• De cleaner à empresária na Austrália – Marcia Ciarini
     

    Profissão expatriadas

    Quinze mulheres, que moram nos quatro cantos do mundo, falam sobre suas trajetórias profissionais e dão dicas para quem está se mudando agora para o exterior. Hoje a nossa viagem nos leva à Austrália. 
    Marcia Ciarini tem 34 anos e mora no exterior há quase seis. No Brasil ela era administradora de comércio exterior. Em Sydney, na Austrália, tem uma empresa de limpeza. 

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    Eu me mudei do Brasil afim de buscar crescimento pessoal e profissional. Adquiri muito conhecimento na parte pessoal e mudei completamente minha atuação profissional. Continuo sendo administradora, mas em um ramo bem diferente do qual eu atuava no Brasil.

    Ingressar no mercado de trabalho aqui na Austrália não foi fácil, pois o país é bem diferente do Brasil. Além disso, eu não conhecia muitas pessoas e não era fluente no inglês. Foi como renascer aos 28 anos. É preciso ter a mente aberta e muita força de vontade. Fiz muitos contatos e, ao invés de preencher meu currículo, passei a ser um “currículo ambulante”. Em cada conversa entre os colegas de escola e amigos de amigos, me apresentava apontando todas as minhas qualidades, inclusive aquelas que eu nunca pensei em falar, como: minhas roupas são organizadas, não gosto de sujeira, sei lavar pratos, sou educada e assim por diante. Dessa forma surgiu o primeiro emprego de cleaner*, acompanhado de outro emprego de garçonete, para trabalhar em eventos.

    Cleaner não é uma profissão que eu escolhi, na verdade. Eu comecei a trabalhar nela devido a necessidade de ganhar dinheiro para me sustentar. Posteriormente a escolha foi minha de continuar e crescer na nova profissão. Hoje tenho uma empresa que presta serviços de limpeza em geral. Eu gosto muito do meu trabalho. Gosto de ver a reação das pessoas quando o trabalho é bem feito. Gosto também de ajudar quem, assim como eu, precisa de uma primeira oportunidade  no início da nova jornada em um outro país.

    Eu não tenho uma rotina de trabalho fixa. Sempre tem algo diferente para se fazer, um problema para resolver, um cliente para visitar. Mas, basicamente, existe um plano  mensal que as cleaners seguem. Nele consta quais são os clientes do dia, horários e tempo de serviço, afinal tempo é dinheiro! Também trabalham para mim outras pessoas com um cliente fixo, como escolas, por exemplo. Na maior parte do tempo, eu organizo os clientes e as cleaners. Mas se preciso colocar “a mão na massa” eu vou, sem problemas! 

    Que conselho você daria para quem está se mudando para o exterior?
    Informe-se antes de se mudar para um novo país e utilize essa ferramenta maravilhosa chamada Facebook. Eu já respondi várias dúvidas de estudantes e acredito que assim muitas pessoas param para pensar e pesquisar melhor, antes de tomar uma atitude de que possam se arrepender mais tarde.

    Não viaje pensando que tudo será diferente, lindo e que você vai resolver todos seus problemas. Se você ama sua profissão e quer continuar a desenvolvê-la em outro país, faça contatos antes de sair do Brasil. 

    Meu conselho? Abra os olhos para novas oportunidades. Eu acredito que a Austrália é um país onde há muito o que fazer. Mas o que você fizer, que seja bem feito, pois de gente que faz por fazer todo lugar está cheio.
     

     

