

Do lado de cá – Obrigada Alemanha!
Quando contei para as pessoas no Brasil que mudaria para a Alemanha, elas reagiram como eu já imaginava: umas apoiaram minha decisão, outras disseram que eu era louca por deixar carreira, família, amigos e ainda ter que aprender uma língua tão difícil como o alemão. Uma das manifestações, porém, me surpreendeu. Me disse uma colega de profissão:
Eu já tinha lido sobre as transformações no país, sua força econômica e alta qualidade de vida, mas ainda não conhecia sua forte política de inclusão. Um ano depois daquela conversa, posso dizer com convicção que minha amiga jornalista estava equivocada. Do lado de cá encontra-se estrageiros do mundo todo, turcos em sua grande maioria. Há também os refugiados de guerra ou crises econômicas, esses necessitados de apoio do governo. Eles recebem ajuda de custos para integrarem-se, aprenderem a língua e conseguirem um trabalho.Vanessa Bueno é jornalista e expatriada. Mora na Alemanha há um ano e escreve sobre a vida Do lado de cá, ou seja, de fora do Brasil. A ideia é gerar debates sobre as diversas situações que permeiam a vida de brasileiros mundo afora. Falaremos por aqui, por exemplo, de trabalho no exterior, dificuldades com a língua, diferenças à mesa, criação dos filhos, e tudo o mais que surgir, sempre com a participação especial de nossos leitores.
Saudades da pátria foi o tema de estreia. Leia mais aqui: Do lado de cá – Saudades


Este ano, o tour mais longo foi de 57 km. Eu pedalei o Mauerweg – Caminho do Muro – passando por Hennigsdof, Tegel e Spandau. O Mauerweg, como o nome já diz, segue o caminho do Muro de Berlim, contornando completamente a ex-Berlim ocidental. Ele está totalmente desenvolvido e é excelente para pedalar! O longo caminho de 160 quilômetros atravessa florestas verdes e o centro de Berlim.O legal é que é possível levar a sua bicicleta nos transportes públicos como trens e metrôs, mas você vai precisar de um ticket próprio para biciletas, que pode ser comprado em todas as estações. Importante: é proibído transportar bicicletas em ônibus.
O princípio básico desse sistema é sempre o mesmo em diversas cidades: encontrar uma bicicleta livre, desbloquear através do celular e seguir pedalando.
Berlim através das lentes de Ralf Bömmels

