia independente de em qual local do mundo eu estou?

    Também ofereço atendimento individualizado e customizado, envolvendo os mais diversos meandros do ser humano e seus pontos possíveis de evolução. O processo considera o ser como um todo: corpo, mente e alma. E então diversas técnicas corporais, mentais, e técnicas mais sutis são aplicadas. Dessa forma é possível realizar um trabalho utilizando diferentes ferramentas e ensinamentos para ser o mais proveitoso possível. Alguns exemplos: técnicas corporais com práticas de medicina chinesa, técnicas mentais como antroposofia, programação neurolinguística e exercícios práticos de coaching. Além de técnicas mais sutis como exercícios intuitivos, de visualização e contos de ensinamento.”

    Espero vocês por lá!

    Encontre a Bia Alarsa nos links abaixo:

    Site: www.biaalarsa.com
    Instagram: @bia.alarsa_nachina
    YouTube: BiaAlarsa

    * Insight é um substantivo com origem no idioma inglês e que significa compreensão súbita de alguma coisa ou determinada situação.

  • O novo normal – por Lila Rosana

    A palavra “normal” é surpreendentemente moderna. Ela apareceu pela primeira vez no século 19 e o uso dela só decolou após a Segunda Guerra Mundial. Embora as origens da palavra não sejam certas, muito provavelmente deriva de “norma”, que é o latim para um quadrado de carpinteiro – uma ferramenta para garantir um ângulo reto perfeito.

    Esta pandemia desmantelou rápida e violentamente as normas construídas ao longo de décadas; e o nosso “antigo normal” logo tornou-se uma memória. A pandemia desestabilizou quase todas as nossas estruturas sociais, perturbando o ritmo da vida familiar, amizade e formação de relacionamentos, assim como a vida profissional, educação e viagens, alterando também as nossas interações com a comida, esporte e artes.

    Foto de Becca Steinhoff

    É claro que após meses de isolamento, mudanças de comportamento e extremas mudanças de hábitos, há no ar uma sensação de que estamos perdendo a cabeça coletivamente. Percebemos que estamos vivendo uma experiência de um novo tempo, o qual não sabemos como sairemos no final de tudo isso.

    Apesar da pandemia ser mundial, cada país, cada cidade, cada casa e cada pessoa recebe e expressa essa experiência de diferentes maneiras, mas uma coisa é certa: esses meses de isolamento alteraram significativamente nossos cérebros, pois estamos mais estressados, preocupados e ansiosos.

    É importante lembrar que a pandemia também gerou mudanças na vida, tivemos que nos reinventar, sair da zona de conforto, sermos mais proativos. Tomando apenas uma área da nossa vida como exemplo (o campo profissional) tivemos que encontrar novos caminhos; seja para manter nossos empregos ou nossos negócios. Todos fomos afetados, direta ou indiretamente, mas fomos.

    Aqueles que experimentaram a perda de um ente querido durante a pandemia podem perceber que sua dor poderá voltar à tona à medida que a vida volta ao novo normal. O aumento do luto patológico relacionado à pandemia será uma experiência coletiva em nível mundial causando o que chamamos de transtorno do luto prolongado.

    O que as pesquisas falam sobre o isolamento social

    Pesquisas ao redor do mundo, mostram que o estresse oriundo do isolamento, solidão e perda de pessoas queridas, tem um efeito prejudicial em nossa matéria cinzenta. Em um dos experimentos mais recentes ligados ao tema, os ratos que foram isolados durante 30 dias mostraram células nervosas menores em certas partes do cérebro, incluindo o hipocampo, que desempenha um papel importante na aprendizagem e memória. Estudos em roedores mostraram que o isolamento social de longo prazo está associado a anormalidades comportamentais, que se associam muito com uma lista de efeitos da pandemia: concentração e memória prejudicada, depressão, dificuldade em tomar decisões são apenas alguns exemplos dos efeitos causados ao cérebro.

    Capacidade de adaptação

    Depois de quase dois anos de brain fog (névoa mental), pensamos se algum dia recuperaremos o que perdemos. Bem, não podemos deixar de considerar que, o que há de bonito em nós como espécie, é que somos altamente adaptáveis ​​e inovadores.

    A nossa facilidade de adaptação é uma boa notícia no meio dessa pandemia, pois as mudanças não vão desaparecer com um estalar de dedos. Recuperar a energia e o senso de normalidade leva tempo. Haverá o que chamamos de choque cultural reverso, o que significa nos readaptarmos ao que antes era nosso cotidiano.

    Processo de readaptação

    Para ajudar no processo de readaptação, será importante fazermos um balanço dos nossos hábitos que nos ajudaram a superar a pandemia e definir quais deles você gostaria de manter ou deixar de lado. Lembrando que estaremos imigrando de um ano de pijamas no sofá para dançar de salto em uma boate até as três da manhã, por exemplo.

    Embora nossas mentes possam imaginar uma vida pós-COVID emocionante de festas, viagens e conversas cara a cara, nossos corpos podem precisar de tempo para recuperar o atraso. Devido a isso é importante não ter pressa em se reintegrar e correr o risco de se estressar ainda mais. Mudanças e adaptações exigem tempo!

    Um exercício importante!

    Para muitos, retornar à vida após COVID-19 vai ser algo mais tranquilo e natural, para outros poderá envolver ansiedade e medo. Para que o seu retorno à vida pós pandemia seja o mais tranquilo possível, será importante incorporar uma prática diária de auto verificação consciente; e para isso você precisará estar em um espaço tranquilo, onde não seja perturbado ou distraído. Você pode fazer esta prática deitado ou sentado. Se estiver sentado, procure uma postura que seja equilibrada e ereta (mas não rígida). Feche os olhos, se você se sentir confortável fazendo isso, mas também poderá apenas abaixar e suavizar o seu olhar. Esse tempo será reservado para sentir a si mesmo e perceber como você está, como estão seus sentimentos e pensamentos e sensações físicas.

    “Em meio às demandas diárias é raro que as pessoas (consciente e deliberadamente) reservem alguns minutos para apenas perceber e sentir como estão. A maioria de nós está mais inclinado a fazer isso por um amigo próximo, seus filhos ou seu parceiro. Dirigir essa generosidade a você mesmo poderá lhe garantir momentos de tranquilidade. Com este pequeno gesto você estará exercitando uma mudança e resistindo à tendência de apenas seguir em frente. É importante reservar tempo e espaço para cuidar de si mesmo.”

    Durante esse exercício, preste atenção ao seu momento e traga toda a sua atenção para as experiências de seu corpo, sua mente e quaisquer pensamentos ou emoções que você possa perceber. Não há necessidade de julgar, analisar ou avaliar sua experiência. O foco aqui é simplesmente estar totalmente consigo mesmo, no momento presente e deixar tudo acontecer. Se surgir uma tendência para julgar ou descobrir coisas, simplesmente observe e reconheça isso, então volte suavemente à consciência de como você está se sentindo. Continue direcionando sua atenção para as experiências de seu corpo, mente e emoções por cerca de três minutos. Reconheça a si mesmo. Conforme sua prática chega ao fim, mais uma vez reconheça sua vontade de perceber a si mesmo e estar presente no aqui agora, sabendo que, desta forma, você está contribuindo para sua integridade e bem-estar.