    Facebook: Marcia Ciarini

  • Tati Borges-Schindler – Beleza brasileira atrás da câmera fotográfica na Alemanha
    A carioca Tatiane Borges Schindler tem 27 anos e vive há quarto na Alemanha, país para o qual se mudou por amor. Dessa união nasceu Sophie, um dos seus motivos preferidos para fotografar. Tatiane estudou enfermagem no Brasil, mas não deu continuidade à profissão, por não conseguir lidar com a perda. Na Alemanha, encara uma rotina puxada, exercendo vários papéis: ela é mãe, trabalha durante meio turno em um laboratório e nos finais de semana é fotógrafa, profissão pela qual se apaixonou. Para conciliar a vida profissional com a familiar, conta com a ajuda indispensável do seu marido.
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    Meu nome é Tatiane, tenho 27 anos, nasci no Rio de janeiro, sou casada e vivo há quatro anos na Alemanha. Eu me casei com um alemão e dessa união nasceu a nossa filha Sophie, minha inspiração para fotografar!
    No Brasil estudei enfermagem, mas não dei continuidade à profissao, por não conseguir lidar com a perda. Talvez por estar longe das minhas raízes, tenho uma sensibilidade maior em certas situações.
    Como sempre gostei de fotografia, vi que ela poderia talvez ser um caminho profissional novo. Acho fascinante como é possivel eternizar momentos tão especias que muitas vezes a nossa memória não consegue mais recordar. Foi aqui na Alemanha, que eu me apaixonei de vez pela fotografia. Um hobby que foi se intensificando até virar uma profissão.
    Desde que cheguei aqui, senti o desejo de ter algo próprio e como muitos brasileiros que vivem aqui sabem, ter um negócio própio é muito burocrático e caro. Através dos incentivos de amigos, família e simpatizantes do meu estilo de fotografar, acreditei em mim mesma e esses obstáculos burocráticos passaram a ser um detalhe. Meu marido e melhor amigo me ajudou e ajuda muito na realização desse sonho.
    Eu sou autodidata, ou seja, estudo sozinha, através de livros e material disponível na internet. A fotografia tem me ajudado muito, não somente em relação à parte financeira, mas também me ajuda a enfrentar a barreira do idioma (o qual tenho muita dificuldade em falar). Tem me mostrado um lado meu mais ousado e revelado minha determinação em conquistar aquilo que desejo. Deus também tem uma grande importância na minha vida e graças a Ele sinto-me bem acompanhada sempre.

    De modo geral posso dizer que não é fácil equilibrar família e trabalho, mas quando trabalhamos naquilo que gostamos e cuidamos das pessoas que amamos, no final tudo é prazeroso. Tati Borges-Schindler

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    Fotografar crianças é maravilhoso, divertido e encantador. Mas também é um exercício de paciência. É preciso, principalmente, respeitar o tempo da criança para se obter bons resultados e para que a sessão fotográfica não se torne um evento estressante. Algumas fotos de Tati Borges-Schindler foram publicadas na matéria “Fotografando Pimpolhos” da edição 04 da Brasileiros Mundo Afora. Para acessar, basta clicar na fotografia abaixo.


    http://issuu.com/claudiamullerboemmels/docs/brasileirosmundoafora04/24


    Mais sobre o trabalho de Tati aqui: www.tatiborges-schindlerfotografia.com 

     

  • Ser mãe e trabalhar fora – um desafio para quem vive no exterior
    Queridos leitores, amigos e brasileiros mundo afora!
    Muitos de vocês me acompanharam na busca de um emprego. Também vibraram juntamente comigo, quando eu consegui voltar ao mercado de trabalho em setembro do ano passado. Obrigada a todos!
     
    Alguns de vocês me perguntaram como está sendo voltar a trabalhar, cuidar das crianças e balancear tudo isso. Aqui conto um pouquinho sobre…
     