Há 15 anos, três mulheres uniram-se em prol de um objetivo em comum: apoiar as migrantes de língua portuguesa no seu processo de integração na sociedade alemã. Assim nasceu, em Frankfurt, a Imbradiva e.V – Iniciativa de mulheres brasileiras. De lá para cá, a organização não governamental se expandiu e hoje presta serviços como aconselhamento jurídico e psicológico, apoio a presidiárias, encontros de beleza e degustação da culinária brasileira, seminários e workshops, além de creche para os filhos das migrantes.
A presidente da entidade, Joselene Drux, explica que as colaboradoras são todas voluntárias e atuam como intermediárias, ou seja, encaminhando quem as procura aos profissionais especializados. A demanda gira em torno de três a quatro solicitações por semana, com épocas de aumento.
Segundo ela, os casos que chegam incluem questões como reconhecimento de diploma, depressão, dificuldade de integração, divórcio, violência doméstica, entre outros. Joselene diz que já chegou a ir na casa de uma mulher que ligou em busca de ajuda, mas garante que isso é exceção. Em casos como esses, a Imbradiva e.V procura garantir que as agredidas sejam acolhidas em abrigos para mulheres e encaminha os processos legais pertinentes.
Colaboração
Além de prestar aconselhamento, as voluntários realizam visitas a detentas brasileiras do presídio em Preugesheim (JVA), em Frankfurt, semanalmente, ajudando no contato e envio de informações às famílias no Brasil e, em alguns casos, no retorno ao país. Também providenciam revistas, livros, roupas de inverno e o que mais for necessário. Entre as causas mais comuns de prisão, conforme o relato da presidente, está o transporte de drogas. “São meninas pobres, com uma vida difícil no Brasil, que acham que conseguirão ter um futuro melhor realizando esse trabalho de mulas, transportando drogas para os traficantes”, diz.
Para dar conta da demanda de trabalho, as Imbradivinas, como se autodenominam, realizam encontros mensais. Nas reuniões, dividem as tarefas, definem os projetos e o orçamento da entidade. “Cada uma colabora como pode”, explica Joselene, acrescentando que a maioria realiza as atividades da Imbradiva após seu expediente de trabalho.
Os recursos de aporte aos projetos são gerados através de contribuições espontâneas de pessoas físicas e jurídicas, da anuidade das cerca de 60 sócias e da participação da instituição em feiras e eventos com venda de quitutes brasileiros. Aliás, foi em um desses eventos que Joselene entrou em contato com a ONG pela primeira vez. “Conheci o trabalho da Imbradiva durante uma festa brasiliera e logo me apresentei para as meninas. Fico muito feliz quando percebo que conseguimos ajudar as pessoas a resolverem suas questões e seguirem felizes. É o meu combustível para continuar”, registra.
Projetos infantis
Desde 2003, a Imbradiva expandiu suas atividades aos filhos das associadas com a criação do Pirlimpimpim. Trata-se de um grupo recreativo infantil, onde os pequenos são estimulados a se comunicarem em português. Por meio de atividades como contação de histórias, festas típicas e brincadeiras, as crianças entram em contato com a língua e a cultura brasileira. Com condução e supervisão de profissionais da área de educação, os encontros ocorrem uma vez por semana, em Frankfurt, e são direcionados a crianças de até seis anos.
Como extensão do trabalho iniciado com o Pirlimpimpim, a organização fundou, em 2009, o Kita Curumim – creche internacional. A creche oferece dois grupos de atividades: português-alemão e inglês-alemão e pode receber até 22 crianças entre 10 meses e três anos. O Kita Curumim conta com o apoio do estado de Hessen, que paga parte das despesas. O restante dos custos é coberto pela mensalidade dos pais.
Encontros
Sempre no segundo domingo de cada mês a organização também oferece a suas associadas e à comunidade em geral o BIA – Beleza integração e autoestima. Durante os encontros, é possível degustar pratos típicos brasileiros, além de fazer as unhas e cortar os cabelos com profissionais do Brasil.
“Aprenda a língua e não desista. Morar na Alemanha pode ser bom.”
Joselene Drux é natural de Olinda, em Pernambuco, e está na Alemanha há 32 anos. Há 22 trabalha na Bolsa de Valores da Alemanha, integrando a Imbradiva desde 2005.

O clique imperdível de Michel Zylberberg. Terceira Idade na Swiss Harley Days 2013!
Quer ler mais sobre Michel? É só clicar aqui: Rodando pelo mundo com Michel Zylberberg

A Patagônia é uma região que abrange a parte mais meridional da América do Sul. Localiza-se entre a Argentina e o Chile, integrando a seção mais ao sul da cordilheira dos Andes. Lá encontra-se a maior quantidade de geleiras fora das zonas polares e isso ocorre em virtude do clima frio, com temperatura média de -10 graus. A região destaca-se pelas paisagens belíssimas e variadas, como desertos frios e secos, florestas e bosques de pinheiro, vales e rios, montanhas e principalmente gelo, os glaciares.
Leonardo Nunes de Azevedo tem 35 anos, é graduado em direito e mora no Rio de Janeiro, lugar que ele descreve como “a cidade mais gostosa de se viver.” Além dos seus dois grandes amores – ele é casado com Clarisa e pai de Martín, um bebê de cinco meses – ele se interessa pelo Budismo e é apaixonado por viagens, esportes, pela natureza, fotografia e pedalar por montanhas.
Em entrevista à Brasileiros mundo afora, Leonardo fala sobre a grande aventura que foi pedalar sozinho pela Patagônia e revela seus medos, desafios e conqusitas.
![]() |
| Patagônia |
![]() |
| Brasileiro pedalando na Patagônia |
![]() |
| Linda Patagônia |
![]() |
| Brasileiro pedalando pela Patagônia |
![]() |
| Leonardo pedalando Patagônia afora |

