Cristina Francisco mora há quase 18 anos fora do Brasil. Formada em biologia, optou pela profissão de Tagesmutter, atividade qualificada na Alemanha voltada aos cuidados de crianças pequenas.

 

Quando eu cheguei aqui na Alemanha, não foi possível ingressar no mercado de trabalho como bióloga. Há 18 anos atrás a situação para profissionais estrangeiros era bem diferente da atual. O meu diploma não foi reconhecido, mesmo com anos de experiência e trabalhos publicados em revistas científicas reconhecidas. Eu tive então que frequentar a universidade e fazer um novo diploma chamado Diplom-Biologin/Hauptfach Naturschutz.
No Brasil eu havia trabalhado em consultoria ambiental. Participei da avaliação de impacto ambiental de grandes projetos como as hidrelétricas de Samuel, Manso e Corumbá II, projetos de irrigação e estradas. Foi em uma época em que o Brasil estava mudando politicamente e estes grandes projetos eram financiados por instituições internacionais. Além disso, o Banco Mundial estava recebendo muitas críticas por financiar a destruição ambiental na sua ajuda ao desenvolvimento. Sem financiamento, os grandes projetos pararam e as equipes de meio ambiente das consultoras foram desfeitas.
Na época a minha irmã, que veio para Hamburgo como Au-pair, casou-se e ficou na Alemanha. Ela estava esperando o segundo filho e sugeriu que eu viesse para ajudar e aprender a língua. Quando eu cheguei não falava alemão, então as opções de trabalho não eram muitas. Como eu tenho muito jeito com criança, comecei cuidando do meu afilhado e a partir daí surgiram outras famílias, onde eu fazia babysitting.
Enquanto eu frequentava a universidade, os trabalhos que eu fazia sempre tiveram a ver com crianças. Quando me graduei, procurei um emprego como bióloga durante um ano, sem sucesso. Por outro lado, eu recebia cada vez melhores propostas para cuidar das crianças, realmente empregada e com uma remuneração até melhor do que nas ofertas na área de biologia.  Resolvi então desistir da profissão de bióloga para abraçar a atividade de  Tagesmutter*.
Depois de algum tempo já trabalhando, fiz a qualificação para Tagesmutter em 2007, que é oferecida pelo BASFI – Behörde für Arbeit, Soziales, Familie und Integration, uma secretaria ligada à assuntos sociais, inclusive os da família. Também foi necessário concluir o curso de primeiro socorros para crianças. Além disso, preciso cursar 18 horas de atualização a cada dois anos.  Eu trabalho com crianças de todas as idades, mas tenho especilização para trabalhar com pequenos de até três anos. Eu gosto muito e é bem divertido. Cada dia tem uma coisa nova e posso usar a minha criatividade. O trabalho gira em torno das necessidades e dos interesses das crianças. Basicamente passo o dia brincando.
Que conselho você daria para quem está se mudando para o exterior?
Se você vier para a Alemanha, o fundamental é falar bem o idioma e verificar quais são as exigências em termos de certificados. Aqui realmente o que conta é o papel.

Mais Informações sobre a profissão de Tagesmutter aqui: Wie werde ich Tagesmutter

Brasileiros Mundo Afora