• Minha primeira viagem em família – Viajando pelo Brasil dos anos 80 – por Larissa d’Avila da Costa

    Da minha primeira viagem em família eu não me lembro exatamente, pois já nasci, praticamente, com o pé na estrada. Meu pai sempre conta orgulhoso, que minha primeira viagem eu fiz com apenas 15 dias. Viajamos de Porto Alegre, onde nasci, a Vacaria na serra gaúcha, onde cresci. Esse percurso eu faria ainda muitas vezes durante toda a minha vida.

     
    Meus pais nunca tiveram preguiça em viajar com os filhos pequenos. Viajamos muito durante toda a nossa infância. E as nossas viagens de verão eram sempre longas. O trajeto mais curto que fazíamos todos os verões era de Vacaria a Itapema, Santa Catarina. Lembro-me da Caravan que meu pai tinha, um carro com o porta-mala enorme, no qual meu pai montava uma “cama” em cima das malas e ali nos acomodava, ainda de pijamas, eu e o meu irmão. Assim, partíamos, de madrugada, rumo a praia, para as nossas férias de verão.

    Fazíamos também viagens muito mais longas. Minha mãe tinha uma tia que morava em Campinas, e vez que outra, íamos, de carro, de Vacaria a Campinas, eram mil km numa sentada só. E estando em Campinas, claro que não ficávamos só aí. Esse era o ponto de partida para outras curtas viagens: uma vez de Campinas a Santos e Ilha Bela, outras vezes para Poços de Calda, Itu e para região serrana de São Paulo.

    As estradas do Brasil nos anos 80 eram muito piores que as de hoje em dia. Os postos de combustível eram fechados nos finais de semana, lojas de conveniência nem pensar e os paradouros que ficavam abertos oferecendo alguma refeição eram raros. Levávamos, portanto, na bagagem, alcool em galão (olha o perigo!), e muita comida. Essa era a parte que eu mais gostava das longas viagens, a “farofada”. Lembro-me muito bem da garrafa térmica azul de cinco litros que minha mãe enchia com coca-cola para o longo percurso. É óbvio que a térmica não mantinha a bebida resfriada, e lá pelas tantas a coca-cola ficava quente e sem gás. Parávamos para repousar e fazer nosso piquenique com sanduíches, ovo cozido e coca-cola quente. Esse era o gosto das nossas aventuras.

    Além das condições das estradas serem muito ruins, não havia tampouco conforto e segurança nos carros. Viajávamos sem cinto de segurança, sem ar condicionado e sem jogos eletronicos para distrair, mas nada disso era empecilho para meus pais cruzarem os estados de Santa Catarina e Paraná para irmos a São Paulo, Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu. 

    Íamos cantando, lendo livros e revistinhas, ouvindo histórias, eu e meu irmão com as cabeças entre os bancos dianteiros, felizes da vida por estar com o pé na estrada.

    Foi assim que me criei, viajando sempre com minha família. E isso marcou tanto a minha vida, que até hoje gosto muito de viajar. Por sorte as condições melhoraram!

     
    Larissa d’Avila da Costa é de Porto Alegre e mora há 11 anos fora do Brasil, sendo que 10 na Alemanha. Ela escreve no seu blog www.brasanha.com e publicou seu artigo “Alemanizada” na primeira edição da nossa revista.




  • Amizade…
    Existem dias como ontem em que as ideias aparecem do nada, os textos fluem, a criatividade desabrocha. E existem dias como hoje, em que  penso demais, nada flui e a criatividade deixa a desejar. Em dias assim, aproveito para “surfar” por aí (ainda se usa essa expressão?) e hoje em uma dessas voltas, encontrei o seguinte texto de Joseph Epstein, autor do livro Friendship, an Expose:

    “Eu sinto às vezes a necessidade de consumir cartões comemorativos nos quais pudesse ler “Fomos amigos por muito tempo” e na página interna “O que você me diz de encerrar essa amizade?”

    Quem é expatriado, certamente já vivenciou que algumas amizades antigas não sobrevivem à distância e ao tempo. Assim como fez amizades novas, que nem sempre preencheram o vazio que ficou. Viver longe de casa é um desafio em vários sentidos e significa começar muitas coisas do zero, também as amizades.

    Se tal cartão existisse, escreve Hannah Pool no THE GUARDIAN, quantos de nós realmente o enviaria para alguém? E se você recebesse o cartão, o que iria pensar? O ponto crucial é se você escolhe informar o amigo do que está ocorrendo ou apenas evita a pessoa até ela se dar conta (…) deixando a amizade ir se desidratando.

