No ritmo de Bê Ignacio

 

 Entrevista: Claudia Bömmels   Fotos: Holger Hage

 

Conheci a Bê Ignacio por acaso, quando uma leitora me indicou o seu show, que estava acontecendo em Berlim. As nossas agendas não combinaram para marcar uma entrevista pessoalmente, mas eu fui no show.

Depois de dançar no balanço de sua música, que é uma mistura gostosa de vários rítmos, me deparei, na conversa rápida que tivemos atrás do palco, com uma pessoa de extrema simpatia e simplicidade.

Nos despedimos com a promessa de que ela me contaria sobre a sua trajetória profissional aqui na Alemanha. Aí está!

Betina Ignacio, ou simplesmente Bê, tem 35 anos, é filha de mãe alemã e pai brasileiro e lançou seu quarto CD, Índia Urbana, em julho desse ano. Antes de decidir mudar-se para a Alemanha, para cursar uma concorrida faculdade de música em Stuttgart, ela estudou teatro no Brasil. Também fez parte de um coral, participando de várias turnês pelo país. Ela formou-se há seis anos em música e está sempre se reciclando. Conforme conta, no meio artístico é preciso continuamente estudar e se aperfeiçoar.

No ritmo de Bê Ignacio
Bê Ignacio Índia Urbana é um CD que chama atenção já pela capa, mostrando Bê pintada de índia na Avenida Paulista, palco de muitas manifestações na cidade de São Paulo. “O índio se pinta tanto para a guerra quanto para a festa. Quando fiz as fotos, lembrei muito dos caras-pintadas pedindo o impeachment do Collor. Algum tempo depois, as manifestações começaram a tomar conta do Brasil e todo o conceito do disco fez ainda mais sentido“, contou em entrevista ao jornal alemão Deutsche Welle.

 

Ingressando no mercado de trabalho alemão
Acho que sempre é difícil ingressar no mercado de trabalho. Também como cantora. Tanto no Brasil como na Alemanha, precisa-se de um tempo para se fazer bons contatos, ter a banda certa. No meu caso, depois de dois anos no mercado, as coisas começaram a andar melhor. Hoje estou muito satisfeita. As pessoas já conhecem o meu trabalho e não recebo mais perguntas do tipo ‘Você canta música brasileira? Tipo Salsa e Merengue?’ Desde quando salsa e merengue vêm do Brasil? Tive que aprender que as pessoas aqui não sabem distinguir muito bem os diferentes rítmos. Para eles, música latina é tudo a mesma coisa. Outro problema que tive no início foi: chegava em algum lugar para fazer o show e o organizador do evento olhava para mim e perguntava ‘Ué, onde está o seu biquini? E as penas?’ Viva os clichês! Ficava chocadíssima.
Diferenças entre o Brasil e a Alemanha
Eu só posso falar do que vejo e vivencio quando estou no Brasil. Com certeza é difícil generalizar qualquer coisa na minha área. Mas no Brasil, hoje em dia, os artistas tem mais apoio do Governo. Acho isso ótimo. Aqui na Europa realmente tem que se lutar bastante para se conseguir viver da música. Acho que no Brasil as coisas estão mudando nesse sentido. Mesmo artistas que não tem nome conseguem sobreviver sem ter que trabalhar em outro ramo.
Quando perguntei sobre a rotina de trabalho, a resposta foi de que não há rotina fixa. Algumas vezes ela está compondo e arranjando músicas novas, outras está no estúdio gravando ou ensaiando com os músicos, fazendo shows ou trabalhando no escritório. “Grande parte de meu trabalho significa viajar“, contou Bê.
Para quem está começando uma nova carreira, ela diz: “Acho super importante, em primeiro lugar, observar como as coisas andam. No Brasil, por exemplo, é normal uma banda profissional ter roadies a acompanhando. Eles são profissionais que coordenam tudo o que diz respeito ao som e à iluminação de palco. Já vivenciei músicos brasileiros na Europa que não sabiam montar os próprios instrumentos no palco. Aqui na Europa, só os grandes nomes contratam roadies. A coisa mais normal é você saber montar o próprio instrumento.
E completa: “Em geral e indiferente da profissão, é super importante viajar e trabalhar em outro país e vivenciar outra cultura. Nem sempre é fácil, mas a riqueza em vivências e a possibilidade de ver o próprio país de outra forma, de um outro ângulo vale ouro.
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