Natalia Junqueira de Mattos é mineira, de Belo Horizonte, tem 31 anos, e mora na França desde 2010. No Brasil ela era psicóloga, profissão que exerce também no novo país. Além disso, escreve no seu blog Destino Provence, sobre suas aventuras e experiências. 

Nós não escolhemos o nosso destino, ele foi determinado em função do trabalho do meu marido, que fazia parte de um programa de expatriação na empresa onde trabalha. A sorte nos trouxe para França.

Para me inscrever no mestrado, precisei primeiro aprender francês durante um ano e atestar o nível de proficiência necessário, certificado pelo Ministério da Educação francês. Depois de obter o diploma, me inscrevi para a seleção no mestrado. No início do processo, fui informada que precisaria validar a graduação para que pudesse exercer minha profissão aqui. A organização do ensino superior na França é diferente do Brasil, e por isso o diploma não é exatamente equivalente e precisa ser validado. Mas não são todas as profissões que necessitam de validação.

Apresentei os documentos exigidos a qualquer estrangeiro que queira se inscrever em uma universidade francesa, e ainda passei por um júri composto por um professor de cada departamento do curso de psicologia. Eles me questionaram sobre a minha formação no Brasil e experiência profissional, assim como projetos profissionais futuros. Quando passei pelo júri de validação, me disseram que eu poderia me inscrever no último ano do mestrado, ou seja, cursaria só um ano e em seguida teria meu diploma validado. Optei por começar do primeiro ano por dois motivos: não sabia se um ano só contaria como mestrado no Brasil, além disso, não sentia segurança no domínio do francês para me lançar logo no último ano, tendo que efetuar um longo estágio em uma clínica. Acabei saindo no lucro.

No Brasil, me formei no início de 2009 e atuei durante um ano nas áreas de recursos humanos e psicologia clínica. Aqui na França, na área da saúde, encontrei, infelizmente, mais semelhanças do que diferenças. A verba da saúde é a primeira a ser sacrificada,  triste realidade em ambos os países.

Em outubro de 2013 abri meu consultório e a minha rotina de trabalho consiste atualmente em construir rede de relacionamentos e clientela, além de ter paciência para obter pacientes. Além do consultório, no início de fevereiro desse ano, comecei a trabalhar no hospital onde fiz meu estágio ano passado. Estou muito feliz com a conquista.

Que conselho você daria para quem está se mudando para o exterior?

No caso da psicologia, que a validação do diploma é necessária, acho importante entrar em contato com os professores da universidade onde pretende estudar, buscar saber quais são suas áreas de interesse em pesquisa e ler muito, mas muito mesmo sobre o assunto, nas revistas científicas. É importante construir uma rede de relacionamentos de trabalho. Isso é uma tarefa de formiguinha, todo dia um pouco, e requer muita paciência. As oportunidades são poucas e construir clientela é difícil tanto no Brasil como no exterior. A experiência anterior conta na hora de procurar estágio, mas uma vez conseguido o diploma, começa-se da estaca zero mesmo.