    Na minha opinião, demitir um amigo, como se diz aqui na Alemanha, requer coragem, honestidade e lealdade até mesmo na hora de dizer adeus. Os alemães tem uma qualidade que é igualmente um grande defeito: a honestidade extrema. Nós brasileiros temos uma grande qualidade que é igualmente um grande defeito: dar um jeitinho pra tudo.

    Talvez existam soluções mais elegantes e criativas para se dispensar um grande amigo que não cabe mais na sua vida, do que simplesmente dizer “não quero mais”. Mas no que diz respeito à todos os assuntos do coração e me colocando no papel de “demitido”, que fica completamente sem entender a situação, eu particularmente prefiro o rompimento rápido ao lento desintegrar. Como já dizia Mário Quintana: “A indiferença é a maneira mais polida de desprezar alguém.”.

    Mas cada caso é um caso…

    Amanha é um novo dia. Ensolarado, criativo e mais alegre. Prometo!
    Bjs
    Claudia
  • Minha primeira viagem em família – Embu-Guaçu
    A Blogagem ColetivaMinha primeira viagem em familia com meus filhos” do grupo Viagens em Família, da qual eu participei semana passada, trouxe lembranças à tona escondidas no fundo do computador e no fundão do baú!

     

    Inspirada pelas recordações lindas que eu tive ao escrever o post sobre a minha primeira viagem com meus filhos, eu procurei me lembrar quando eu fiz a minha primeira viagem com meus pais. E aqui compartilho as minhas recordações com vocês:

    As minhas lembranças da minha primeira viagem com meus pais são uma mistura de recordações verdadeiras e fotos. Eu me lembro claramente de episódios dessa época, como ter me perdido na Feira de Artesanato ou de ter visto meu primeiro filme no cinema – Braca de Neve e os sete anões – e de ter chorado por querer saber o que acontece com a princesa depois que o príncipe a leva embora para o seu castelo. Desde cedo, já questionando as perguntas importantes da vida.

    Enfim, já não consigo mais discernir o que eu vivi realmente e o que eu visualizei nos retratos antigos. O que eu sei, é que a nossa primeira viagem em família foi para o Brasil. Isso mesmo. Nós morávamos em Zurique e quando eu tinha três anos de idade em 1977, meus pais mudaram-se com mala, cuia e com uma boa porção de ingenuidade e coragem para uma cidade chamada Embu-Guaçu, no interior de São Paulo.
    Folheando os álbuns eu encontrei algumas fotos que documentam essa aventura, em um tempo que viajar para fora do Brasil e vice versa era extravagante, corajoso e muitas vezes visto como “uma loucura”.

    As meias denunciam: essa menina não mora há muito tempo no Brasil ;o)

    Você se lembra da sua primeira viagem com seus pais ou com seus filhos? Não? Pesquise e compartilhe conosco! Recordar é revivier.

    Bjs

    Claudia

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  • Primeira viagem em família para Islândia  – por Gê Eggmann

    A primeira viagem em família que eu considero uma viagem de verdade, nós fizemos em 2009 quando visitamos a Islândia. Amigos nossos moram lá e isso nos incentivou a conhecer um país que certamente não é um destino sonhado por muitos.

    A Islândia tem paisagens de tirar o fôlego, mas tudo é muito selvagem,  primitivo (no sentido puro da palavra) e muitas vezes completamente deserto. Houve muitos momentos em que eu pensei que Deus tinha criado somente as rochas, as montanhas e o mar.

    Eu cresci em uma cidadezinha no interior do Pará, onde as lojas tem pouquíssima variedade. Mas muitas cidades na Islândia são ainda menores, e as lojas com ainda menos variedade, pois muitos produtos precisam ser importados. Achei interessante. Até mesmo a areia branca que embeleza as praias da capital, foi importada do Marrocos. Essa escassez de produtos, não facilita muito viajar com crianças.

    As estradas são  completamente loucas! Estávamos em um momento em uma estrada com asfalto e à beira mar, para no momento seguinte nos vermos em uma estrada cheia de pedras contornando montanhas altissimas.

    Foi tudo muito impressionante e não há foto que consiga capturar a imensidão e a  beleza do país. De um lado o mar, do outro as montanhas negras, do outro a neve, tudo junto, basta apenas se virar para ver algo totalmente diferente.

