Imbradiva
Imbradiva pelas brasileiras na Alemanha
Organização sem fins lucrativos desenvolve projetos de apoio e integração a mulheres  
por Vanessa Bueno

Há 15 anos, três mulheres uniram-se em prol de um objetivo em comum: apoiar as migrantes de língua portuguesa no seu processo de integração na sociedade alemã. Assim nasceu, em Frankfurt, a Imbradiva e.V – Iniciativa de mulheres brasileiras. De lá para cá, a organização não governamental se expandiu e hoje presta serviços como aconselhamento jurídico e psicológico, apoio a presidiárias, encontros de beleza e degustação da culinária brasileira, seminários e workshops, além de creche para os filhos das migrantes.

A presidente da entidade, Joselene Drux, explica que as colaboradoras são todas voluntárias e atuam como intermediárias, ou seja, encaminhando quem as procura aos profissionais especializados. A demanda gira em torno de três a quatro solicitações por semana, com épocas de aumento.

Segundo ela, os casos que chegam incluem questões como reconhecimento de diploma, depressão, dificuldade de integração, divórcio, violência doméstica, entre outros. Joselene diz que já chegou a ir na casa de uma mulher que ligou em busca de ajuda, mas garante que isso é exceção. Em casos como esses, a Imbradiva e.V procura garantir que as agredidas sejam acolhidas em abrigos para mulheres e encaminha os processos legais pertinentes.

Colaboração

Além de prestar aconselhamento, as voluntários realizam visitas a detentas brasileiras do presídio em Preugesheim (JVA), em Frankfurt, semanalmente, ajudando no contato e envio de informações às famílias no Brasil e, em alguns casos, no retorno ao país. Também providenciam revistas, livros, roupas de inverno e o que mais for necessário. Entre as causas mais comuns de prisão, conforme o relato da presidente, está o transporte de drogas. “São meninas pobres, com uma vida difícil no Brasil, que acham que conseguirão ter um futuro melhor realizando esse trabalho de mulas, transportando drogas para os traficantes”, diz.

Para dar conta da demanda de trabalho, as Imbradivinas, como se autodenominam, realizam encontros mensais. Nas reuniões, dividem as tarefas, definem os projetos  e o orçamento da entidade. “Cada uma colabora como pode”, explica Joselene, acrescentando que a maioria realiza as atividades da Imbradiva  após seu expediente de trabalho.

Os recursos de aporte aos projetos são gerados através de contribuições espontâneas de pessoas físicas e jurídicas, da anuidade das cerca de 60 sócias e da participação da instituição em feiras e eventos com venda de quitutes brasileiros. Aliás, foi  em um desses eventos que Joselene entrou em contato com a ONG pela primeira vez. “Conheci o trabalho da Imbradiva durante uma festa brasiliera e logo me apresentei para as meninas. Fico muito feliz quando percebo que conseguimos ajudar as pessoas a resolverem suas questões e seguirem felizes. É o meu combustível para continuar”, registra.

Projetos infantis

Desde 2003, a Imbradiva  expandiu suas atividades aos filhos das associadas com a criação do Pirlimpimpim. Trata-se de um grupo recreativo infantil, onde os pequenos são estimulados a se comunicarem em português. Por meio de atividades como contação de histórias, festas típicas e brincadeiras, as crianças entram em contato com a língua e a cultura brasileira. Com condução e supervisão de profissionais da área de educação, os encontros ocorrem uma vez por semana, em Frankfurt, e são direcionados a crianças de até seis anos.

Como extensão do trabalho iniciado com o Pirlimpimpim, a organização fundou, em 2009, o Kita Curumim – creche internacional. A creche oferece dois grupos de atividades: português-alemão e inglês-alemão e pode receber até 22 crianças entre 10 meses e três anos. O Kita Curumim conta com o apoio do estado de Hessen, que paga parte das despesas. O restante dos custos é coberto pela mensalidade dos pais.

Encontros

Sempre no segundo domingo de cada mês a organização também oferece a suas associadas e à comunidade em geral o BIA – Beleza integração e autoestima. Durante os encontros, é possível degustar pratos típicos brasileiros, além de fazer as unhas e cortar os cabelos com profissionais do Brasil.

“Nosso objetivo é gerar uma troca de experiências entre as migrantes. Elas conversam, interagem e percebem que passam por situações parecidas, o que ameniza o sentimento de solidão e saudade da pátria”, conta Joselene.

 

Além do BIA, a ONG promove seminários e workshops de esclarecimento sobre temas como direito do estrangeiro, direito de família, mulher e saúde, formação profissional e mercado de trabalho. Muitas das atividades são apoiadas por  organizações e entidades alemães.

 

Após esclarecer todas as atividades da Imbradiva, a presidente da ONG deixa um recado para quem acaba de chegar na Alemanha: “Aprenda a língua e não desista. Morar na Alemanha pode ser bom.”

Aprenda a língua e não desista. Morar na Alemanha pode ser bom.”

Joselene Drux é natural de Olinda, em Pernambuco, e está na Alemanha há 32 anos. Há 22 trabalha na Bolsa de Valores da Alemanha, integrando a Imbradiva desde 2005.