Marina Wentzel, 32 anos, formou-se em jornalismo no Brasil e saiu pelo mundo. Desde 2010 mora na Tailândia com o marido e os filhos, mas já passou por Hong Kong, Turquia, Inglaterra e Alemanha. Atualmente é correspondente internacional para o  sudeste da Ásia e repórter freelancer da BBC Brasil. Cursou mestrado em Relações Internacionais e Estudos Europeus pela Universidade do Bósforo, em Istambul, mas foram os estágios internacionais que lhe trouxeram oportunidades.

 

Deixar o Brasil foi uma escolha difícil no começo, pois nunca sabemos como será a adaptação no exterior. A saudade sempre está presente e às vezes bate uma solidão, mas a descoberta constante de coisas novas é uma sensação que compensa tudo.
Acredito que trabalhar no exterior ensina as pessoas a serem mais adaptáveis, proativas, independentes e disciplinadas. Em Londres, aprendi a ética do trabalho inglesa. Em Hong Kong, senti muito orgulho ao ser aceita no seleto e prestigioso Clube dos Correspondentes Internacionais da cidade. Na Tailândia, conheci o poder da gentileza. Repetir “com licença”, “obrigado”, “me desculpe” e “por favor” com gratidão, retorna como bênção na vida da gente. Todos esses ensinamentos fazem parte da pessoa que sou hoje e foi um privilégio poder ter aprendido tudo isso através da experiência de viver em tantos lugares diferentes.
Minha rotina é acordar cedo, mandar meus filhos para a escola, ler os jornais e revistas e fazer contatos com as minhas fontes. Às vezes, almoço no Clube dos Correspondentes Internacionais. No começo da tarde mando para Londres as sugestões de pauta. Eles me retornam com pedidos e eu vou executar a matéria com entrega para o mesmo dia ou na manhã seguinte.
 O que mais me dá prazer na minha profissão é contar e ouvir boas histórias, bem como ter a oportunidade de viajar e conhecer novas culturas, aspectos que me levaram ao jornalismo. Por natureza, sou muito curiosa e eclética. Posso escrever sobre uma crise diplomática hoje e sobre esporte ou arte contemporânea amanhã. Busco ter liberdade para explorar várias linhas. É a diversidade o que mais me atrai e, na posição de correspondente internacional, tenho o espaço para poder explorar isso.
Que conselho você daria para quem está se mudando para o exterior? 
Estude o idioma e adote uma postura séria e infalível. Trabalhe com comprometimento e dedicação. Faça acontecer! Seu esforço será recompensado.