E por falar em brasileiros conectados com a pátria, descobrimos a iniciativa de um grupo de brasileiras em Frankfurt, que fundou, há 15 anos, a Imbradiva. Uma instituição sem fins lucrativos que apoia as brasileiras em seu processo de integração na Alemanha. Um trabalho admirável, que se estende aos filhos dessas mulheres. A organização mantém uma creche internacional, onde as crianças podem ter contato com a cultura brasileira e aprender o português.
A criação dos filhos também permeia o bate papo online que tive com os blogueiros de viagem Daniel Duclos e Michel Zylberberg, sobre paternidade no exterior. Daniel é pai em tempo integral, na Holanda, e Michel procura balancear a vida profissional com a familiar, na Suíça.
Esta edição apresenta ainda histórias de brasileiros viajantes e corajosos. Pessoas que fizeram as malas e partiram para a aventura. Encararam culturas diferentes, enfrentaram seus medos e testaram seus limites pessoais. Ana Biselli e Rodrigo Junqueira viajam, neste momento, há mais de mil dias pelas Américas. Patricia Takehana e Leonardo Nunes de Azevedo exploraram, cada qual ao seu modo, a belíssima região da Patagônia. Anelise Cornely saiu da sua zona de conforto em busca do sonho de viver no exterior. Tendo a Índia como destino, lá morou e trabalhou por três anos.
Você também tem sede de mundo? Sonha em fazer uma viagem extravagante? Dar a volta ao mundo de barco, ou fazer um tour por seu estado de bicicleta? A viagem dos seus sonhos é visitar um lugar simples e deserto? Gostaria de morar do outro lado do mundo? Ou ainda não sabe qual é o destino dos seus sonhos? Convido-o a viajar conosco nesta edição, que estará online até no final da semana. Quem sabe você se inspira e também sai viajando mundo afora? Se isso acontecer, lembre de nos contar!
Boa viagem!

Oi Brasileiros mundo afora!
Quando cheguei na Suíça eu tive a certeza de que iria precisar de uma bicicleta. Não que o transporte público por aqui não seja bom (#alô20centavos). Muito pelo contrário, o transporte na Suíça é impecável. Na verdade, eu precisava de uma bike, porque é impossível você não ter vontade de sair pedalando por aí! Asfalto lisinho, ciclovias por todos os lados, sinalização adequada para ciclistas e, claro, paisagens de cair o queixo.
Como o verão aqui passa super rápido, arrastei logo o maridão em um sábado de manhã para Alemanha. Essa bicicleta vem hoje ou não me chamo Christiane, falei pra ele.
Por que Alemanha? Não… eu não fui tão longe assim. As terrinhas germânicas estão a exatos 3km de casa. E não, as bicicletas alemãs não são melhores que as suíças. Foi simplesmente uma questão de preço. Como tudo na Suíça, as magrelas também são bem caras por aqui.
Depois de rodar algumas lojas, encontramos uma lojinha pequena. De um simpático senhorzinho que não falava inglês. Sente o drama. Mas eu insisti. Apesar do problema de comunicação, eu “sentia” que minha nova bicicleta estava por alí. Foi quando olhei pra ela e ela olhou pra mim (acho que isso é uma música). Posso jurar que a pequena lanterninha da frente piscou nesse instante! (risos)
Foi amor à primeira vista. Conheçam minha nova amiga, Valdirene. Por que Valdirene?
Valdirene é a personagem da Tatá Werneck na novela das 8. Ela é simplesinha, é podrinha, mas é tão engraçadinha!
O marido até agora não conseguiu acertar o nome. Já chamou a coitada de Claudirene, Valdira… acho isso falta de respeito. Bom, o fato é que Valdirene entrou para família e no mesmo dia já demos um longo passeio aqui por Basel. Até cruzamos a fronteira com a Alemanha. Afinal, ela também precisa visitar os parentes de vez em quando, não é mesmo?
Bejos
Chris

Aprendi a andar de bicicleta aos seis anos, mas foi somente aos 32 que ganhei minha primeira bicicleta. Quando morava no Brasil nunca tive vontade de ter uma bike, primeiro porque na minha cidade (Manaus) não existem ciclovias e segundo pela falta de segurança. Quando mudei para a Finlândia fiquei impressionada quando vi idosos, crianças e adultos usando a bike como meio de transporte, para ir ao supermercado, escola, levar as crianças menores para a creche. No início do ano comecei a mudar alguns hábitos: mudei minha dieta alimentar e passei a praticar esportes. Foi então que a ideia de ter uma bike nasceu e meu pai tornou a ideia real, me dando de presente a minha primeira bike.
Posso dizer que a bicicleta veio para ficar na minha vida! Preciso pensar como vou fazer quando o inverno chegar e pedalar for impossível (risos).
Daí o jeito vai ser encarar uma aula de spinning na academia e esperar o próximo verão!
Mais sobre Sandra Kautto, você pode ler na Edição especial sobre Amor Internacional, clicando aqui: Amor Internacional – Brasil & Finlândia