Uma brasileira em Abu Dhabi e mundo afora.
Uma brasileira em Abu Dhabi e mundo afora.

Luciana Biscaia-Coxall tem 55 anos e mora há oito anos no exterior. No Brasil Luciana era Diretora de Aprendizado Corporativo, Gerenciamento de Talentos e Desenvolvimento Organizacional no HSBC Brasil. Hoje, ela vive na Alemanha e é Coach de Carreira de Transições Profissionais, autônoma. De lá ela esscreve no blog “Um post por dia” e cosegue a façanha de realmente escrever todos os dias um texto de excelente qualidade. Em entrevista exclusiva, ela fala sobre sua trajetória profissional.

 
Luciana, por que você foi morar fora do Brasil?
Eu trabalhava no HSBC Brasil e fui transferida para a matriz do banco em Londres. Trabalhei em Londres por quase 3 anos, depois fui transferida para a sede do HSBC na América Latina, que fica na capital, México City. Em 2010, assumi a posição de Head de Learning (educação corporativa) para o Oriente Médio e Norte da África, no HSBC em Dubai. Em 2011, recebi uma proposta e me transferi para um banco de Abu Dhabi, o First Gulf Bank, onde atuei por dois anos e meio como SVP de Desenvolvimento Organizacional, Gerenciamento de Talentos e Educação Corporativa. Em dezembro de 2013 eu deixei o First Gulf Bank para embarcar numa ‘carreira solo’ como Coach de Carreira e Transições Profissionais.
Como foi ingressar no mercado de trabalho alemão?
Eu cheguei na Alemanha faz dois meses, ainda não pesquisei ativamente a possibilidade de trabalho no país. Mas vou fazê-lo em breve. Depois te conto como foi. mas na minha área de atuação, a experiência é o que conta. No meu caso, experiência corporativa, experiência com o desenvolvimento de executivos e, a experiência internacional. É claro que a formação conta, e é importante estar constantemente estudando e se atualizando. Recentemente eu concluí um curso de Coaching da Ashridge Business School da Inglaterra. Quando se trata de organizações reconhecidas internacionalmente, como a Ashridge, não há necessidade de fazer um ‘reconhecimento’ formal dos diplomas.
Precisou estudar mais para complementar sua formação?
Sim. Como eu disse acima, qualquer profissional, de qualquer área, tem que estar constantemente se atualizando. Eu concluí em Abril de 2014 o curso de Coaching para Executivos e Organizações, na Ashridge e vou começar em Janeiro de 2015 uma certificação com outra instituição britânica chamada The Performance Coach. Não dá prá parar!
Há quanto tempo atua na área?
Na área de Educação Corporativa e Talent Management foram 15 anos. Eu comecei a atuar como Coach de Carreira e Transições Profissionais há 1 ano, quando decidi dar um tempo na minha carreira de executiva e me dedicar integralmente ao coaching.
Quais as principais diferentes que destacaria entre um país e outro?
Eu já morei em vários países, como disse acima, além da Inglaterra, México e Emirados Árabes, passei a primeira metade de 2014 morando na Itália (em Milão) e agora estamos na Alemanha (em Nuremberg). Quanto as diferenças, cada país tem as suas características, e é isso que, justamente, faz essa ‘vida internacional’ ser tão interessante e rica. Mudam os costumes, a comida, o clima, mas o que eu acho mais fascinate são as pessoas. E depois desses anos todos, eu cheguei á conclusão que os seres humanos são muito mais semelhantes do que diferentes entre si. Em Abu Dhabi, eu tinha uma equipe de trabalho de 13 pessoas que eram de nove países diferentes. Mas no fim das contas, independente da sua cultura, todo mundo quer a mesma coisa: fazer um trabalho bem feito, ser reconhecido, respeitado etc.
Em termos de remuneração, qual país é melhor?
Sem dúvida nenhuma os Emirados Árabes. Além dos salários, acima da média, os expatriados não pagam impostos, então não tem desconto nenhum. Como a maioria das pessoas é de outro país, há a possibilidade de se  comprar passagens aéreas, duas vezes por ano, além de outros benefícios. Se a pessoa não sair muito nas baladas  de Dubai, é um bom lugar prá fazer um ‘pé de meia’.