    Ser mãe e trabalhar fora significa ser esportista, equilibrista, bailarina. Significa exercer muitos papeis. Eu sou tudo isso e muito mais, igual a muitas outras mães mundo afora.  
    Hoje em dia, saber conciliar de forma habilidosa a vida familiar e profissional não é nada espetacular. Mas muitas de nós, inclusive eu, vivemos eternamente o dilema de não sermos mães o suficientemente presentes ou não sermos profissionais suficientemente competentes. É como eu lí no texto da jornalista Tania Menai Nunca mais teremos o tempo necessário para dar aquela última revisada ‘supimpa’ naquele texto que vai mudar a sua vida; e também não vai rolar aquele passeio gostoso com o neném, porque o entrevistado da década só pode falar com você naquela hora. Ah, a culpa.
    Ser mãe e ter um emprego significa também não poder estar presente em todos os momentos alegres e tristes dos filhos. Não poder secar as lágrimas naquele momento ou rir juntos de uma piada qualquer. Ser mãe e ter um emprego exige muito de nós, mas, como tudo nessa vida, também isso é só uma questão de adaptação.
    Muitas mulheres expatriadas conseguem a façanha de equilibrar bem a vida familiar e a profissional por terem ajuda. Ajuda dos maridos, dos sogros, dos novos vizinhos e dos novos amigos. Nunca foi tão importante ter e ser um time, como quando se mora no exterior com a família. Comigo não é diferente. Nesses cinco anos que moro aqui, fiz uma rede de relacionamentos sólida, com pessoas que posso contar de verdade na hora do aperto. Como consegui? Fazendo favores sempre que eu pude e sempre que posso. Quando tenho tempo ajudo sempre: tomo conta de outros filhos, levo para passear, para a terapia e ao médico se for preciso. Ajudo aquela mãe solteira ficando com o filho durante a noite para que ela possa encontrar o novo namorado e assim por diante. Eu acredito muito no princípio de que “você colhe o que planta.”
    Com a  maternidade, sou mãe de um menino de sete anos e de uma menina de quarto, aprendi a priorizar as coisas e a aceitar que para tudo existe o tempo certo. Também para voltar ao mercado trabalho. Assim curti demais os meus filhos nos últimos cinco anos que moro aqui na Alemanha, me dedicando à tarefa de mãe e family manager (risos), ocupando minha mente com meus blogs e por fim com a minha revista digital Brasileiros mundo afora.
    Em julho passado fiz 40 anos e, apesar de não ter tido a típica crise dos 40, além de amar ser mãe, senti a necessidade de voltar a trabalhar fora. Fazer parte novamente da classe assalariada, ter um chefe e não ser chefe. Tercoleguinhas da minha idade. Me arrumar melhor para sair de casa, poder gastar um trocado a mais sem ter peso na consciência e sem que pese de verdade na conta bancária
    Assim comecei a procurar um emprego, sabendo que não seria fácil. E não foi e nem está sendo. Aqui em Berlim, a grande dificuldade está na concorrência. Muitos jovens estão dispostos a trabalhar, por preço de banana, em troca de experiência. Depois de procurar alguns meses e de não ter recebido resposta alguma, nem mesmo negativa, consegui um emprego em uma redação online no coração de Berlim. Um trabalho que satisfaz a minha mente, mas não necessariamente o meu bolso. Não se pode ter tudo.
    Para ter certeza de que eu seria contratada, não hesitei em assinar um contrato de período integral, sabendo que seria duro para todos nós. Para mim, que não estou mais a tarde em casa, para as crianças e para o meu marido, que precisa me ajudar um pouco mais. 
    Eu trabalho no momento 41 horas por semana. O caminho para o trabalho de ida e volta dura duas horas e a pausa do almoço é de uma hora. Vamos fazer a conta? Estou fora de casa 11 horas por dia. Não sobra tempo para mais nada. Chegando em casa, geralmente cozinho para as crianças ou já deixo tudo pronto somente para esquentar, lemos, brincamos e os coloco para dormir. Aí não faltaatividades que variam entre roupas sujas implorando para serem lavadas, organizar lanchinhos para o dia seguinte, limpar, arrumar, passar, ler e responder e-mails de leitores e amigos e ficar um tempinho com meu maridoMeu dia começa entre cinco e seis da manhã e termina geralmente à meia-noite. Notei que os cabelos brancos aumentaram juntamente com as olheiras. Ossos do ofício!

    Em fevereiro  vou diminuir a carga horária, porque de todas as minhas funções a que me dá mais prazer é a de ser mãe. Eu não quero olhar para trás com pesar e com o sentimento de que não aproveitei os meus filhos. Eles crescem tão rápido!  

    É isso. Essa é a minha realidade no momento. Vou seguindo e tentando me equilibrar na corda bamba da vida. Buscando dar o melhor de mim. Igual a muitas outras mães mundo afora. 

    Bjs Claudia

     

     

  • O nome disso é mundo – Filipe Teixeira

    Hoje eu quero apresentar para vocês o Filipe Teixeira e seu projeto O nome disso é mundo.

    Filipe Teixeira é cearense, de Fortaleza. Formado em Letras pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), atuou como professor de Literatura e Língua Portuguesa em sua cidade natal. Em 2012, partiu para Medellín, Colômbia, para um intercâmbio profissional em que dava aulas de língua portuguesa para colombianos. Ainda em 2012, mudou-se para Lisboa, Portugal, onde trabalha até hoje como tradutor. Tem contos, poemas e crônicas publicadas em coletâneas de concursos literários. Seu mais recente projeto é o podcast O nome disso é mundo, que reúne histórias de brasileiros que moram ou moraram fora do Brasil.

    Entre eles Ana Teresa Soto, que partiu para uma experiência com o grupo Gente Que Avanza e só voltou para casa depois de cinco anos.
    Ou Débora Medeiros, que em 2011 chegou à capital alemã para cursar o Mestrado e de lá conta sobre essa experiência.

    Se interessou? Basta clicar aqui para ouvir entrevistas muito legais: O nome disso é mundo

    Os Links de Filipe:

  • Advogando  na Alemanha e Brasil
     
    Laís Brandão Machado, 46 anos, nasceu e cresceu em São Paulo. Há 20 anos decidiu passar uma temporada na Alemanha para aprender a língua. De volta ao Brasil, formou-se em Direito na Universidade de São Paulo, fez o exame da OAB e mudou-se definitivamente para as terras germânicas. Advogada nos dois países, mantém escritórios em Darmstadt, Alemanha, e em São Paulo, capital.
    Ingressar no mercado de trabalho alemão foi muito difícil,  pois meu diploma não é reconhecido aqui. O estudo do Direito está ligado às regras de um determinado país, por isso, preicisei ingressar novamente na universidade. Estudei Direito em Frankfurt, depois fiz o primeiro exame de ordem e esperei mais um ano até receber a vaga de estágio obrigatório. Durante este período de espera fiz meu mestrado em Direito de Nacionalidades. Então estagiei cerca de dois anos e meio, para posteriormente fazer o segundo exame de ordem. Ao todo foram nove anos de formação. Atuo desde 1993 no Brasil e desde 2003 na Alemanha. Se quisesse advogar em outro país, não teria meus dois diplomas reconhecidos. Seria preciso estudar novamente.
    Em São Paulo trabalho com minha irmã, que também é advogada e tem seu próprio escritório. Em alguns casos atuamos juntas, em outros atuamos separadamente. Quando é preciso, viajo ao Brasil para atender os clientes de lá. Trabalho com Direito Civil, Empresarial, de Família e Sucessões e Direito do Estrangeiro. Posso dizer que meus clientes estão divididos entre brasileiros e alemães (pessoa física ou jurídica), residentes ou com sede na Alemanha ou no Brasil, e também estrangeiros de diversas nacionalidades residentes na Alemanha. Além disso, presto consulta jurídica na Universidade de Darmstadt e na Escola Superior de Darmstadt aos estudantes alemães e estrangeiros, por isso acabo assumindo causas universitárias também.
    Minha rotina de trabalho é intensa. Trabalho todos os dias de 10 a 12 horas e, muitas vezes, nos finais de semana também. Em termos de remuneração, parece-me que no Brasil um advogado pode ganhar muito mais dinheiro que o advogado alemão para o mesmo serviço, pois no nosso país tudo tornou-se mais caro que na Alemanha.
    Que conselho daria para quem está se mudando agora para o exterior?
    Traga todos os documentos brasileiros com reconhecimento de firma, traduzidos e legalizados no Consulado do país para onde for emigrar. Também as traduções devem ser legalizadas pelo Consulado respectivo. Antes de sair do Brasil, informe-se sobre a profissão no país para onde irá se mudar. Também procure um trabalho já do Brasil, mandando currículos. Além disso, procure aprender a língua do país de destino antes de sair do Brasil, pois sem ela é praticamente impossível trabalhar.

    Laís Brandão Machado fala sobre o tema
    Reconhecimento de diploma na Alemanha

  • Reinventar-se é possível! – por Claudia Bömmels
     
    Reinventar-se é possível!

     

    Reinventar-se é uma expressão muito comum entre expatriados, afinal não existe palavra melhor que explique o que fazemos profissionalmente quando mudamos de país. Poucos conseguem praticar as profissões que exerciam no Brasil, quando chegam ao exterior. A grande maioria reinventa-se, começa do zero, estudando muito e trabalhando dobrado. A falta de informação correta sobre as profissões no novo país, condições financeiras ruins, dificuldades com a língua e a cultura são alguns aspectos que fazem com que muitos de nós acabem desistindo no meio do caminho. Alguns voltam desiludidos para o Brasil, outros contentam-se com profissões e empregos bem abaixo da sua capacidade.
    A edição de dezembro de 2013 da nossa revista, nós dedicamos às histórias de sucesso! Convidamos 15 mulheres fortes, lutadoras e vencedoras para compartilharem suas trajetórias profissionais. São histórias inspiradoras, que mostram que existem muitos caminhos e formas de reinventar-se. Ser feliz com uma nova profissão, ou com a mesma, no exterior, é possível!
    Eu me formei no Brasil em administração de empresas e moro fora do país há 20 anos. Nesse meio tempo me reinventei várias vezes. Começei na Suiça, em 1994, como vendedora de brinquedos, sem praticamente falar nada da língua local. Estudei o alemão até a exaustão e, um ano depois, consegui um estágio em um banco em Zurique, onde permaneci por sete anos. Inquieta, me aventurei depois, durante quase 10 anos, como designer de joias. Tive uma loja e expus o meu trabalho em feiras mundo afora. Me realizei criando colares e pulseiras e aprendi muito sendo autônoma. Foi um tempo ótimo, mas que chegou ao fim quando o meu amor e inspiração pelo trabalho acabaram.
    Reinventar-se de novo! Quem já fez isso, sabe como esse processo é exaustivo. Algumas perguntas precisam ser respondidas:
    ●      O que eu quero fazer?
    ●      Preciso estudar novamente?
    ●      Será que o mercado de trabalho precisa de profissionais nesta área?
    ●      Será que sou velha demais para recomeçar?
    Sinceramente, não tenho respostas prontas para essas perguntas. Muitas vezes no sentimos corajosos, inteligentes e invencíves. Outras, pequenos, incapazes e, talvez, até mesmo velhos. Ser um expatriado bem-sucedido no exterior significa trabalhar muito, também em sí mesmo: aprender a língua, integrar-se na nova cultura, fazer amizades com nativos e acreditar no próprio potencial.
    Há um ano criei a revista digital Brasileiros Mundo Afora com o objetivo de contar histórias interessantes e emocionantes que acontecem todos os dias nos quatro cantos do mundo. Foi por causa dessa atividade que consegui meu atual emprego em Berlim, onde atuo em uma redação online, lado a lado com alemães bem mais novos que eu e aqui estudados. Para mim, uma vitória pessoal!
    As entrevistadas da nossa edição de dezembro – Profissão expatriadas – contam, de forma sincera, sobre as suas trajetórias profissionais. Sem esconder as dificuldades, mostram que, com força de vontade e criatividade, é possível adaptar-se a novas situações. Suas experiências como expatriadas são prova de que ser bem-sucedido e feliz profissionalmente no exterior é uma realidade.
    Beijos

