Barbie The Dreamhouse Experience
Foto: barbiedreamhouse.com
Eu visitei a Casa da BarbieBarbie The Dreamhouse Experience– aqui em Berlim, no final de semana passado. Como era de se esperar, é tudo muito rosa, muito pink, muito plástico, mas o que me decepcionou mesmo, foi a falta de opções de atividades para as crianças. Eu fui com duas meninas, uma de 6 e uma de 4, que disseram educadamente que gostaram do local, mas que não precisam necessariamente voltar por lá. Ainda bem!
O projeto é temporário e fica em Berlim até o dia 25 de agosto de 2013, seguindo então para outras cidades na Europa.
Aqui algumas fotos e as informações de como chegar lá:Barbie The Dreamhouse ExperienceBarbie The Dreamhouse Experience

 

The Dreamhouse Experience

 

The Dreamhouse Experience

 

Endereço:
 Voltaire Straße 2a
10179 Berlin

barbiedreamhouse.com/kontakt

O local fica aberto diariamente entre 10 e 20 horas, sendo que os últimos visitantes do dia, devem entrar no mais tardar às 18 horas.

Preços:

  • Crianças  apartir de 4 anos: € 12
  • Adultos: € 15
  • Familien-Ticket: € 49
    (2 Adultos e duas crianças)
  • Extra Ticket Fashion World: € 10
    (Brincar de ser modelo e desfilar no Barbie™ Catwalk)
  • Extra Ticket Pop Star Stage: € 10
    (Ser uma Popstar no palco Barbie™ Pop Star Stage)
  • VIP Package: € 29,90 (uma entrada para uma criança incluindo o Fashion World & Pop Star Stage, uma pulseira e uma bebiba). Para reservar, telefone para: 030 4799 7433

 

 

Antes de falar sobre a minha visita na casa dos sonhos da Barbie (Barbie´s Dreamhouse), que abriu há três semanas aqui em Berlim, quero dizer que não tenho nada contra a moça.

Eu brinquei com ela quando era criança, mas isso não me trouxe nenhum trauma, nem me impôs esteriotipo de beleza algum. Na verdade, eu pouco penso sobre o papel da boneca mais discutida do planeta, na vida de tantas meninas mundo afora, a não ser o de ser um brinquedo. Digo isso, porque a inauguracão aqui em Berlim, trouxe consigo discussões controversas sobre a influência da loira de plástico e seus acessórios fashion (entre eles, o bonitão Ken), na vida das futuras mulheres. Uma ativista feminista arriscou um topless na frente no prédio, queimando uma Barbie amarrada em uma cruz. Cruz credo!

No meio dessa discussão toda (respeito todas as opiniões), eu tirei um tempo (tempinho) para pensar e pesar os diversos pontos de vista, afinal também sou mãe. Mas depois de uma análise rápida, o mundo da Barbie pra mim, continua sendo o que sempre foi: tudo muito loiro (ainda existindo as Barbies negras, chinesas etc.), tudo muito pink, tudo muito plástico. Ponto. Mundo de boneca. Ponto. Nada mais. Nada menos.

Eu admiro sinceramente quem se engaja por causas nobres como a preservação de animais, ser contra o uso de pele de raposa-leão-tigre-coelho-gato-cachorro-e-todos-os-tipos-de-bichos, lutar contra a fome, pobreza, guerra. Levantar bandeira por menos consumo de televisão, menos propaganda para as nossas crianças, mais esporte, alimentação mais saudável e tantas outras causas importantes. Admiro e muito! A natureza humana é reclamar muito e fazer pouco. Digo isso e aponto o dedo para mim mesma.  Aponto, me questiono cada vez mais e procuro melhorar falando menos e agindo mais. Mas se tem uma coisa que nunca me passou pela cabeça de fazer, é de ficar topless na frente da casa da Barbie protestanto contra uma boneca de plástico e dando mais importância ao assunto do que ele realmente merece. Eu sei, eu sei… mas essa é a minha opinião.

Enfim, fui visitar a moça no sábado passado. A casa rosa fica atrás do (paraíso de compras) shopping Alexa, bem no centro de Berlim. Já por fora, percebe-se que trata-se de um projeto provisório. Descobri depois, que o projeto Barbie´s Dreamhouse fica somente até o dia 25 de agosto de 2013 em Berlim, seguindo para outras cidades europeias. Mais ou menos como os circos (ha!). A fila é de virar quarteirão e o público é 80% feminino. Muitas mães vestem também pink e rosa para combinar com o resto da decoração penetrante. Depois em casa, olhando as fotos, percebi para o meu espanto, que meu lenço também era pink. Uma escolha aleatória ou estaria eu já sob a influência da B-a-r-b-i-e?

 

Seja como for, a moça escolheu muito mal o arquiteto para sua casa. Eu imaginava um lugar como a Legoland ou o Playmobilpark, onde os brinquedos das respectivas marcas estão em abundância à disposição das crianças. Imaginava um monte de bonecas esperando para serem vestidas. Casas, carros, cavalos, carruagens e tantos apetrechos mais fariam do local um paraíso insuportavelmente rosa, mas um paraíso para a meninada. Mas nada disso existe nesse local, que eu carinhosamente apelidei de inferninho pink.
Na entrada, as crianças recebem uma pulseira e com ela podem fazer seus muffins, escolher seu estilo e montar quebra-cabecas no computador. Em diversos locais, os desenhos animados da Barbie são apresentados e os pequenos se perdem na frente das telas gigantes. O piano parece ser de papelão e toca automaticamente ao se apertar em um botão qualquer. A cama é gigantesca e sem propósito.  O  closet, o banheiro, o “terraço à beira mar” são sem graça e vazios. Não pude ler em lugar algum sobre a boneca. Como foi criada, a evolução dos modelos, dos móveis. Nada disso. Na televisão, é mostrado como uma boneca edição especial é pintada à mão. That´s it!

Na última etapa da visita, você entra em um “avião” e viaja até Paris. A essa altura do campeonato, você já fica feliz com qualquer tipo de interação e se alegra em ver duas mesas onde as crianças podem fazer algo criativo. Em uma, elas podem brincar de cabeleleiro pobre. Pobre, porque os recursos oferecidos são mínimos. Na outra mesa, elas podem pintar um desenho com lapis de cor e colar umas florzinhas brilhosas. Tudo bem.

Quem quiser se arriscar, pode se maquiar e brincar de ser modelo em um desfile sem graça e pago extra. Por falta de opção, a fila é grande. No final de tudo, você passa pela loja também sem graça, onde será impossível você sair sem comprar uma besteira qualquer.

Duas meninas de 6 e 4 anos, cujos olhos não brilharam muito nas horas intermináveis que passamos lá, me acompanharam nessa aventura.  Sem elas eu não teria sobrevivido. Elas dizem que gostaram, mas a de 4 me disse que prefere ir para uma piscina. Entendo!

Eu, no final das contas, saí de lá com uma baita dor de cabeca. Mesmo não tendo nada contra a dona da casa, depois dessa visita, eu entendo melhor quem fica de topless, pira e sai de lá correndo, gritando e até mesmo queimando a boneca em público. Vontade dá. 

O inferninho pink não é para espíritos fracos!