Como é sua rotina de trabalho?
Até dezembro do ano passado, quando eu trabalhava em corporações, a minha rotina era a normal de uma executiva: reuniões com a equipe, apresentações de projetos, emails, viagens, mais emails e mais reuniões! Uma das razões para a minha decisão de ‘dar um tempo’ na vida corporativa é que eu queria ser mais ‘dona do meu tempo’ e dar uma reduzida no ritmo. A minha empresa de coaching ainda está em processo de formação, então, hoje em dia, eu atendo clientes de duas a três vezes por semana e as sessões tem 90 minutos de duração. Eu tenho clientes no Brasil e nos Emirados Árabes e
atendo a todos via Skype. Quando eu me estabelecer aqui na Alemanha, vou procurar atender clientes locais também. Por enquanto, só aqueles que falem português ou inglês. Além disso, todos os dias, eu reservo de duas a três horas prá estudar e fazer contatos comerciais. É uma rotina bem flexível e
era bem isso que eu estava precisando, depois de 35 anos de trabalho em período integral. Eu mereço!
Que conselho daria para quem está mudando agora para o exterior e gostaria de continuar atuando na sua profissão?
Eu não sei se posso dar conselhos nesse assunto, pois eu saí do Brasil transferida pela minha empresa, ou seja, já vim com um trabalho. Mas de qualquer modo, eu acredito que o caminho mais eficiente para se conseguir um bom emprego é através de uma boa rede de contatos. Se não conhecer ninguém no país, vale fazer cursos (de curta ou longa duração) na sua área. Os colegas e professores podem ser excelentes contatos. O Linkedin também é um bom lugar para se apresentar e entrar em contato com profissionais e head-hunters. A competição é acirrada, pode ser uma boa idéia achar um nicho de atuação, um diferencial. Algo que exija o conhecimento do idioma português, ou de contatos com o Brasil. Não vai haver tanta competição se você achar o seu nicho. Mas tudo depende da área de atuação, claro. No meu trabalho como coach, eu atendo pessoas em fase de transição profissional e vejo que cada caso é um caso e pede uma solução diferente.
 