    Claudia

     

  • Brasil & Turquia: Juliane & Nida

    Meu nome e Juliane Rosas, tenho 33 anos, sou formada em jornalismo e nasci em Santos, São Paulo.

    Como eu vim para na Turquia…
    Tudo começou  quando eu procurava músicas no youtube e achei uma banda que gostei muito da melodia. Claro que não entendi nada da música, então eu resolvi procurar saber mais sobre a banda, que era turca. Tentei encontrar a tradução, mas nada encontrei em português, apenas em inglês. Foi aí que começou meu romance com o idioma turco. Simplesmente me apaixonei pela a língua e me empenhei em aprender. Mas como? No Brasil não tinha nenhum livro, dicionário e nenhuma escola de turco. Entrei em todos os sites que dispunham do aprendizado de turco. Fiz um punhado de amigos turcos virtuais que sempre me ajudavam nas dificuldades com a língua. Mas eu ainda estava determinada a achar um dicionário.

    Todo mundo, mãe, família, amigos, colegas ficavam admirados e curiosos sobre o porque de eu estar tão empenhada em estudar turco. A resposta era, que me apaixonei pelo idioma e sua gramática lógica e complexa tão diferente da nossa. Um belo dia achei uma escola de turco em São Paulo, mas era  complicado para fazer o curso porque eu não tinha tempo, já que trabalhava em dois empregos e tinha faculdade a noite. Então liguei para a escola e perguntei se tinham dicionário. Esse foi o meu primeiro contato com um turco de verdade. Essa pessoa de nome Hakan foi extremamente gentil e me informou que tinha sim e falou o valor. Eu resolvi ir lá no sábado. Cheguei na escola e fui muito bem recebida pelo professor que já estava me esperando. Ele me convidou para assistir uma aula grátis e era tudo o que eu precisava. Então resolvi fazer as aulas aos sábados. Na hora que eu estava indo embora, eu perguntei pelo dicionário, que afinal de contas era o motivo de eu ter lá. O Turco foi tão gentil e inacreditavelmente, não somente trouxe o dicionário, como os livros do curso para pagar na próxima semana, na qual eu iria começar o curso. Quem iria fazer isso hoje em dia em São Paulo? Entregar livros sem a pessoa pagar? Achei incrível.

    Comecei então as aulas. Um dia meu professor me perguntou se eu poderia ajudar um rapaz turco que estava em um hospital em Santos. Ele não fazia ideia onde era o hospital e a família do rapaz estava ligando direto para a escola querendo saber notícias.

    Em Santos, passei no hospital como eu havia prometido para o professor. Cheguei no hospital para visitar o turco desconhecido. Quando abri a porta ele estava dormindo, mas logo acordou e me perguntou em turco “quem e você ?”. Nessa hora eu não soube nem o que responder, liguei rapidamente para o professor e passei o telefone para o turco doente chamado Nida Köse.

    E aí começa o meu romance. Quando eu estava saindo do hospital, o Turco Nida, perguntou se eu iria voltar no dia seguinte, eu disse que não sabia. Mas tudo estava a favor e assim fui visita-lo. Passei o dia inteiro com ele, tentando conversar e entender porque ele estava no hospital. Ele me contou que trabalhava em um navio que passou pela África, e foi picado pelo mosquito da malária. Passou muito mal em alto mar e o porto mais próximo era o de Santos.

    Ele ficou duas semanas no Brasil e eu fui todos os dias no hospital. Com três dias ele já queria colocar namorando no status do facebook e disse que iria casar comigo. Eu ria, porque não tivemos nada. Eram somente visitas, que eu gostava muito. Chegamos até a fugir do hospital para ele passear pela cidade. E em uma dessas fugidas eu levei ele na minha casa. O que eu não sabia, era que na cultura turca, se você leva alguém na sua casa e apresenta para seus pais, é namoro!