    Nós adoramos a nossa viagem. O nosso filho tinha na época 7 anos e gostou também, mas eu aconselho visitar a Islândia com crianças um pouco maiores. Não existem cafés, restaurantes ou programações direcionados para a meninada a não ser nas localidades maiores. Quem é mãe, sabe o quanto precisamos de um pouco de “civilização” quando se anda acompanhada de filhos.

    Após duas semanas, chegamos em casa cansados, mas felizes por ter tido coragem de fazer essa viagem diferente em família.

    Eu adorei recordar essa aventura e compartilho algumas fotos com vocês.

    Gê Eggmann  é brasileira, mora na Suiça e é colunista da revista Brasileiros mundo afora

      

    Outros blogs muito legais que estão participando da Blogagem Coletiva do grupo Viagens em Família, com o  tema”Primeira viagem em familia“:

    – Sut-Mie Guibert do Viajando com Pimpolhos foi para Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro
    – Cláudia Pegoraro do Felipe, o Pequeno Viajante foi para o Canadá
    – Adélia Lundberg do Paris des Petits foi para a Côte d´Azur, na França.
    – Adriana Pasello do Diário de Viagem foi para São Paulo.
    – Luciana Misura do Colagem foi para o Michigan, nos Estados Unidos.
    – Andreza Trivillin do Andreza Dica e Indica Disney foi para a Disney.
    – Mônica Nogueira do M de Mônica…e Mãe… foi para Mogi das Cruzes.
    – Debora Galizia do Viajando em Família foi para Orlando.
    – Karen Reimer das Aventuras da Ellerin Viajante foi para Buenos Aires.
    – Michely Lares das Viagens da Família Lares foi para Orlando.
    – Renata Luppi da Mala Inquieta foi para Salvador.
    – Patricia Papp do Coisas de Mãe foi para Alagoas.
    – Cássia Virgens do Fomos juntos: de malas prontas foi para a Chapada Diamantina.
    – Ligia Cantarelli do Sem vírgula antes do etc foi para Campos de Jordão.
    – Carol Garcia do Viajando na Maternidade foi Barra do Sahy, SP.
    – Luisa Pinto do Diário da Pikitim foi para o Alentejo, Portugal.
    – Karla Alves Leal do Cariocando por aí foi para Montevidéu.
    – Patrícia Tabalipa do Roteiro Baby Floripa foi para Bombinhas.
    – Andrea Barros do RS para o Mundo foi para o Uruguai.
    – Thiago Busarello do Vida de Turista foi para Aparecida do Norte, em SP.
    – Rebecca PD do Passaporte Baby foi para São Paulo.
    – Daniella Sousa Reis do André e Dani + Pedro foi para Foz do Iguaçu.

  • Primeira viagem em família

    Inspirada na Blogagem Coletiva do grupo Viagens em Família, do qual faço parte, convido vocês a compartilharem as fotos e/ou relatos da primeira viagem em família. Seja com seus próprios pais ou com seus filhos.

    É só mandar para: brasileirosmundoafora@gmx.net 
    até o dia 20.05.2013.

    Vamos fazer um post coletivo cheio de lembranças lindas!

    Bjs

    Claudia

  • 10 Dicas para Donas de Casa Blogueiras

     

    Daniela Correa, uma brasileira que mora em Milão, é formada em psicologia e se descreve como “dona de casa por circunstâncias da vida””, idelizou o site  Donas de Casa Anônimas. Ele traz dicas principalmente de culinária, organização, decoração, de uma forma simples, partindo de donas de casa para donas de casa.

    As top 10 Dicas de Daniela para Donas de Casa Blogueiras:

    Eu percebo um grande número de mulheres donas de casa que desejam ajudar com um extra nas finanças da casa. Muitas acabam transformando um hobby, como o artesanato, em algo rentável. Para aquelas mulheres que gostariam de fazer um blog como um meio remunerável, eu deixo abaixo algumas dicas:

     

    • Se você começar só por causa do dinheiro, desista, porque não é fácil, exige muita dedicação e persistência;

     

    • Mesmo assim se você desejar fazer um blog, escolha um tema que você domine, ou, no mínimo, que você goste de falar a respeito;

     

    • Escolha um nome para o blog e uma plataforma para hospedà-lo (wordpress ou blogger);

     

    • Procure escrever corretamente e seja você mesma. Seja sempre original, não copie textos, isso é o início da ruína do seu blog;

     

    • Conheça blogs que falam a mesma coisa que você deseja falar. Procure fazer contato;

     

    • Se seus planos são ambiciosos com seu blog, porque não fazer um plano de negócios para ele? Na Internet você encontra como fazer um;

     

    • Quando usar imagens/fotos, coloque a autoria e antes descubra se ela é livre para ser usada. Na Internet há diversos sites de fotos free.