O que levou você a escolher essa nova opção de trabalho?
Depois de muitos anos de ‘vida corporativa’ eu achei que tinha chegado a hora de trabalhar de maneira mais flexível. Como eu trabalhei nas áreas de educação corporativa e desenvolvimento de executivos, a carreira de coaching foi a consequência natural, já que o coaching é uma espécie de ‘personal trainer’ para o desenvolvimento de profissionais. Sempre me deu muito prazer trabalhar com o desenvolvimento de pessoas e como coach eu posso utilizar a minha experiência como gerente de equipes e no Brasil e no exterior. Meu foco são as ‘transições profissionais’, não só porque eu tenho bastante experiência pessoal no assunto, mas porque eu vejo que esse é um tema que ainda precisa ser muito mais explorado e que pode ajudar muito aos executivos em transição.
Precisou estudar para atuar na nova profissão? O que estudou e quanto tempo?
 Em 2013/2014 eu fiz um curso de Executive Coaching, de seis meses, na Ashridge Business School na Inglaterra e agora estou me preparando para começar uma certificação na área. A partir de janeiro 2015, eu vou estudar numa instituição baseada em Londres, que se chama The Performance Coach.
O que me fez escolher essa certificação é que a empresa tem uma visão muito prática e pragmática do coaching. São pessoas com vivência em corporações, então não é só blá, blá, blá teórico. Tem que conhecer a realidade das pessoas e das empresas prá poder trazer resultados. Essa certificação tem seis meses de duração também.
Há quanto tempo atua na nova atividade?
Desde Outubro de 2013, ou seja, há exatamente um ano.
O que lhe dá mais prazer nessa nova atuação?
A possibilidade de trabalhar com pessoas talentosas e ajudá-las a vencer desafios e se desenvolver continuamente. A flexibilidade que eu tenho. Posso trabalhar em dias alternados e assim me dedicar á outros assuntos que também me interessam. Por exemplo: fazer exercícios, fotografar, ler, escrever o meu blog etc. Eu adoro estudar e a flexibilidade que eu tenho me permite manter uma rotina de  estudos que, além de colaborar com o meu próprio desenvolvimento profissional, também me dá muito prazer.
Que conselho daria para quem está mudando agora para o exterior e gostaria de trocar de profissão?
Esse é um tema super delicado. São duas mudanças ao mesmo tempo. Mudar de país, de cultura e mudar de profissão, tudo ao mesmo tempo agora. Não é simples. Mas com foco, apoio, paixão e energia, tudo se consegue nessa vida. Acho importante, de qualquer maneira, não subestimar a complexidade de duas mudanças simultâneas.
Primeiro, tem que refletir bastante sobre o porque da mudança de profissão e identificar as possíveis áreas de atuação levando em conta os seus ‘diferenciais’ pessoais, a situação do mercado e principalmente as coisas que você tem prazer em fazer. Eu realmente acredito que gostar do que se faz é a coisa mais importante para ser bem sucedido profissionalmente. Se a chegada da segunda-feira é motivo de tristeza para um profissional, tem que repensar a situação. Se você puder, dê um tempo para se adaptar ao novo país, vá devagarinho. E enquanto se adapta, comece fazendo cursos (de curta duração) na área que você pretende atuar, cursos de idiomas, se filie à organizações, converse com pessoas que já atuam na sua potencial ‘nova profissão’, pesquise o mercado e vá desenhando a sua ‘proposta de valor’. Ou seja, como é que você vai ‘vender o seu peixe’.
Na maioria das áreas, dominar o idioma é também fundamental, pois a capacidade de se comunicar claramente, defender seus pontos de vista e de se relacionar com as pessoas é tão (ou mais) importante do que o conhecimento técnico.
Pode valer a pena fazer um curso de ‘apresentação’ ou ‘técnicas de comunicação’ e aprender truques prá transmitir melhor as suas idéias, atender clientes etc. Infelizmente no Brasil a gente não aprende ‘oratória’ na escola, mas em muitos países da Europa eles aprendem, e eu já vi muitos casos de  pessoas competentes no Brasil que ‘patinam’ quando trabalham no exterior porque não conseguem se fazer entender. E não é só o domínio do idioma não, é a maneira como você expõe as suas idéias. – Tem que conhecer a cultura do lugar onde você vai morar e trabalhar. Dá prá fazer isso lendo livros, vendo filmes e principalmente conversando com pessoas que já viveram no lugar aonde você vai morar e/ou com os cidadãos desse lugar.
Vale a pena também conversar com pessoas que já atuem na sua ‘nova área’ profissional. Se possível fazer um estágio ou acompanhar o profissional na sua rotina de trabalho.
http://www.amazon.com.br/Como-encontrar-trabalho-vida-SCHOOL-ebook/dp/B00A3COSOO/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1414132818&sr=8-1&keywords=como+encontrar+o+trabalho+da+sua+vida
Eu gosto muito desse livro acima, dependendo do seu caso, pode ser uma boa leitura.

O meu blog se chama Um Post por Dia e é um blog de variedades. Histórias da vida, viagens, fotos, reflexões e as minhas opiniões sobre temas diversos. Super relax e sem grandes pretensões, tem como sua principal característica o fato de ter um post novo, todos os dias! Link do blog da Luciana: umpostperday

Uma brasileira em Abu Dhabi e mundo afora.
Com meu chefe e minah equipe recebendo um prêmio patrocinado pelo governo doa emirados Árabes, como melhor equipe de treinamento e desenvolvimento do oriente Médio em 2013.
Uma brasileira em Abu Dhabi e mundo afora.
Eu (de amarelo, na frente)e a minha equipe multinacional no FIRST GULF BANK en Abu Dhabi, novembro 2013
Uma brasileira em Abu Dhabi e mundo afora.
Com Peter, meu marido, no nosso casamento em Londres, em julho de 2009


Uma brasileira em Abu Dhabi e mundo afora.
Fazendo o que fazem os alemães… Prost! Em Erlangen, Agosto 2014

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