
No texto, psicólogos falam dos vários “eus” que temos dentro de nós. O eu que quer segurança e odeia grandes mudanças e o eu que sonha, que quer seguir em frente, evoluir, descobrir novos caminhos. Falam também sobre a importância de se achar o equilíbrio entre eles, para ser feliz.
Em breve faço 40 anos e quase a metade deles vivo fora do Brasil. Nesse meio tempo eu e os meus “eus” nos conhecemos muito bem e já nos demos o luxo de tornar realidade alguns sonhos. Um deles era morar no exterior, trabalhar em um banco suiço, ter uma carreira bem sucedida.
Outro sonho realizado, foi o de ser autônoma, designer de jóias. Tanto um como outro exigiram coragem. Foi preciso deixar pra trás em ambas as vezes um terreno seguro, conhecido, para se aventurar por novos mares, deixando ao longo do caminho algumas pessoas queridas sem compreender essa necessidade de mudança.
Depois de quase 10 anos, final de 2011 eu tive que reconhecer, com muito pesar, que eu e as joias já não tínhamos mais muito em comum. A inspiracão e o amor necessários para se fazer um trabalho criativo, foram-se. Provavelmente, como em qualquer outro relacionamento que chega ao final, o fim do nosso também não aconteceu do dia pra noite. Mas aconteceu e às vezes é preciso também ter coragem para dizer adeus.
Lendo essas histórias de vida na revista stern, eu me identifiquei muito com todas e admiro cada uma dessas pessoas: o executivo da Microsoft, que hoje vive nas montanhas alemãs e tem um hostel para esquiadores e praticantes de trekking; a enfermeira que trabalha com os Médicos sem Fronteiras ou a publicitária que vive hoje na Suécia e oferece passeios com trenós puxados por cachorros. São histórias de trabalho, de sacrifícios, de acertos e de erros, mas principalmente de realização pessoal e de felicidade. São histórias inspiradoras, mas enquanto as leio, sinto-me como se estivesse agora fazendo o caminho inverso.
Meu sonho hoje é o de embarcar no mercado de trabalho alemão. A grande aventura pra mim, não é deixar tudo pra trás e sim encontrar um emprego que me preencha e que se encaixe na minha vida (feliz) aqui na Alemanha. E porque não financiar com esse emrpego um sonho maior, que é o de tornar esta revista mais conhecida e querida mundo afora?
Chego a conclusão de que nem todo sonho precisa ser exótico, inovador ou trazer mudanças radicais para a vida.
Jörg, o bonitão da capa da revista agora já meio amassada, ainda sorri para mim. Ele tem 44 anos, já foi modelo, diretor criativo e hoje tem uma pensão no Brasil. Ele vive o seu sonho. Eu estou em busca do meu. Estou tentando não me intimidar com as infinitas possibilidades que a vida moderna me oferece, sugerindo que eu posso ser o que eu quiser. Será?
Eu retribuo o sorriso e guardo na gaveta. A revista, não o sonho.
Bjs
Claudia
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