    Preparar mente e corpo para o retorno ao “novo normal” é fundamental para a readaptação ao novo estilo de vida que estamos prestes a vivenciar.

    Depoimentos de vivências durante a pandemia mundo afora

    Becca Steinhoff, China

    “No começo da pandemia, aqui na China, ficamos apavorados, não sabíamos o que estava acontecendo nos primeiros dias. Na televisão e na internet as notícias eram as piores possíveis. O desespero bateu, ficar trancada dentro de casa por dias era algo assustador, mas os dias foram passando e nós conseguimos nos acalmar e entender melhor a situação. Ficar dentro de casa era o mais certo a se fazer no momento e mesmo que quiséssemos sair não podíamos, era proibido. Então tentamos passar o máximo de tranquilidade possível para nossas filhas. Compramos muitos jogos pela internet (enquanto ainda entregavam compras pelo correios) e com isso conseguimos ocupar nosso tempo, nossa mente e distrair as meninas.

    Eu sempre fui uma pessoa que saia de casa para bater perna todos os dias. Acordava, mandava as crianças para a escola e saia para desbravar minha cidade, era algo que eu realmente gostava demais de fazer, mas com a pandemia essa vontade passou. Hoje sinto uma preguiça absurda em sair de casa, me sinto muito desanimada a andar pelas ruas sozinha, passo dias fechada em casa, por outro lado eu me dediquei mais a aprender a cozinhar, quando o desânimo bate eu vou pra cozinha. Sair de casa todos os dias é algo que não tenho mais vontade. Passei a gostar de ficar dentro de casa.

    Quando penso no que será após a pandemia, sinceramente não vejo mais nossa vida como antes, esse novo normal apesar de cansativo muitas vezes, é necessário. Já virou parte da rotina sair de casa com máscaras, álcool gel, apresentar código de saúde e medir temperatura ao entrar em algum lugar.

    A pandemia me fez pensar muito mais no que realmente vale a pena, tanto em me relacionar com as pessoas, como em ter ou querer algo. Me fez achar normal a solidão, me fez achar normal ficar trancada tantos dias em casa. Ao mesmo tempo que ela me afetou nesse sentido, me fez abrir os olhos, ou me fez pensar muito mais em coisas e situações que não sou obrigada a passar, que antes eu fazia para agradar as pessoas e para não perder o momento e a companhia delas. Posso dizer que a pandemia me fez crescer de certa forma.”

    Patrícia Karagulian, Inglaterra

    “Meu nome é Patrícia Karagulian, sou advogada, casada, tenho dois filhos e moramos na Inglaterra. Para mim esse tempo pandêmico não foi ruim em relação a vida familiar, pois podemos estar mais unidos, pudemos brincar mais com as crianças, estivemos fazendo juntos pequenas coisas que antes eram mais difíceis de realizar. Acho que entre tudo que fizemos, o que mais nos distanciou dos problemas emocionais foram as atividades da igreja e os trabalhos manuais. Já não poder ir à escola foi muito difícil, pois estar entre amigos é muito importante. Além disso não poder viajar e rever a família no Brasil e nem os receber aqui, é um grande peso.”

    Nane Regulle, Portugal

    “Sou a Nane Regulle, moro em Portugal. Para mim, uma das coisas que mais me “acalentou” diante dessa pandemia, foi observar que alguns sentimentos como insegurança, medo, impotência foram expostos pelos quatro cantos do mundo. No começo sentia que pouco podíamos falar sobre eles sem sermos julgados, mas hoje isso se inverteu e falamos sobre esses sentimentos para nos fortalecermos, compartilhando e trocando experiências e aprendizados. Hoje me sinto mais segura diante desse novo estilo de vida que adotamos: Eu procuro preservar ao máximo o espaço do outro cobrando o mesmo para o meu próprio espaço, mas confesso que não foi nem fácil, nem tranquila essa adaptação; mas entendo que deve ser um dia de cada vez.”

    Tainá Oliveira, França.

    “Em março de 2020, o Ministério da Saúde, decreta a primeira morte por coronavírus no Brasil, aqui na França o mundo parou e começou nosso primeiro confinamento. Liguei para minha família no Brasil e compartilhei a realidade daqui, minha irmã falou que seria um complô da mídia contra o governo mas um mês depois ela mudou de opinião.

    No meu ponto de vista a pandemia chegou tão rápido no ocidente, quase que como num piscar de olhos, era algo novo e de uma magnitude jamais imaginada nessa nossa geração. Quando o primeiro confinamento chegou eu estava saindo de uma crise de depressão e sem trabalho, então ficar em casa não me incomodou tanto, o que me incomodou foi a privação de não poder ir e vir aonde eu quisesse na hora que eu precisasse. Pra acalmar essa frustração comecei a passear por 1 hora num raio de 3km, o que era permitido. Era uma maneira de eu dizer à mim mesma << isso ninguém me tira >>. A ansiedade me ensinou a meditar, a ouvir música para dormir a noite, caminhar, assistir séries e filmes. Os cachorros da minha prima ficaram confinados comigo e eu comecei a querer (mais do que nunca) um cachorro.

    Eu evoluí muito como pessoa durante a pandemia: recebi alta da terapia; consegui um trabalho na minha área e adotei um cachorro. Atualmente a expressão “estar alinhada com a vida” faz para mim, muito sentido.”

    Claudia Bömmels, China

    Patricia Oliveira, Portugal

    “Me chamo Patricia Oliveira, moro em Lisboa, Portugal. Essa pandemia conseguiu fazer com que eu mudasse bastante. O tempo em confinamento foi dedicado a mim mesma; fiz cursos, conheci amigos pela internet, troquei experiências. Minhas mudanças pessoais, geraram mudanças em toda a dinâmica da minha casa. Percebi que quando eu estou bem, minha família fica bem também. Esse foi o paradoxo que aconteceu comigo no meio de tanta tristeza.”

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    Lila Rosana é psicóloga clínica graduada no Brasil. Atualmente mora e trabalha no Canadá, onde atua como counselor. É também sócia proprietária da Scrap in Love, loja online de produtos de arte e scrapbooking. A Scrap in Love tem matriz no Canadá e filial em Sorocaba, Brasil. Nas horas vagas pratica seus hobbies favoritos: scrapbooking, pintura e fotografia.

    Para conhecer um pouco mais sobre acesse os links a seguir:

  • A brasileira Gabrielle Li fala sobre a maternidade na China

    Gabrielle Li tem 26 anos, nasceu em Recife e foi criada na cidade de São Paulo. Ela mora na China há cinco anos, é casada com o chinês Li Zeyu e tem um filho chamado Luan. Gabrielle é dançarina profissional e modelo fotográfica. Na China ela trabalhava com dança nas temporadas de verão em um parque temático na cidade de Shenzhen, no sudeste da China. Hoje ela continua seus trabalhos como modelo, live streamer* e criadora de conteúdo tentando conciliar a maternidade e a vida profissional. A seguir ela nos fala em uma entrevista sobre ser mãe estrangeira na China.