     

    • Cadastre seu blog em diretórios de blogs e sites para que ele seja facilmente encontrado;

     

    • Procure atualizar com freqüência, isso conta muitos pontos com o google;

     

    • E principalmente, AME o que você esta fazendo!

     

    Daniela Correa fala na nossa revista Brasileiros mundo afora sobre os desafios de ser mãe, dona de casa e empresária e sobre a receita de sucesso do site Donas de Casa Anônimas. 
    Para ler a matéria completa é só clicar aqui:  Daniela Correa fala sobre o seu site Donas de Casa Anônimas

     

     

  • Daniela Correa – Uma dona de casa nada anônima!
     Donas de Casa Anonimas
    O site Donas de Casa Anônimas traz dicas principalmente de culinária, organização, decoração, de uma forma simples, partindo de donas de casa para donas de casa.
    O blog foi idealizado por Daniela Correa, uma brasileira que mora em Milão, é formada em psicologia e se descreve como “dona de casa por circunstâncias da vida””. Daniela, juntamente com Renata Marques e Renata Palombo, é quem administra o conteúdo do blog, contando também com a participação de convidadas que compartilham suas reflexões, desejos e frustrações como mulheres e donas de casa mundo afora.
    Daniela Correa fala na nossa revista Brasileiros mundo afora sobre os desafios de ser mãe, dona de casa e empresária e sobre a receita de sucesso do site Donas de Casa Anônimas. 
    Para ler a matéria completa é só clicar aqui:  
  • Cozinhar com crianças – Receita de bolo de pera

    A Gê Eggmann é expert em cozinhar com a meninada. A receita de hoje é um bolo de pera fácil, fácil de se fazer. Confira aqui: Receita de bolo de pera para se fazer com crianças

    Quer receber a receita completa por Email? 

    Escreva pra gente: www.brasileiros-mundo-afora.com/p/contato.html

  • De volta ao Brasil – Entrevista com Paulo Rogério

    De volta pra casa…

    Morar no exterior é uma aventura e tanto, mas voltar como é? Qual a sensação de pisar em solo brasileiro após anos morando fora? Quem responde a essas e outras perguntas é o jornalista e marketeiro Paulo Rogério Souza, que voltou a morar no Brasil, após residir quase quatro anos em Dublin, na Irlanda. Natural do interior de São Paulo, ele estava radicado há 13 anos em Porto Alegre quando decidiu fazer as malas e partir para o velho mundo. De volta ao Brasil há poucos meses, ele nos conta como está se sentindo.


    Entrevista: Vanessa Bueno

    Paulo, o que lhe motivou a morar no exterior?
    Quando completei 30 anos, fiz uma daquelas análises de vida e me dei conta que estava com quase metade dos meus caminhos percorridos. Foi então que decidi viver os outros 30 ou 40 anos restantes da maneira que quisesse. Apesar de super bem empregado, não estava muito satisfeito, por isso fiz as malas e me mudei para Dublin, na Irlanda, com a intenção de passar um ano. Acabei ficando três anos e dez meses.
     
    O que lhe trouxe de volta ao Brasil?
    Quando completei três anos morando fora, já estava com muita saudade de tudo por aqui. Estava cansado do tipo de trabalho que realizava. Sentia necessidade de voltar a fazer algo que exigisse mais de mim. Estava em um relacionamento também, mas fiz uma análise (outra) e decidi largar tudo e voltar. Achava aquela vida falsa, já que ali não era meu país. Não queria ser estrangeiro para sempre.
     
    Como está sendo a readaptação?
    Não está sendo nem tão difícil como eu pensava e não tão fácil como pretendia. Não gosto muito de calor e voltar em pleno verão tem seu peso. Não gosto também dessa cultura do corpo e do “ter” que a nossa sociedade, infelizmente, tem privilegiado cada vez mais. Mas tento não ficar voltando ao passado com frequência. Evito olhar fotos, vídeos e redes sociais dos amigos de lá. Tento me concentrar no aqui e agora, já que vivo das escolhas que faço e no momento escolhi estar no Brasil.
    Qual a principal diferença que sentiu em sua volta?
    Como mergulhei de cabeça na cultura irlandesa, na volta a comparacão foi inevitável. Com certeza as principais diferenças estão no calor e nos preços altos. Um salário de mil euros, por exemplo, com cerca de 20 a 25 horas trabalhadas por semana, coloca você em um patamar de classe média lá. Com mil reais no Brasil, você não consegue fazer quase nada. Claro que o um por um não é justo nem realista, no entanto, friso no valor do dinheiro.

