Maria Eugênia Ferreira Pinto dos Santos ou simplesmente  Magê mora há 12 anos no exterior. No Brasil, ela formou-se em Rádio e TV pela Universidade Metodista de São Paulo e trabalhava como produtora freelancer em festivais de cinema. Hoje ela mora na Itália com a família, é guia turística e escreve no blog Milão nas mãos.

“Assim que cheguei à Itália, em 2002, comecei a trabalhar em uma multinacional que precisava de uma pessoa que falasse português. Na época não foi difícil encontrar um emprego, mas era algo completamente diferente da minha área de trabalho. Como muitos expatriados, tive que me contentar com a situação.

Inspirada pelo meu pai, há mais ou menos dois anos, comecei a cultivar a ideia de trabalhar com brasileiros em Milão, oferecendo serviço de acompanhamento turístico na cidade. Os brasileiros estão cada vez viajando mais e a oferta de serviço aqui em português é restrita.

Decidi trabalhar como acompanhante turística e comecei a me preparar para o exame necessário para se exercer a profissão na Itália. Aqui, guia/acompanhante turístico é uma profissão regularizada com uma habilitação. Para fazer o exame de habilitação, é necessário estudar sobre a história, a geografia, os costumes e sobre a história das artes das cidades. Eu prestei a prova escrita do exame em fevereiro, passei para a prova oral e no último dia 16 de abril saí de lá com a minha habilitação. Não sei descrever a minha sensação: uma mistura de alegria e realização. Foi o reconhecimento da minha capacidade, a conclusão de um percurso começado há muito tempo. Há mais de um ano que eu estava me preparando para os exames e esperei todo esse tempo para que saísse o edital das provas. Infelizmente aqui na Itália as coisas caminham às vezes lentamente e nem sempre com eficiência.

Uma coisa é certa: mesmo antes de começar a atuar, tenho certeza de que ter a possibilidade de trabalhar com brasileiros, ter esse contato com as pessoas do meu país, falar o português, será gratificante. Eu acho que mais que uma assistência turística, é quase uma mediação cultural, porque as pessoas têm interesse em saber como se vive na Itália, e só nós brasileiros podemos fazer a comparação com o nosso país.

Que conselho daria para quem está mudando agora para o exterior e gostaria de trocar de profissão?

Quando cheguei aqui, há 12 anos, obviamente queria continuar trabalhando na minha profissão original. Mas eu não conhecia ninguém, e o trabalho de produção depende muito de você conhecer pessoas, a cidade, os serviços e como as coisas funcionam.  Durante algum tempo, foi frustrante fazer outros trabalhos, mas foi só perto dos 40 anos que eu percebi que a melhor coisa seria me reinventar. Não é fácil descobrir como percorrer um novo caminho. Voltar a estudar aos 40 anos, com as responsabilidades de casa, filhos e marido, não é como aos 20, quando você faz praticamente só isso.

Resumindo: a estrada para se reinventar em uma nova profissão não é fácil e muito menos rápida. A minha dica é ficar atento às oportunidades que o novo país oferece. Eu levei 10 anos para encontrar esse caminho. Não é fácil nem rápido, mas é possível! ”

As faces da Itália através dos olhos de uma brasileira: uma cultura diferente contada por quem conhece as duas. Conheça Milão com a Magê. Todas as informações aqui:Passeios guiados por Milão

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