    Quais os desafios da maternidade na China?

    Sendo bem sincera até agora não tive nenhum desafio em maternar no país com a maior população mundial! Mas acredito que terei um grande desafio futuramente por questões culturais. Acho que o fato de eu não falar com o Luan em mandarim seja algo que cause estranheza para ele no futuro e para os demais, porque mesmo que ele venha a ser alfabetizado em mandarim eu pretendo falar com ele apenas em português, para que ele cresça tendo o idioma como segunda língua. Outro ponto que pode causar estranheza é a liberdade que queremos que ele tenha em escolher o que quer para o seu futuro. Que ele possa ser livre para escolher o que estudar, onde estudar, sem pressão para casar e ter filhos. Mesmo sendo algo mais do tempo antigo, ainda se faz presente em algumas regiões e famílias com pais mais conservadores. Existem alguns aspectos como este na cultura chinesa que não são do meu agrado. Eu não julgo, mas não é cabível na minha maternidade.

    A gravidez é um momento importante na vida de uma mulher, mas não é fácil quando a família não está por perto. Conte um pouco sobre sua experiência.

    Sempre fui muito determinada e livre, fui criada assim! Um reflexo da minha mãe que foi sempre do mundo também. Aos 19 anos fui morar na Itália, desde então comecei a viver um dos meus maiores sonhos, que era viver da dança enquanto conhecia o mundo. Consequentemente passei muitos momentos “sozinha”, inclusive os momentos mais especiais da minha vida como meu casamento e a gestação. Mas mesmo sendo difícil, foram situações em que me senti preparada. A minha família se resumi à minha mãe Laura, que infelizmente faleceu este ano e meu irmão. Ambos nunca puderam viajar por longas distâncias. O relacionamento com minha mãe era muito estreito e ela pôde acompanhar um pouco meu trabalho de parto através de uma chamada de vídeo. Infelizmente aqui na China, em hospital público, não é permitido gravar o parto.

    Quais os direitos das mulheres grávidas na China?

    Eu sempre ouvi que não existem benefícios ou filas preferências em locais públicos, por exemplo. Pelo menos não aqui na cidade de Chengde, onde eu moro, mas perguntei para minha amiga chinesa para me assegurar de que o que eu sabia era certo. E de fato não existem benefícios! Todos os exames, remédios e parto são autofinanciados! Para as mamães que tem seguro social (tipo nosso plano de saúde) uma parte dos gastos são ressarcidos! Mas não vejo isso como um benefício.

    Quantos filhos podem ter os estrangeiros e os chineses?

    Recentemente o governo chinês permitiu que um casal pode ter até três filhos, devido à queda da taxa de natalidade nos últimos anos. Mas diferente de casais chineses essa regra não se aplica para nós que somos um casal interracial. Nós não temos um limite permitido pelo governo, podemos ter quantos filhos nós quisermos! O que nos deixou bem felizes, pois queremos ter pelo menos uns três ou quatro! Queremos transformar nossa “pequena família”, como eu costumo chamar, em uma grande família.

    Existe diferença entre a China e o Brasil durante o acompanhamento pré-natal e no parto?

    O acompanhamento é bem diferente. Não sei se é assim na China toda, afinal as coisas aqui costumam diferir de província para província. Mas na minha cidade eles começam a fazer o pré-natal para valer só a partir do terceiro mês de gestação, que é geralmente quando os riscos de abortos espontâneos caem consideravelmente. Aqui na China é proibido saber o sexo antes do nascimento, então para evitar que isso aconteça além de não ser permitido acompanhantes nas consultas, não há monitor para que a mamãe possa ver a ultrassom. Uma vez ou outra o médico(a) mostra algo, mas vai da boa vontade dele(a). Todas essas questões que estou relatando são em hospitais públicos. Em hospitais particulares ou internacionais essas regras não se aplicam. Como o pré-natal começa a valer mesmo só após o terceiro mês, aquele acompanhamento mensal e exames importantes do início da gestação, que são feitos no primeiro trimestre no Brasil, aqui não acontecem. O exame morfológico, por exemplo, que deve ser feito a cada trimestre, aqui é feito uma única vez, sendo realizado no segundo trimestre. Um fato interessante: na China, cesarianas não são feitas somente em casos de emergência ou necessidade. A futura mamãe pode sempre escolher qual tipo de parto prefere e assim agendar. No parto, assim como nas consultas, não é permitido acompanhantes, nem filmagens. Esse é um momento tão único e especial na vida dos pais e essa lei acaba os privando de vivenciar isso juntos. Eu tive muita sorte! Quando eu fui para o hospital, os médicos de plantão não falavam inglês e eu também fingi não entender nada de mandarim. Assim foi necessário meu esposo estar presente em todos os momentos para fazer a tradução. Então ele acompanhou o nascimento do Luan bem de pertinho. Sou muito grata por isso.

    Como funcionam as leis de licença-maternidade na China?

    Na minha província, em trabalhos comuns e registrados, as mães têm 158 dias de licença-maternidade mantendo metade do salário ativo. Após voltar ao trabalho elas têm direito a duas horas por dia para amamentação por um período de 158 dias até o primeiro ano de vida do bebê. As mães que conheço usam essas duas horas para fazer a retirada do leite e levar para casa. Agora em trabalhos em que não há registro acaba sendo um acordo do empregado com o empregador.

    Conte um pouco sobre o tema amamentação na China.

    As informações sobre amamentação aqui são bem escassas! Durante todo meu pré-natal a amamentação nunca foi abordada e era o que mais me assustava na maternidade! Com a falta de informação presencial, eu busquei por uma consultoria online e foi realmente essencial pra mim. Então quando o Luanzinho nasceu eu já estava preparada e sabia exatamente o que fazer e fui muito elogiada por isso. A amamentação aqui parece ainda ser um grande tabu. Nesses cinco anos de China, eu nunca vi uma mãe chinesa amamentando em público. De certa forma as mulheres chinesas são reservadas, talvez o ato de amamentar em público as deixe constrangidas e com receio dos olhares das pessoas em volta. Enquanto o Luan estava mamando exclusivamente no peito, eu o amamentava em público sem nenhum problema. Ser estrangeira aqui já chama atenção, imaginem uma estrangeira fazendo algo bem fora do comum! As mulheres mais velhas sempre foram as que mais olhavam desacreditadas. Mas como eu já estou acostumada, principalmente por morar em um interior com pouquíssimos estrangeiros, até se eu estivesse fazendo algo comum, chamaria atenção.

    Escreve-se que apenas um em cada cinco bebês são amamentados na China. É verdade?

    Eu não tenho certeza desses números, mas também não duvido! Tendo em vista a minha experiência no período de gestação, quando a amamentação não foi abordada nenhuma vez durante as consultas de pré-natal. Outro fator que me faz acreditar é que nos itens solicitados pela maternidade a fórmula infantil já está inclusa! Parece louco né? Mas é verdade! Quando o Luan nasceu e fomos para o quarto a médica nos perguntou sobre a fórmula para dar para o bebê e nós dissemos que não compramos, pois eu ia amamentar. Elas acharam super estranho e até questionaram o meu marido. Mas ele apenas respondeu que eu queria assim. Elas me achavam louca com certeza.

