De volta pra casa…
Entrevista: Vanessa Bueno
Sua rotina no exterior era muito diferente da do Brasil?Sim, bem diferente. Deixei no Brasil um bom emprego como gerente de marketing, apartamento, onde morava sozinho, todo equipado, carro na garagem e todas aquelas aquisições sociais. Quando cheguei em Dublin, dividia um apartamento com mais quatro pessoas e apenas um banheiro. Pessoal jovem e de bem com a vida, no entanto, cada um com suas manias, seus horários, seus costumes e suas predileções.
Nos primeiros cinco meses investi pesado no curso de inglês para aprender a me comunicar e poder, a partir daí, trabalhar, me relacionar e tudo mais. Após esse período, comecei a trabalhar como diarista. No sexto mês, consegui um emprego em um Café e fiz carreira. O negócio é de uma família irlandesa, muito “gente fina”, que me adotou. Fui muito bem tratado por eles e pelos clientes. Tive muita sorte.
Mesmo trabalhando no Café, não larguei as faxinas, que fazia depois do expediente, duas vezes por semana. Com a grana das limpezas, conheci sete países. Todo o dinheiro ganho como diarista ia para uma poupança que apelidei de: “Que mochilão que nada, vou de mala de rodinhas!”.
Que saudades sentia de casa?
O mais difícil eram as datas comemorativas. Foram três natais, viradas de ano, páscoas, dias das mães e aniversários longe. Tive que aprender a cozinhar e a fazer ceia de Natal por Skype com minha mãe. O que sentia falta de comer fui contornando. Por exemplo, adoro bolo de cenoura, então aprendi a fazer. Mas a saudade mesmo era de momentos com a família, como almoço de domingo, sabe?
Como define a experiência de morar fora?
Sabia que seria uma experiência muito louca. Diferente de tudo que já havia vivido, mas na prática foi isso tudo e um pouco mais. Me transformei em um cara com mais fé. E o mais importante: aprendi a não fazer tantos planos. Eu era viciado em listas. Planejava tudo e sempre. Em Dublin, tudo mudava o todo tempo. Na marra, tive que aprender a confiar no destino, no universo e relaxar. Acredito que estou pronto para meu segundo ato.
Pensa em voltar a morar no exterior? Se sim, onde?
No momento não. Quero construir minha vida aqui no Brasil agora. Parece que aquela agonia e insatisfação baixaram. Quero formar minha família, ter filhos e curtir bastante minha mãe, minhas irmãs e meus amigos. Se algum dia voltar a morar fora, quero ir pra algum lugar no sul da França.
Dicas para quem está pensando em voltar ao Brasil





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