     

    Sua rotina no exterior era muito diferente da do Brasil?Sim, bem diferente. Deixei no Brasil um bom emprego como gerente de marketing, apartamento, onde morava sozinho, todo equipado, carro na garagem e todas aquelas aquisições sociais.
    Quando cheguei em Dublin, dividia um apartamento com mais quatro pessoas e apenas um banheiro. Pessoal jovem e de bem com a vida, no entanto, cada um com suas manias, seus horários, seus costumes e suas predileções.

    Nos primeiros cinco meses investi pesado no curso de inglês para aprender a me comunicar e poder, a partir daí, trabalhar, me relacionar e tudo mais. Após esse período, comecei a trabalhar como diarista. No sexto mês, consegui um emprego em um Café e fiz carreira. O negócio é de uma família irlandesa, muito “gente fina”, que me adotou. Fui muito bem tratado por eles e pelos clientes. Tive muita sorte.

    Mesmo trabalhando no Café, não larguei as faxinas, que fazia depois do expediente, duas vezes por semana. Com a grana das limpezas, conheci sete países. Todo o dinheiro ganho como diarista ia para uma poupança que apelidei de: “Que mochilão que nada, vou de mala de rodinhas!”.

    Que saudades sentia de casa?
    O mais difícil eram as datas comemorativas. Foram três natais, viradas de ano, páscoas, dias das mães e aniversários longe. Tive que aprender a cozinhar e a fazer ceia de Natal por Skype com minha mãe. O que sentia falta de comer fui contornando. Por exemplo, adoro bolo de cenoura, então aprendi a fazer. Mas a saudade mesmo era de momentos com a família, como almoço de domingo, sabe?

    Como define a experiência de morar fora?
    Sabia que seria uma experiência muito louca. Diferente de tudo que já havia vivido, mas na prática foi isso tudo e um pouco mais. Me transformei em um cara com mais fé. E o mais importante: aprendi a não fazer tantos planos. Eu era viciado em listas. Planejava tudo e sempre. Em Dublin, tudo mudava o todo tempo. Na marra, tive que aprender a confiar no destino, no universo e relaxar. Acredito que estou pronto para meu segundo ato.

    Pensa em voltar a morar no exterior? Se sim, onde?
    No momento não. Quero construir minha vida aqui no Brasil agora. Parece que aquela agonia e insatisfação baixaram. Quero formar minha família, ter filhos e curtir bastante minha mãe, minhas irmãs e meus amigos. Se algum dia voltar a morar fora, quero ir pra algum lugar no sul da França.

    Dicas para quem está pensando em voltar ao Brasil

     

     

    clubedosmapas.blogspot.com.br

  • Carlos e Anja – Amor internacional no balanço do forró!
    Carlos, você mora em Berlim desde 1994. Muitos brasileiros querem voltar para o Brasil principalmente nos primeiros cinco anos fora de casa. Foi assim com você também?
    Eu nunca pensei em sair  de Pernambuco e quando eu percebi já estava em Berlim. Mas sei que um dia vou voltar para minha terra. O que eu que mais gosto em Berlim é poder andar de bicicleta com mais segurança do que em Recife.

    Anja, você dança desde quando? O que te fascina na cultura brasileira, na dança brasileira?
    Eu descobri a dança brasileira há cerca de dez anos atrás. Anteriormente, eu tinha experimentado  muitos outros ritmos, mas quando conheci a dança e a cultura brasileira, senti que finalmente achei o que eu estava procurando. Sou fascinada pela variedade de danças, estilos musicais, etnias, dialetos e pela natureza brasileira. Particularmente Pernambuco me fascinou,  porque a cultura é vivida com intensidade e existe uma grande consciência cultural. Para uma berlinense como eu, que não se identifica com nenhuma dança ou música alemã, foi muito fácil encontrar identificação com uma cultura diferente. O Forró me entusiasmou de imediato e o Frevo nunca mais me abandonou, desde a primeira vez que vi os passistas dançando nas ruas de Recife.