    A maternidade pode ser interpretada de forma diferente dependendo da cultura. Como você definiria a maternidade chinesa?

    A maternidade na China é cheia de regras! Desde a gestação a mulher é “proibida” de fazer uma série de coisas, como, por exemplo beber água gelada, lavar os cabelos com frequência, usar maquiagens entre outros. É mais por um aspecto de superstição, que vai sendo levado de geração em geração. E fica ainda pior depois que o bebê nasce, pois, segundo a cultura, não é recomendado lavar os cabelos durante os primeiros quinze dias e nem tomar banho e escovar os dentes nos primeiros três dias, coisas que podem desencadear problemas nas articulações e até mesmo problemas cerebrais. Para os mais velhos o corpo da mulher está muito sensível e vulnerável nesse momento. Nada disso é comprovado cientificamente, mas é algo ainda muito presente na cultura chinesa e é muito seguido pelas mães chinesas. Mas é algo que para elas é normal e está tudo bem. Assim como é normal também as avós paternas cuidarem dos bebês quando são recém-nascidos ou quando já estão maiores e os pais precisam voltar para a rotina de trabalho. Eu acho estranho, pois priva a mãe de muitos momentos especiais como o primeiro banho em casa, que acaba sendo realizado pela avó, por exemplo. As avós são muito preocupadas, chega até ser exagerado. Muitas se pudessem amamentar penso que o fariam. Só deixando claro que estou falando conforme a minha vivência nas cidades que morei na China. Obviamente existem exceções. Gosto de ressaltar essas coisas porque tudo que gira em torno da maternidade é muito singular.

    Por que as chinesas não querem engravidar apesar do fim da política de um filho?

    Porque é caro!!! Ter filho é caro em qualquer lugar do mundo, mas na China é MUITO caro! Agora o governo permite ter até três filhos, como já comentei anteriormente, mas a maioria dos casais quer apenas um, porque o custo de se ter um filho aqui é muito alto, principalmente com educação. Nós estamos falando sobre a maior população mundial, logo tudo aqui é muito concorrido, então os pais investem pesado na educação para que seus filhos venham ter os melhores empregos e melhores condições financeiras futuramente. E quando digo investir em educação, não é só na escola não! As crianças chinesas fazem muitas atividades extras durante toda semana. Então após as aulas existem aulas de idiomas, danças, instrumentos e esportes. Inclusive nos finais de semana. Fora que a mensalidade escolar é muito alta. Então acredito que esse é o maior fator dos casais chineses não quererem ter um segundo filho. A maioria das minhas amigas chinesas já são casadas e com filhos na faixa etária de três anos e não pensam em ter mais filhos. Sempre que eu digo que estou planejando ter mais bebê no ano que vem, elas me acham louca.

    Existe uma rede de apoio para facilitar a volta da mulher ao trabalho?

    A rede de apoio mais comum na China são os avós paternos. Como as mulheres quando casam passam a “pertencer” à família do marido, geralmente os cuidados com o bebê ficam por parte dos avós paternos. Mesmo não sendo uma regra, na grande maioria é assim que funciona. Aqui não é muito comum creche para bebês, então geralmente os avós cuidam até que a criança já tenha a idade de ir para a escolinha, com cerca de dois anos. Isso é muito estranho para mim, é como se eu tivesse um filho e desse para outra pessoa criar. As amigas da minha sogra não entendem porque ela não cuida do Luan! Algumas mães deixam os filhos na casa da avó e trabalham a semana toda e só vêem a criança nos finais de semana. Às vezes elas não têm escolha, mas meu coração dói só de pensar em ficar longe da minha cria. Mas mais uma vez eu digo, cultura assim como religião é algo que não se discute.

    Qual sua opinião sobre a prática do bilinguismo em casa?

    Falar mais de um idioma é um benefício e tanto para vida de qualquer pessoa. E quando o bebê tem pais de nacionalidades diferentes ele é muito privilegiado, digamos assim. Aqui em casa temos três idiomas presentes diariamente. O português, o inglês e o mandarim. Nós queremos introduzir inicialmente dois idiomas para o Luan, então eu só falo com ele em português e o pai só fala com ele mandarim. O inglês será algo que ele irá aprender por nos ver falando, mas não é algo que vamos parar para ensinar de imediato. A alfabetização dele será em mandarim, mas o ensinarei o português em casa como segunda língua. A criança tem uma absorção de aprendizado muito mais rápida do que um adulto. Então antes mesmo dele nascer eu e meu esposo já havíamos falado sobre isso e desde a barriga falávamos com ele em idiomas diferentes e assim seguimos.

    Nos conte como é a sua rotina após a maternidade.

    Minha rotina é bem incerta por causa dos meus trabalhos. Eu trabalho atualmente como criadora de conteúdo, live streamer e modelo. Então minha rotina com o Luan sempre vai depender do que eu tenho para fazer naquele dia. Nos dias mais tranquilos eu acordo as 6:00 da manhã, que é o horário que ele costuma acordar, amamento e deixo ele com meu esposo e vou fazer a minha primeira live. A live tem duração de uma hora, então quando termino vou tomar meu café da manhã e começar as atividades com o Luan até a hora da primeira soneca, que geralmente dura em torno de duas horas. Nesse tempo eu dou uma olhada na agenda e se não tenho conteúdo para gravar eu tento já adiantar as coisas do próximo dia. E quando ele acorda voltamos para as atividades ou o levo para passear.

    Agora em dias corridos, fazemos toda essa rotina da manhã e na primeira soneca eu gravo os conteúdos para as marcas e mando para edição, se preciso fazer gravações externas nós esperamos o Luan acordar e vamos gravar! O mesmo acontece quando tenho ensaio fotográfico para fazer, levo ele para o estúdio e meu esposo me acompanha. A rotina dele é mais flexível que a minha, então em dias de fotos ele vai comigo e fica com o Luan lá. Nos intervalos para troca de roupa e maquiagem, eu aproveito para amamentar. O Luan já toma a fórmula infantil, mas ele é muito grudado comigo e como meu trabalho me permite ficar com ele o tempo todo não vejo problemas em levá-lo. Uma vez deixei ele em casa com meu esposo e foi uma péssima experiência. Ele não tirou as sonecas porque eu não estava perto, ficou extremamente agitado e muito choroso. Desde então ele sempre vai comigo e funciona super bem. Então você vê que na verdade não tenho rotina. Vida de mãe não é fácil.

    Quais conselhos você daria para grávidas e mães de primeira viagem no exterior?

    Se eu posso dar um conselho é: confie no seu instinto materno. Quando somos mães de primeira viagem temos muitas inseguranças. Mas quando nós paramos e ouvimos nosso instinto, sabemos o que devemos fazer. Você mamãe é exatamente o que seu bebê precisa, assim como seu bebê é o que você precisa. Vocês se completam, então ouça mais seu instinto e menos a opinião do próximo. Esteja onde estiver, o seu instinto sempre será seu melhor amigo. Eu também não acreditava, mas funciona!