    Bom, as duas semana se passaram e ele foi embora falando que iria se casar comigo. O nosso contato foi apenas pelo facebook, msn, e sms no celular durante um ano e meio. Durante esse tempo as coisas foram se tornando mais sérias, a família dele já estava falando em casamento mesmo, até que ele perguntou se eu realmente queria casar com ele. Eu disse que sim!

    Terminei a faculdade e vim para a Turquia! E aqui estou eu! Essa é a minha história e em outubro fizemos um ano de casados.  

    Quer saber mais sobre mim? Aguarde a próxima edição da revista digital Brasileiros Mundo Afora em dezembro, onde vou estar falando sobre a minha vida profissional aqui na Turquia.

    Beijos Juliane
  • Na cozinha com pimpolhos – Álbum coletivo


    Nós pedimos aos nossos leitores e amigos que mandassem fotos e receitas das crianças cozinhando mundo afora.

    Recebemos lindos retratos para o nosso álbum coletivo. 

    Obrigada a todos! 

    “Homens Na cozinha ao som de Marisa Monte – o que mais eu posso querer?”  
    Erica Palmeira – Austrália
    “Sou Leda,  moro na Belgica há cinco anos e tenho uma filha de quase três. Achei bacana essa matéria sobre os filhos na cozinha, porque sempre me aventuro com ela a fazer tortas e biscoitos e a gente acaba se divertindo bastante!

    Ai vai a receita de cupacakes de milho: 

    • 1 lata de milho escorrido, 3 ovos, 1 pote de iogurte natural, 1 xicara de açucar e 1/2 xicara de óleo. Bater tudo no liquidificar. Em seguida acrescentar 1/2 xicara de trigo, 1 1/2 xiícara de fubá e 1 colher de fermento. Misturar tudo. Colocar para assar em 180 graus. “
    Benjamim Carneiro Viégas, tem 2 anos e 8 meses, mora em São Luís, no Maranhão e é um chef de cozinha de mão cheia! Sua receita:
    Mini Pizza do Chef Ben (4 porções)
    • 4 discos de mini pizza;
    • 8 colheres (sopa) de molho de tomate;
    • 4 fatias de presunto de peru;
    • 4 fatias de queijo mussarela;
    • Orégano;
    • Azeite.
    Preparo:
    1. Separe todos os ingredientes e lave bem as mãos. Se tiver, vista seu avental e chapéu de chef;
    2. Unte a forma com azeite (se a forma for antiaderente não é necessário);
    3. Disponha os discos de mini pizza na forma e espalhe 2 colheres (sopa) de molho de tomate sobre cada disco;
    4. Coloque 1 fatia de presunto de peru e 1 fatia de queijo mussarela sobre cada disco de mini pizza;
    5. Salpique orégano e um fio de azeite em cada mini pizza;
    6. Peça para um adulto acender o forno e levar para assar em temperatura média por 20 minutos.
    7. Pronto! Agora é só saborear sua mini pizza!
    “Na foto tem minha filha mais nova, a Dora, com 4 anos, me ajudando no bolo de chocolate.”
    Renata Marques – Portugal

    Bolo de chocolate

    Ingredientes para a masssa:

    • 4 claras em neve (reserve);
    • 4 colheres de sopa de margarina/manteiga;
    • 4 gemas;
    • 1 1/2 xícara de chá de açúcar;
    • 1/2 xícara de chá de água morna;
    • 2 xícaras de chá de de farinha de trigo;
    • 1 colher de sopa de fermento em pó;
    • 1 caixinha de creme de leite;
    • 1 xícara de chá de chocolate em pó (não é achocolatado).
    Após misturar a margarina, as gemas, o açúcar e a água até ficar um creme homogêneo, bater os outros ingredientes. No final acrescentar as claras em neve incorporando-as delicadamente à massa.
    Levar ao forno 180 a 200º por cerca de 40 min.

    Para o recheio:

    • 1 lata de leite condensado cozido ou doce de leite.
    Para a cobertura: 
    • Misture 1 barra de chocolate meio amargo derretido com 1 caixinha de creme de leite e uma lata de leite condensado. Leve ao fogo baixo mexendo até levantar fervura. Ao aplicar pode se lambuzar à vontade!
    Carol, de 6 anos em New York com a família. Adora fazer uma panqueca de chocolate.
    Bellinha, que mora em Malta com a  família, fazendo biscoitos amanteigados.

    Biscoitos amanteigados – Receita

     

    Ingredientes:
    • 1/2 xícara de chá de açúcar;
    • 1/2 xícara de chá de manteiga;
    • Limão Raspas;
    • 2 Gemas;
    • 2 xícaras de chá de Farinha de Trigo.