    Quando e em qual momento vocês decidiram abrir um estúdio de dança próprio?
    Nós não pensávamos em abrir um estúdio de dança. Eu já dava aula de afro e forró no Tanzstudio Tangará em Berlim, quando surgiu a oportunidade de nós dois assumirmos  o estúdio de dança. Então, depois de alguns dias pensando sobre o assunto, vimos que seria uma boa experiência para nós. Assim surgiu o Tanzstudio Dança Frevo.

    Anja e Carlos, vocês trabalham e vivem juntos. Qual a dica para casais na mesma situação, para que tanto o traballho como o relacionamento funcionem bem?
    Carlos: Antes de assumirmos o estúdio de dança, trabalhamos juntos em vários projetos, como a “Locomotiva do Frevo”, e dando aulas de Forró. Trabalhar juntos sempre funcionou e continua funcionando muito bem. Mas nem sempre é fácil – somos de culturas diferentes e temos características diferentes também. Como por exemplo: eu sou um artista nato, a Anja não. Mas trabalhar juntos é uma ótima experiência e torna a nossa relação mais forte.

    Anja: Na verdade não é sempre fácil, já que somos tão diferentes, mas isso  também significa que nós nos complementamos. Seus pontos fracos são os meus pontos fortes e vice-versa. Eu sempre penso sobre o pouco que nos veríamos, se estivéssemos trabalhando separadamente. O ritmo de trabalho de Carlos como um dançarino, seria muito diferente do meu ritmo de trabalho, se eu trabalhasse na minha profissão de administradora de empresas. Estou feliz por nos vermos com tanta frequência,  e quando as coisas ficam difíceis, cada um pode seguir o seu caminho dentro do próprio estúdio de dança, que é bem grande. Nós estamos aprendendo muito. É importante separar nosso trabalho conjunto do nosso relacionamento.

    Carlos, um dos seus objetivos é mostrar ao mundo que Brasil não é só samba e que a nossa cultura é muito rica. Assim, você criou o grupo Locomotiva do Frevo. Fale um pouco mais sobre o frevo, sobre o grupo e seus integrantes.

    Primeiro gostaria de dizer que eu amo Samba. Mas, quando cheguei em Berlim, eu percebi que os shows da cultura brasileira só tinham um objetivo: mostrar as mulatas dançando samba. O público aqui não sabia que Frevo, Forró, Maracatu não são samba.

    Tudo começou quando fui trabalhar na academia Jangada de capoeira angolana,  onde eu dava aulas de samba. O mestre Rosalvo me perguntou se eu não gostaria de mostrar o Frevo, do qual eu sempre falava. Então começamos com uma aula de danças de Pernambuco e logo surgiu a ideia de divulgar esse trabalho. Assim começou o grupo Locomotiva do Frevo em 2006. Hoje sou coreógrafo, dançarino e presidente da associação. Nós temos um espetáculo que se chama A Outra Cara do Brasil, o qual já apresentamos várias vezes, e também trabalhamos com crianças e adolescentes. Há sete anos, saímos no Carnaval das Culturas aqui em Berlim, que acontece sempre no feriado de Pentecostes. Este ano vamos iniciar um novo projeto que se chama Sem palavras. É um trabalho de desenvolvimento e pesquisa da reação das pessoas em uma comunicação não verbal.

    A Europa parece estar com uma “febre” de Forró com tantos festivais acontecendo. É só impressão minha ou o forró está mesmo cada vez mais conhecido nas grandes cidades?

    É verdade, o forró tornou-se a mais nova febre da cultura brasileira aqui na Europa e no mundo. Mas ele vem também acompanhado de outras danças como o Coco, Frevo, Maracatu e Cabo-clinho por exemplo. O maior Festival de Forró Forró de Domingo, acontece aqui na Alemanha em Stuttgart.

    Vocês organizaram o primeiro Festival de Forró de Berlim, que aconteceu em março deste ano. Como foi a aceitação do público e quais os planos para 2013?

    A aceitação do público foi bem maior do que nós esperávamos. Foram três dias de muita alegria, boa música, bons professores e muitas pessoas que aqui vieram “abrilhantar” o nosso festival. A imprensa nos acolheu com muito carinho e fez com que o público de Berlim e da Europa ficasse sabendo do nosso festival e do que estava aqui sendo desenvolvido. Não só teve Forró, mas também Frevo, Samba de Gafieira, Forró percussão, Caboclinho, Coco e danças criativas paras crianças. Nesse momento nós estamos ainda curtindo as conquistas do festival. Temos muitos planos para o ano que vem, pois já sentimos saudades de todos aqueles que passaram pelo primeiro Psiu! Forró Festival.

    tanzstudio-danca-frevo.de