    “Confie no seu instinto materno. Você mamãe é exatamente o que seu bebê precisa, assim como seu bebê é o que você precisa. Vocês se completam, então ouça mais seu instinto e menos a opinião do próximo. Esteja onde estiver, o seu instinto sempre será seu melhor amigo. “

    Gabrielle Li

    Acompanhe Gabrielle no Instagram: @gabriellelsouza

    Créditos:

    Fotos gravidez no estúdio e amamentação: STUDIO IRI CHENGDE

    Fotos gravidez no campo: LEAH – CHENGDE

    Fotos praia: Director – Qinhuangdao

    * O que é um live streaming? Live Streaming é a transmissão ao vivo de dados pela internet, em áudio ou em vídeo. Popularizado com o desenvolvimento digital, trata-se de um recurso muito interessante para engajar sua audiência e realizar eventos de todos os tamanhos.

  • Baluchon – Startup ecológica em Xangai

    Nanou Gimonet é uma engenheira ambiental francesa e mãe de dois filhos, vivendo em Xangai, na China, desde 2010. No primeiro Natal de sua filha, ela ficou horrorizada com a quantidade de lixo criada em uma noite e se motivou a mudar os hábitos de sua família. Ela então criou um “papel” de embrulho de pano! Em 2017 a Baluchon foi fundada.

    Baluchon é uma startup ecológica com sede em Xangai, tendo como ponto forte reunir produtos reutilizáveis para o dia-a-dia, com um toque de moda.

    “Normalizamos o uso de tecido como alternativa ao plástico descartável, papel e algodão, com produtos reutilizáveis feitos à mão em Xangai. Baluchon significa pacote em francês, em referência à arte japonesa de embrulhar com tecidos, o furoshiki.”

    Nanou Gimonet

    A missão da Baluchon é inspirar as pessoas a usar produtos sustentáveis em casa e mostrar a elas como pode ser divertido e moderno salvar nosso planeta fazendo pequenas mudanças para reduzir o desperdício!

    Em março de 2021, Nanou se surpreendeu ao ver uma mensagem em sua conta do Instagram, de Bruna Linares, uma brasileira residente em Shanghai, mostrando seu interesse pela marca e se oferecendo para ajudar. Bruna começou imediatamente a trabalhar na Baluchon, para agilizar as operações da empresa, bem como trabalhar no desempenho financeiro e relatórios de dados. Nanou acredita que tudo acontece por um motivo e ter Bruna no caminho da Baluchon não é exceção.

    Bruna Linares é natural de Curitiba/PR, formada em Engenharia de Produção, com especialização em Engenharia da Qualidade e Gestão Ambiental e Sustentável. Ela mora há cinco anos na China. A seguir ela fala sobre seu trabalho e consciência ecológica no dia-a-dia.

    Bruna o que te motivou a trabalhar na Baluchon?

    Levar uma vida mais sustentável e com menos desperdício é essencial para a saúde e sobrevivência do nosso planeta. Ter a oportunidade de trabalhar em uma empresa que acredita nisso, conhecer e conviver com a comunidade, que pensa e desenvolve produtos e serviços para uma vida mais sustentável, é fantástico. Poder fazer a diferença, mesmo que com pequenos atos, é a forma que tenho de contribuir para o nosso planeta e estar na Baluchon é um passo para isso.

    Fale sobre a consciência ecológica dos chineses de modo geral:

    A sustentabilidade está chegando como uma tempestade na China. Primeiramente através dos regulamentos que mudam e são aplicados rapidamente, depois por incentivos, que serão dados para que as pessoas descartem o lixo adequadamente, além de um número crescente de pessoas realmente preocupadas em fazer mudanças. Na minha opinião será mais rápido ser sustentável aqui na China do que na Europa, por exemplo.

    Como é o sistema de reciclagem em Xangai?

    A reciclagem em Xangai não é uma moda nova. Isso tem sido feito há anos. O plástico, por exemplo, é comercializado por pequenos vendedores locais, para ser reciclado. Em 2019, do dia para a noite, todas as famílias em Xangai foram solicitadas a separar seus resíduos. E todo mundo fez. Este é o poder da China. Porém, ainda há necessidade de se desenvolver uma infraestrutura de reciclagem mais efetiva. Irá demorar alguns anos até que a China, o maior produtor mundial de resíduos plásticos, seja o líder mundial em reciclagem. Mas não há dúvidas de que esse objetivo será alcançado.

    Mesmo com a separação do lixo, o triste é que, em todo o mundo, apenas 8-10% do plástico reciclável é realmente reciclado. O resto acaba em aterros sanitários e na natureza (rios e oceanos). Por isso vejo a redução do uso de plástico como o passo mais importante e eficaz.

    Dicas para qualquer pessoa diminuir o lixo e viver de forma mais ecologicamente correta:

    Todos são parte do problema e têm a responsabilidade de agir em sua própria escala. Pequenas mudanças no dia-a-dia prático podem fazer a diferença:

    • Substituir o uso de embalagem plástica por embalagem/sacola reutilizável.
    • Substituir o copo/ canudo/ utensílios / garrafa de uso único por reutilizáveis.
    • Realizar o descarte correto do lixo.
    • Uso consciente da água e energia.
    • Compra consciente de roupas e sapatos.
    Bruna Linares e Nanou Gimonet com sua filha durante um evento em Xangai.

    A linha de produtos da empresa é diversa:

    • Food Wraps: são alternativas laváveis e reutilizáveis para substituir o filme plástico de sua cozinha. Um tecido de algodão revestido com cera de abelha, reutilizável por meses. Mais seguro que o plástico e também zero desperdício.
    • Furoshiki Gift Wrap:  é uma simples e linda alternativa de embrulho em tecido. Reduza, reutilize e impressione!
    • Panda Pads: são pads de tecido de bambu desenvolvidos para remoção da maquiagem para substituir os pads de algodão descartáveis. Eles podem ser colocados na máquina de lavar e podem ser reutilizados por anos.
    • Produce Bags: saquinhos para suas compras de frutas, vegetais, pães, cereais, grãos a granel e muito mais. É muito simples, basta usa-los ao invés das sacolas plásticas descartáveis. São feitos de algodão natural e muito leves.
    • Bento Bags: saquinhos feitos de algodão natural. É um produto para mil e uma utilidades, você pode usar para embrulhar seu almoço, carregar sua maquiagem, guardar brinquedos ou qualquer outra coisa.
    • Avoska Bags: são bolsas de rede de algodão extensíveis e são sacolas de compras perfeitas. Você ficará surpreso com o quanto elas podem carregar.

    “Na Baluchon, acreditamos em pequenas mudanças na vida cotidiana, que causam um impacto significativo a longo prazo.”