     

    Modo de preparo:
    • Preaqueça o forno em temperatura média (200 ºC).
    • Em uma vasilha, misture o açúcar, a margarina, as raspas de limão e bata até obter um creme claro. Acrescente as gemas e misture bem.
    • Junte a farinha de trigo e amasse com as mãos. Modele os biscoitos no formato que preferir e deixe descansar por 20 minutos na geladeira.
    • Em uma assadeira, arrume os biscoitos e leve para assar por 15 minutos ou até começar a dourar na base.
      

    Uma receita ótima para se fazer com as crianças. Dica de Sandra Kautto – Finlândia.

    Ingredientes
    • 3 dl  de aveia gluten free;
    • 1 dl açúcar mascavo;
    • 1 colher de chá de fermento químico;
    • 100g de manteiga ou óleo de canola;
    • 1 colher de sopa de fécula de batata ou 1dl de amêndoas triturada;
    • Uva passas.
    Modo de preparo
    Misture todos os ingredientes. Coloque pequenas porções, com a ajuda de uma colher de sopa, em uma forma com papel manteiga e leve ao forno pré-aquecido (200°C graus) por aproximadamente 8 minutos. Lembre-se de deixar espaço entre um biscoito e outro, pois eles crescem bastante. Eu geralmente coloco somente 6 em cada forma. A primeira vez que eu fiz essa receita usei amêndoas, ficou super deliciosa e com uma textura bem suave. A segunda fez usei somente aveia e a textura ficou menos suave, mas também deliciosa. Você pode colocar gotas de chocolate ou uva passa. Ficou muito bom!
       

     

     

    “Entrando na brincadeira mando umas fotos de um aulinha de culinária que dei na escola do meu filho para as crianças na Bélgica em 2010. Foi super gostoso. Mostrei um pouquinho dos nossos salgadinhos como pastel e claro que não faltaram os brigadeiros.” – Valéria
     

     

     

     

    Clara fazendo uma “Cuca de banana” e um “Bolo perigoso”.
    Quem canta seus males espanta! Mais sobre Clara aqui: Vídeo de Clara cozinhando
    A nossa amiguinha Luisa, que mora na Suiça, nos mandou uma receita super fácil para se fazer massinha de brincar! A vantagem? Você sabe exatamente o que vai dentro e é diversão garantida.

    Receita

    • 400g de farinha de trigo
    • 200g de sal
    • 2 colheres de sopa de tártaro em pó (em alemão: Weinstein-Backpulver) ou sulfáto de alumínio e potássio (em alemão Alaunpulver, encontrado em farmácias)
    • ½ xícara de água
    • 2 colheres de sopa de óleo
    • Corante alimentar

    Modo de preparo:

    Misture o trigo e o tártaro em pó ou o sulfáto de alumínio e potássio e reserve. Ferva a água com sal. Acrescente o óleo e o corante. Retire a panela do fogo e acrescente a mistura de trigo. Misture até a massa se soltar da panela. Amasse tudo até a massa ficar homogênea. Prontinho! Agora é só brincar.

    Luciana Misura, EUA – Fazendo Panettone, receita passo a passo: Panetone

     

     Julia que mora nos EUA com a família, cozinhando.
    Post sobre Crianças na cozinha, da mamãe Luciana Misura

     

    Marianna Vukitsevit

     

    Yasmin, que mora na Suíça.
    Foi o bolinho que ela fez para seu aniversário de 3 anos e 8 meses, um costume que temos aqui em casa de comemorar com um bolinho a cada mês.

     

    Receita do bolo fofinho
    3 ovos
    1 1/2 xícaras de açúcar ( pode ser açucar mascavo)
    2 xícaras de farinha de trigo
    1/2 xícara de óleo
    1 xícara de água
    1 colher (sopa) rasa de fermento (ou use a farinha que já vem com fermento)
    1 colher (sopa) de amido de milho
    Modo de fazer:
    Em uma bacia bata primeiro os ovos, o açúcar e o óleo. Coloque a farinha peneirada, o amido e o fermento. Bata novamente. Adicione a água e bata até obter uma massa cremosa. Coloque em uma forma untada média. Leve ao forno médio, pré-aquecido, por cerca de 30 minutos, ou até que doure e o palito saia seco.
    * se desejar pode colocar uma calda básica de limão ou laranja por cima do bolo ainda quente, nós colocamos o coco ralado.

     

    Sarah e Fabian fazendo biscoitos de Natal em Zurique, Suiça.
    Anna Lena e Fabian cozinhando em Berlim.
    A receita dessa casinha linda você encontra aqui: A casinha da história de João & Maria e o Natal
    Fabian cozinhando com o papai na Alemanha.
     

    Cozinhar não tem idade! Bom apetite!