    Nanou Gimonet

    We are hiring! Se você estiver interessado em participar da aventura, envie um e-mail para baluchon.shanghai@gmail.com

    Informações sobre os produtos da Baluchon nas redes sociais:

    WeChat OA|Baluchon

    Insta|Baluchon.shanghai

    FB|Baluchonshanghai

  • Cenas China Afora – Fotografia

    Só vindo morar aqui do outro lado do mundo, que eu consegui entender alguns aspectos da cultura chinesa, que me causavam estranhamento. O primeiro é a pressa dos chineses em vivênciar o máximo no curto tempo dado de férias, principalmente quando visitam a Europa. Algo como “Europa completa em 10 dias!”. Chineses, de modo geral, não têm muitos dias de folga no ano, então quando conseguem viajar, querem aproveitar os passeios em tempo recorde.

    Outro ponto é sua sede por fotografar absolutamente tudo. É interessante ver o estranhamento deles quando eu fotografo cenas, que para mim são talvez absurdas, lindas ou apenas diferentes, e que para os próprios chineses não se passa de algo normal. Em Pequim, me pararam na rua para perguntar o que eu estava fotografando ali, e o que tinha de tão interessante assim naqueles mini carros. Veja você mesmo, eu achei eles uma gracinha e dignos de serem clicados.

    Assim entendo hoje, que para eles muito do “nosso mundo” é tão diferente, que não há outra alternativa do que fotografar. Essa é uma curta introdução sobre a nossa nova coluna “Cenas China Afora“, onde eu vou compartilhar com vocês o que vejo no dia-a-dia chinês. Vamos lá!

    Cenas China Afora

  • Casamento chinês com charme brasileiro

    A brasileira Marcella Atuatti, do Rio Grande do Sul, encontrou seu grande amor na China há seis anos. No início conversavam somente por tradutor, mas hoje eles se comunicam em mandarim e inglês. Ela e Hongjie Ji casaram-se em julho deste ano e moram em Nantong, nas redondezas de Xangai. A seguir ela nos fala sobre as tradições envolvendo um casamento chinês da atualidade e como foi seu casamento na igreja.

    Meu casamento chinês

    As tradições em torno de um casamento chinês são muitas. Começando pela data do evento. A família e os noivos consultam um “guru” para escolher o dia ideal conforme a astrologia. Nos dias que antecedem o casamento, a família do noivo faz uma homenagem para os céus e a terra e aos ancestrais pela continuação da família, fazendo uma oferenda com comida e fogos de artifícios para os Deuses. Na sua grande maioria os chineses não são cristãos. Então os casamentos geralmente acontecem em salões de hotéis. É raro se encontrar igrejas aqui na China.

    Um dia muito especial para Marcella e Hongjie Ji.

    Antigamente quem escolhia a futura esposa ou futuro marido eram os pais, examinando a classe social dos pretendentes, assim como nível escolar. Hoje em dia, os pais têm cada vez menos influência nas escolhas dos filhos, mas o hábito de verificar o nível social do noivo e da noiva permanece. Essas tradições estão muito enraizadas na cultura chinesa e ainda hoje a maioria das pessoas se casa buscando principalmente uma estabilidade econômica.

    Cerca de dois dias antes do casamentos os parentes, que moram longe, chegam para o evento e então os pequenos festejos entre as famílias se iniciam, como ir à restaurantes e trocar presentes.

    Um capítulo a parte: a decoração do casamento

    A simbologia na cultura chinesa é muito forte e assim toda a decoração do casamento deve ser vermelha e dourada. Vermelho é a cor mais importante na China, representando a riqueza, amor e novos começos. O branco, ao contrário do Brasil e de muitos outros lugares mundo afora, é usado apenas em funerais. Este carácter da felicidade 囍 (duplo) está presente em todos os lugares da festa, inclusive na colcha da cama de núpcias, que também é bordada com o dragão e a fênix para afastar os maus espíritos.

    A cerimônia oriental

    O casamento é sempre de manhã, porque acredita-se que os casais começam a vida juntos quando os ponteiros sobem ao invés da noite, quando os ponteiros descem. De manhã o noivo vai até a casa da noiva pedir sua mão em casamento. Detalhe importante: ele chega até lá com uma carreata de seis a oito veículos pretos, decorados e acompanhado de números pares de amigos. Após sua chegada o noivo entrega o buquê para a noiva, faz o pedido e entrega joias de ouro puro. Esse presente são os pais do noivo que compram, como uma forma de dar as boas-vindas à noiva.

    Depois todos vão para a casa do noivo tomar chá e comer doces típicos. A noiva é recebida com fogos de artifício. A tradição diz, que a partir desse dia a noiva irá pertencer à família do noivo e não à de nascimento. A partir de então ela terá que chamar os sogros de pai e mãe.

    Depois do almoço geralmente há um jantar para completar as comemorações do dia. Acredita-se, que todos esses rituais trarão sorte e felicidade para o casal.

    Meu casamento chinês estilo ocidental

    Confesso que eu estava muito apreensiva em casar na igreja, pois a família do meu noivo nunca havia nem mesmo entrado em uma. Dias antes da cerimônia, minha sogra questionava, por exemplo, porque eu tinha comprado um véu branco e meu marido não queria se ajoelhar na igreja, com receio da reação dos parentes. Mas no final deu tudo certo e todos amaram a cerimônia, justamente por ter sido muito diferente de tudo que conheciam.

    O noivo é quem recebe os convidados da festa no hotel e entrega uma lembrança contendo sempre doces em números pares para trazerem sorte e uma caixa de cigarros. Antigamente fumar cigarro representava riqueza e esse costume permanece até hoje. Um apresentador conduz o evento e é importante que ele seja animado. Os presentes são sempre os famosos envelopes vermelhos com dinheiro dentro. O valor varia de 800 a 1000 yuans. Quando um dos amigos casar, você deverá dar de presente o mesmo valor em dinheiro também.

    Em jantares de casamentos de tamanho médio são sempre servidos vários tipos de pratos, entre 15 e 30 variedades. Não podem faltar as bebidas, entre elas o baijiu, uma cachaça feita à base de arroz. Importante citar que o bolo sempre deve ser cortado de baixo para cima simbolizando crescimento. Além disso os noivos devem ir de mesa em mesa brindar com os convidados. No dia seguinte os noivos são presenteados novamente com envelopes vermelhos e em troca eles entregam vinho e frutas aos familiares. Frutas são sempre um presente muito bem-vindo na China. Todos da família almoçam e jantam juntos. Após quatro dias de festa, as comemorações enfim cessam.

    “A vida nos mostra que a sua verdade nem sempre é a verdade do outro. E vice-versa. Muitas vezes é difícil, pois todos temos nossas próprias crenças, culturas e tradições. Mas eu acredito, que com amor e paciência, as diferenças são superáveis. Nós dois somos prova disso”

    Marcella Atuatti
  • Maravilha arquitetônica: Palácio Usnisa na China

    Na China não é raro referir-se à construções diversas como “maravilhas arquitetônicas” A zona cultural Niushou Mountain, em Nanjing, é um lugar gigantesco, acomodando o sensacional Palácio Usnisa e o Palácio Relicário Tibetano de Tianque que fica a 60 metros embaixo do solo. É impressionante! E sem dúvida merece o adjetivo sensacional!