     Bjs

     
    Claudia

     

    Confira também as receitas da nossa colunista Gê Eggmann aqui:
     
     
    Na Foto ao lado: Mateus e David fazendo um bolo de pera.

     

  • Festival of Lights 2013 em Berlim
    O Festival of Lights, Festival das Luzes, acontece todos os anos em Berlim. É um espetáculo! Esse ano não foi diferente. Ralf Bömmels foi na cidade ontem, conferir a beleza das luzes pra gente e aqui estão as suas fotos.

     

    É proibida a reprodução e distribuição destas fotografias sem permissão de Ralf Bömmels prévia por escrito.
    Festival of Lights 2013 em Berlim

    Festival of Lights 2013 em Berlim

     Festival of Lights 2013 em Berlim
     Festival of Lights 2013 em Berlim

     

    Festival of Lights 2013 em Berlim
     Festival of Lights 2013 em Berlim

     

    Festival of Lights 2013 em Berlim

     

    Festival of Lights 2013 em Berlim

     

    Festival of Lights 2013 em Berlim

     

    Festival of Lights 2013 em Berlim

     

    Festival of Lights 2013 em Berlim

     

    Festival of Lights 2013 em Berlim

     

    Festival of Lights 2013 em Berlim

     

    Festival of Lights 2013 em Berlim

     

    Festival of Lights 2013 em Berlim

     

    Festival of Lights 2013 em Berlim

     

    Festival of Lights 2013 em Berlim
    Festival of Lights 2013 em Berlim

    Aqui você encontra as nossas fotos do Festival of Lights 2012

    Fotos da Wikipedia:

    From Wikipedia, the free encyclopedia

     

    From Wikipedia, the free encyclopedia

     

    From Wikipedia, the free encyclopedia

     

    From Wikipedia, the free encyclopedia

     

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  • Brasil na Feira do livro de Frankfurt – por Vanessa Bueno
    Nosso país foi o convidado de honra da edição de 2013 da Feira do Livro de Frankfurt. Motivo que me levou a conferir o que ocorria por lá. Me deparei com um cenário exuberante e imponente. Paredes gigantes exibiam textos de nossos queridos autores. Palavras em português brasileiro, como se diz por aqui, nas línguas linglesa e germânica contavam sobre o nosso povo e nossa cultura, no pavilhão Brasileiro. Estima-se que 60 mil pessoas tenham passado por lá no último fim de semana.
    Mesmo envolvida em algumas polêmicas, a recusa de Paulo Coelho de integrar a lista dos 70 autores convidados e o controverso discurso de abertura do escritor Luís Ruffato, a participação do Brasil parece ter agradado, e muito.  “Vocês podem ter muito orgulho de seu país”, disse Jügen Boos, presidente da Feira, elogiando a extensa programação do Brasil no evento. Eu tenho mesmo meu senhor.
    Pelo que presenciei e acompanhei na mídia, Boos está certo. O interesse de alemães e estrageiros era visível. Espalhados pelas cadeiras, almofadas, redes e bicicletas disponíveis no pavilhão do Brasil, inteirávam-se de nossa literatura e história. Além disso, os brasileiros, moradores da Alemanha, ou vindos especialmente para a Feira, estavam em peso por lá. Gostei de ouvir os sotaques de diversas regiões do Brasil, aqui e ali nas minhas andanças.
    Claro que também teve debate sobre a Copa do Mundo de 2014. Cheguei bem na hora em que um brasileiro que mora na Alemanha  falava, em alemão: “o Brasil pode ser o país do futebol, mas a Alemanha está mais preparada para vencer.”  Não entendo muito de futebol para dizer se isso é verdade ou não, mas me deu uma vontade protestar. Felizmente, fui contida pelo bom-senso.
    O mesmo aconteceu quando li o discurso de Luís Ruffato e que fez o Ziraldo levantar-se e gritar: “Não tem que aplaudir, que se mude então”. Ruffato não falou nenhuma mentira, mas exaltou os defeitos de nosso país, quando o momento era de destacar as qualidades, acho. Concordei 100% com as palavras de Ziraldo, que disse adotar a postura de não falar mal de seu país no exterior. Sensato. Enfim…
    A Feira do Livro de Frankfurt é um expetáculo, com uma estrutura gigante e muito bem-organizada. Fiquei seis horas lá dentro e poderia ter ficado mais. Eventos de todo o tipo aconteciam ao mesmo tempo. E o fato de o Brasil ter sido o convidado de honra contribuiu, e muito, para mudar a imagem que os estrangeiros têm de que nosso país é só carnaval e futebol. Somos muito mais que isso!
    Mais eventos vêm por aí. Outubro é o mês de programação brasileira em Frankfurt e eu estarei lá para conferir.