    Como um importante projeto cultural da cidade de Nanjing, o objetivo da zona turística de Niushoushan é, segundo o site oficial do lugar, “criar um novo legado da cultura budista mundial e reproduzir a nova paisagem da arte arquitetônica contemporânea”. Niushoushan significa em uma tradução livre “cabeça de gado” e se chama assim por causa do formato dos dois picos em seu lado leste e oeste entre as vistas das montanhas.

    O espaço exterior é dividido em três partes: a grande cúpula, a pequena cúpula e o penhasco de Buda.
    No interior encontra-se o Buda deitado, feito de aço inoxidável imitando mármore branco.

    O palácio das relíquias tibetanas também é chamado de camada do tesouro de Buda. Consiste em três salões e um corredor. Este não é apenas um lugar sagrado para as mais altas relíquias ósseas do Buda, mas também um lugar para os crentes o adorarem e meditarem. Também é considerado um espaço de exposição cultural.

    Um lugar impressionante!
    Mais de mil estátuas de Buda expostas.
    O interior tem nove andares, três acima do solo e seis abaixo do solo.
    Tour virtual e tickets: www.niushoushan.net
    © Todas as fotos são de autoria de Claudia Boemmels. Quer compartilhar? Não esqueça dos créditos @claudia.boemmels Obrigada!
  • Temporada na China

    Às vezes, me pego pensando sobre o quão surreal é vivermos na China. Alguém me perguntou se já nos sentimos em casa ou se temos a sensação de “eternas férias”, que é o que as postagens nas redes sugerem. A verdade é que, para nós, é como se uma janela tivesse se aberto em 2019, nos transportando da vida na Alemanha para o outro lado do mundo, a China. E, em exatos nove meses, estaremos pulando de volta para nossa “vida real” de antes.

    Terão sido três anos de aventuras, aprendizados e crescimento pessoal. Uma lição, em especial, levo comigo: nada sabemos sobre a China até morarmos aqui. E ainda assim, de nada sabemos. Após dois anos vivendo aqui, ainda é difícil assimilar a cultura, a língua e realmente mergulhar na China real.

    Huangshan – Yellow Mountain, China

    Nesse meio tempo, caminho pelo país de olhos abertos, admirando as incríveis belezas desse lugar de cultura milenar, tentando capturar momentos únicos com minha câmera. É o meu jeito de documentar a vida aqui, para que eu nunca esqueça que janelas se abrem, assim como se fecham, encerrando ciclosamente), e que é preciso ter coragem para abraçar as oportunidades que a vida nos oferece. As experiências de cada estrangeiro que mora aqui diferem-se fundamentalmente. Vejo isso quando conto suas histórias no meu projeto Brasileiros Mundo Afora ou nas conversas do dia-a-dia. Cada um vivencia “sua China”.

    Descobrir e contar histórias de outras pessoas sempre foram uma das minhas grandes paixões. A minha própria jornada, prefiro expressar através da fotografia. Assim, levo vocês comigo nessa aventura surreal, retratando o que vejo de interessante e apresentando a vocês a minha China, enquanto a nossa temporada aqui não termina. Obrigada por me acompanhar por tanto tempo! ❤️

  • Datong city e redondezas – China

    Datong é um lugar tão incrível, não poderia deixar de mostrar para vocês!

    Datong e seus encantos!

    Localizada a 250 quilômetros de Pequim, Datong é um excelente ponto de partida para vários passeios interessantes. Entre eles as Grutas de Yúngāng (云冈 石窟 Yúngāng Shíkū) e o Monastério Suspenso (悬空寺 Xuánkōngsì). Além disso vale a pena conhecer a muralha da cidade antiga de Datong, templos e torres, todos restaurados de forma impressionante. A original Parede de Nove Dragões é magnífica!

    De longe, a maior atração das redondezas de Datong, são as Grutas de Yúngāng, de 1.500 anos, um Patrimônio Mundial da UNESCO. Essas cavernas possuem cerca de 50 mil estátuas budistas. As entradas para as cavernas cinco e seis são feitas com estruturas de templos de madeira, para proteger o seu interior. No passado as paredes das cavernas nessas entradas foram danificadas por pichações durante a revolução cultural, embora a maior parte do local esteja bem preservada.

    O Monastério Suspenso (悬空寺 Xuánkōngsì), localizado a 65 quilômetros de Datong, é de impressionante arquitetura. Instalado em uma falésia, este monastério é um dos pontos turísticos mais notáveis ​​da China: um complexo de 40 quartos ligados por passarelas no ar. Parece estar cravado na lateral da falésia, mas na verdade é sustentado por palafitas, razão de ser considerado uma maravilha arquitetônica. Construído no ano de 491, no local há um sala com representação de três religiões com Buda, Confúcio e Laozi, o fundador do Taoísmo. O Monastério Suspenso foi renovado várias vezes, mais recentemente em 1900 e grande parte da estrutura atual data das dinastias Ming e Qing.

    A muralha da cidade antiga de Datong tem seis quilômetros e meio de extensão e foi reformada recentemente, assim como quase toda a cidade antiga em um projeto milionário ainda em andamento. No início do século 21, iniciou-se a reconstrução para devolver o centro histórico de Datong. Ainda há muitas obras e o governo espera que Datong se torne um forte ponto turístico no futuro.

    Projeto milionário de reconstrução da Datong antiga.

    Após a queda da Dinastia Ming, a cidade de Datong foi queimada e destruída. O palácio acima na foto é uma reconstrução do prédio original destruído durante o colapso social no final da Dinastia Ming em 1644, quando a rebelião camponesa alcançou Datong. Através das imagens da nossa drone, dá para se ter uma ideia da dimensão do projeto de reconstrução.

    Datong vista de cima.

    Em frente ao palácio fica a Parede de Nove Dragões. Ela é a maior parede e a mais antiga ainda preservada na China. É um tipo de parede com relevos de nove dragões chineses diferentes, que são normalmente encontradas em palácios e jardins imperiais da China. Essas paredes foram projetadas para proteger os palácios de espíritos malignos e energia negativa. Durante os vários conflitos que atingiram Datong, a Parede de Nove Dragões foi desmontada e enterrada, somente assim sobreviveu quase que intacta a tantos conflitos que ocorreram na cidade. É realmente uma obra sensacional e cheia de significados.

    A Parede de Nove Dragões vista de cima. Feita de 426 tijolos vitrificados, a parede tem 8 metros de altura, 45,5 metros de comprimento e 2 metros de espessura.

    “Fotografar um lugar desses é um privilégio!” C.B.

    Já está nos acompanhando no Instagram?

    @brasileirosmundoafora

    @claudia.boemmels

  • Evelyn Marques ao vivo e a cores – China


    Evelyn Barboza Marques tem 32 anos e é natural de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Ela é produtora de conteúdo, live streamer e estrategista de marketing, morando na China com o marido Marcio desde 2015. A seguir Evelyn fala sobre seu trabalho no país e dá dicas para quem quer seguir o mesmo caminho. Confira!

    Evelyn e sue cachorro Muffin ilustrando a nova edição da Brasileiros Mundo Afora

    “Sempre fui apaixonada por moda e comunicação. Aos 22 anos me formei em negócios da moda e por muitos anos trabalhei como visual merchandising* no Brasil. Quando mudei para China sabia que o desafio de me recolocar no mercado de trabalho seria grande, teria que me reinventar. E foi o que aconteceu.

    Em três meses aprendi inglês sozinha, porque vi a necessidade de dominar o idioma, caso eu quisesse estar mais presente no mercado da moda. Comecei a me envolver nos eventos da cidade onde eu morava, Changsha na província de Hunan. Aos poucos fui ficando conhecida e passei a ser convidada para diversos eventos, dentre eles um workshop de moda e estilo, do qual fui palestrante. Hoje moro na cidade de Changzhou.

    Confesso que não sou uma pessoa muito interativa e essa foi (e tem sido) a parte mais desafiadora da minha carreira. A China oferece infinitas oportunidades, mas é necessario estarmos abertos à elas. Comunicação, interação e networking são essenciais! Foram esses os fatores decisivos para minha carreira mudar totalmente de rumo, quando em 2018 comecei a trabalhar com mídias digitais. Atualmente, além das minhas redes sociais pessoais, também tenho conteúdo compartilhado no @aliexpressb e Tmall .

    A China é um país de bilhões de habitantes, mas na área que eu atuo todo mundo conhece todo mundo, logo se meu trabalho está sendo bem feito, novas oportunidades continuarão surgindo. A presença digital é levada muito a sério por aqui. “Quem não é visto não é lembrado!”, algo que funciona ao pé da letra na China. Você deve marcar presença!

    Rotina de trabalho

    Em dias típicos eu costumo iniciar meu dia as 7:45 da manhã, minhas lives (apresentações ao vivo) no Aliexpress acontecem todos os dias de segunda a sexta-feira no mesmo horário. Quando finalizo a live, que tem duração de uma hora, normalmente escolho tirar um tempo livre para mim, para descansar e refrescar minha mente. Atualmente trabalho em quatro diferentes empregos e preciso sempre manter a minha mente apurada e criativa. Incorporar pausas na rotina de trabalho é muito importante. A tarde trabalho no meu escritório em casa, meu home office, e fico por lá no mínimo até às 19:00 horas, não vejo a hora passar!

    Minha agenda de trabalho é feita a cada início de semana, pois não consigo me planejar com muita antecendência. A dinâmica de trabalho aqui na China é extremamente acelerada e imprevisível, exigindo flexibilidade e paciência.

    Em dias comuns costumo separar meus afazeres para não ficar sobrecarregada, sempre respeitando meu humor e direcionamento criativo do dia. Dois dias da semana são voltados para criação de conteúdo, fotos e vídeos. Outros dois são focados nos trabalhos mais teóricos como fazer planilhas, análises de performance, treinamentos e reuniões. E finalmente um dia da semana eu deixo livre, aberto para possíveis imprevistos.

    Quando preciso viajar a rotina muda completamente. Se é uma viagem a trabalho meu celular é meu melhor amigo e consigo resolver praticamente tudo através dele. Se a viagem é por diversão, uma folga, eu aviso meus colegas, com os quais trabalho diretamente, que estarei disponível somente em caso de urgência. É extremante importante que eu mantenha essa linha, separando o mundo profissional do pessoal, caso contrário as mensagens de trabalho não cessam e isso é muito exaustivo.

    Os famosos recebidos

    Os recebidos acontecem com muita frequência, porém nem sempre ficam conosco. Algumas vezes após fazermos a resenha do produto, temos que envia-lo de volta. E claro que nem sempre gostamos dos produtos recebidos, mas, no meu caso, eu costumo focar nos pontos positivos de cada item, quando preciso fazer um vídeo ou foto para ser publicado.

    Um detalhe importante a ressaltar é que normalmente quando as marcas nos enviam os produtos e estamos sendo pagos para divulga-los, o “recebido” já vem com alguns pré-requisitos e antes de criarmos o conteúdo precisamos mandar o script para aprovação dos clientes. É bem trabalhoso.

    Trabalho com a Aliexpress e Tmall

    Meu trabalho com o Aliexpress surgiu em março do ano passado na época que meu marido estava iniciando um tratamento contra o câncer. Costumo dizer que o Aliexpress ajudou muito a manter minha mente sã durante os seis meses de tratamento que o Marcio enfrentou.

    Eu criei um laço muito forte com a empresa, afinal o Aliexpress foi o responsável pelo início da minha empreitada no mercado digital. Durante esse um ano e meio vi a minha carreira evoluir e seguir um rumo que eu nem imaginava que existisse.

    Atualmente eu tenho duas funções no Aliexpress Brasil. Sou live streamer e responsável por dar início ao projeto de lives para o mercado brasileiro e hoje apresento lives diariamente. Também atuo como estrategista de marketing. Trabalho com o time que lidera o projeto de lives para o Brasil, analiso performances, mercado e crio estratégias de marketing e conteúdo. Posso afirmar que o ritmo de trabalho é pesado, mas ter a oportunidade de trabalhar com essa gigante do e-commerce não tem preço!

    Para o Tmall trabalho como criadora de conteúdo e sou lider de um time de onze pessoas que fazem live streaming .

    Dicas para quem quer começar a mesma carreira

    É engraçado pensar que há dez anos eu tinha certeza de que seguiria minha carreira como visual merchandising no mundo do varejo. Porém a vida realmente é feita de surpresas! E no meio do caminho mudei o rumo e além de encontrar uma nova carreira, encontrei também uma nova Evelyn, reinventada e cheia de novos sonhos.

    É importante ter em mente, que nenhum caminho é simples, as coisas não acontecem da noite para o dia. O salário que eu ganho hoje definitivamente não é nada parecido com o que eu ganhava lá no início, em 2018. Mas o essencial é estarmos disponíveis para as oportunidades que aparecem!

    “Eu costumo dizer que todos os dias devemos fazer algo que nos aproxime dos nossos sonhos e objetivos, mesmo que você dedique apenas 15 minutos do seu dia para isso. O importante é manter a constância, ser flexível, mas nunca desistir.”

    Evelyn Marques

    Trabalhar com mídias digitais é um trabalho super dinâmico, é imprescindível se manter sempre atualizado e ter uma forte presença nas plataformas, onde você se sente mais a vontade e confiante. Leia, leia muito! Esse meio é sedento por informação, trabalhar com comunicação não é só sobre se comunicar, é sobre saber como se comunicar e também ser fonte de informação e sabedoria. Você precisa inspirar pessoas! Como fazer isso? Encontrando o que te motiva. Você não precisa falar sobre tudo que acontece no mundo, você só precisa ser especialista no tópico que você for escolher para falar. Como ser especialista? Tendo paixão pelo assunto abordado. Eu amo o que eu faço e acho que esse é o maior segredo do meu sucesso. “

    #DOWHATMOVESYOU

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    * O que faz um profissional de visual merchandising? Realiza a montagem de vitrine, interpretação e montagem de decoração para a vitrine, prepara produções de moda para exposição, adequação de iluminação para melhor exposição de produtos, realiza a elaboração de posicionamento de mobiliário e todo o suporte às lojas em suas necessidades de Visual Merchandising.